Antonelli coroa ascensão meteórica em cinco anos com título da F1; veja trajetória


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Para se ter uma ideia da velocidade com que Kimi ascendeu no automobilismo, há apenas cinco anos o jovem dava os primeiros passos na Fórmula 4 Italiana, ao lado de outros pilotos promissores que ainda tentam se firmar ou buscam uma vaga na Fórmula 1, como o brasileiro Rafael Câmara, Arvid Lindblad e Alexander Dunne.
Abaixo, o ge conta como Antonelli saiu de um menino rápido ao mais jovem campeão do mundo em um período de tempo tão curto.
Kimi Antonelli teve rápida evolução até alcançar o topo da Fórmula 1 — Foto: Infoesporte
As credenciais no kart
A trajetória de jovens pilotos rumo à Fórmula 1 costuma seguir um padrão: o início no kart ainda na infância, bons resultados e, durante a adolescência, a transição para os chamados carros de fórmula. Também foi assim com Antonelli, mas os resultados daquele menino no kart já chamavam – e muito – atenção.
Antes mesmo dos oito anos de idade, Kimi foi observado por Giovanni Minardi em um evento de formação para jovens pilotos. Contratado pela Minardi Management, o garoto começou a empilhar bons resultados. Em 2019, a Mercedes resolveu apostar no jovem e o levou para a academia de pilotos do time.
Kimi Antonelli no kart, quando era piloto da Minardi Management — Foto: Divulgação
Os alemães não foram os únicos interessados no talento de Antonelli. A Ferrari também identificou Kimi como uma grande promessa para o futuro, mas decidiu não contratá-lo por considerar o italiano jovem demais.
– No meu último ano na Ferrari, estou falando de 2018, Kimi Antonelli tinha entre 10 e 11 anos. Naquela época, a Ferrari ainda não tinha estrutura para cuidar de crianças tão pequenas. Falo não como chefe de equipe, mas em referência à empresa – disse Maurizio Arrivabene, ex-chefe da escuderia.
O auge de Antonelli no kart foi em 2020, quando o piloto de 14 anos levou os títulos do Italiano, Europeu e da Euro Series em uma tacada só, todos na categoria OK – a mais importante dessas competições.
Anos primorosos na Fórmula 4
Depois de brilhar em 2020, Kimi iniciou a natural transição para os monopostos no fim de 2021; não sem antes vencer o Europeu de kart mais uma vez, superando nomes como Rafael Câmara e Arvid Lindblad, ambos no grid da F1 2027.
A primeira oportunidade veio na Fórmula 4 Italiana, considerada uma das mais fortes deste nível entre as diversas categorias regionais. Porém, Kimi fez apenas três das sete etapas do campeonato e terminou a competição em décimo lugar com a Prema, com três pódios nas três provas da etapa de Monza.
Mas aquele início era apenas o aquecimento: no ano seguinte, Antonelli fez todas as provas do ano e deu a largada para um desempenho avassalador. Foram nada mais, nada menos do que 13 vitórias e 14 pole positions em 20 corridas na Fórmula 4 Italiana, o que lhe rendeu o título por antecipação e uma vantagem de mais de 100 pontos sobre o vice-líder Alex Dunne, um dos atuais destaques da Fórmula 2.
Kimi Antonelli venceu a F4 Italiana e a Alemã em 2022 — Foto: Divulgação/ADAC
Aquele não foi o único título de Antonelli em 2022. O italiano também disputou a Fórmula 4 alemã e, para variar, foi campeão por antecipação, com nove vitórias em 15 corridas e o reconhecimento de Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes que mantinha um olhar atento sobre o prodígio.
– Eu recebo uma mensagem do Toto Wolff depois de todo fim de semana. Ele é muito interessado nas minhas performances e me parabeniza regularmente pelo meu sucesso. É ótimo estar em contato com ele – disse Kimi à época.
Fim do beabá
Para o ano seguinte, Antonelli deu mais um passo natural para talentos do automobilismo: saiu das competições de Fórmula 4 e migrou para as Fórmulas Regionais, um degrau acima na pirâmide rumo à Fórmula 1. Mesmo com a pouca idade, colocou mais dois títulos na conta.
Kimi foi campeão da prestigiosa Fórmula Regional Europeia (FRECA), com cinco vitórias em 20 corridas, além de ter conquistado a Fórmula Regional do Oriente Médio, ganhando três das 15 provas. Àquela altura, já parecia óbvio que o talento de Antonelli o tornaria um forte candidato a chegar à F1 – mas o garoto de Bolonha ainda teria que se provar na Fórmula 3 e na Fórmula 2 antes disso. Ou não.
Kimi Antonelli foi campeão da Fórmula Regional Europeia em 2023 — Foto: Divulgação
Esse seria o caminho natural. Porém, dessa vez, Antonelli foi tratado como aquelas crianças que se destacam no jardim de infância e pulam um ano: como já estava muito acima da média no nível em que competia, a Mercedes decidiu investir no talento e promovê-lo direto para a Fórmula 2 em 2024, com uma vaga na Prema.
O anúncio ocorreu em outubro de 2023, e o próprio Antonelli já sabia que se tratava de um salto muito grande. A potência do motor de um Fórmula 2 (640 cv) era mais que o dobro dos monopostos da FRECA (270 cv), e o nível de competitividade seria alto: naquele grid, estavam pilotos talentosos como Gabriel Bortoleto, Oliver Bearman, Isack Hadjar e Franco Colapinto – todos no atual grid da F1.

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Pressão e afirmação
– Se nós começarmos a mexer com sua cabeça ou soltar rumores sobre ele na imprensa, isso não vai ajudar sua campanha na F2. Ele acabou de sair do kart e não tem nem 18 anos. Então eu não começaria nenhuma especulação sobre Kimi na F1 – disse o gestor da Mercedes.
Andrea Kimi Antonelli e o chefe Toto Wolff, da Mercedes, durante os treinos do GP da Itália de F1 em 2024 — Foto: Vince Mignott/MB Media/Getty Images
Mas mesmo competindo contra pilotos mais velhos, Kimi Antonelli se saiu bem. Não foi um ano brilhante em termos de resultados, é verdade, mas diante de um grid muito forte e equilibrado, a consistência com que o garoto terminava na zona de pontuação e as vitórias em Silverstone e Hungaroring foram suficientes para colocá-lo de vez no radar da F1.
Andrea Kimi Antonelli bateu no primeiro treino livre do GP da Itália da F1 em 2024 — Foto: GABRIEL BOUYS / AFP
Adaptação e glória
Assumir um dos carros de uma equipe gigante e sedenta por voltar a ser campeã era uma tarefa difícil, e Antonelli deu mostras do desafio e do talento logo na primeira corrida na Fórmula 1, o chuvoso GP da Austrália de 2025. Na classificação, o italiano teve um desempenho muito ruim e largou apenas na 16ª colocação.
Mas aquela exibição no Circuito Gilles Villeneuve foi um oásis no deserto da temporada europeia de Antonelli, uma provação bastante incomum para um piloto acostumado a ganhar. Depois de ser eliminado precocemente na classificação para o GP da Bélgica, chegou à zona mista visivelmente abatido e parecia ter chorado.
Andrea Kimi Antonelli concedeu entrevistas após eliminação na classificação do GP da Bélgica da F1, em 2025, e se emocionou — Foto: Clive Rose - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Com o tempo, Antonelli voltou a se entender com o carro da Mercedes e conquistou mais dois pódios em 2025, em São Paulo e Las Vegas. A melhora no fim da temporada o recolocou no lugar em que se esperava que ele estivesse: o de um segundo piloto consistente, em fase de aprendizado, que eventualmente conseguiria bons resultados. Mas Kimi não era considerado um prodígio por acaso.
Na atual temporada, a grande mudança de regulamento fez com que a Mercedes saísse na frente e se colocasse em vantagem em relação às demais. Portanto, a lógica levaria a pensar que o favorito ao título seria o principal piloto do time: George Russell, mais experiente e com o dobro da pontuação de Antonelli em 2025.
Andrea Kimi Antonelli segura bandeira da Itália em comemoração a triunfo inédito na F1, no GP da China de 2026 — Foto: Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images
Kimi Antonelli com o troféu do GP da Itália de F1 — Foto: REUTERS/Jakub Porzycki
Só a velocidade e a estrela de Kimi, no entanto, não explicam tamanha evolução em tão pouco tempo. Em julho, meses antes da conquista do título, Toto Wolff já tinha dado ao ge a senha dos fatores que considerava cruciais para a ascensão do italiano: a serenidade e o trabalho sério.
– Estamos todos surpresos. Acho que a primeira temporada foi como esperado. Houve grandes momentos em que seu talento brilhou e houve momentos muito difíceis. O longo período de falta de resultados no meio da temporada foi como esperado e, depois do inverno, também como esperado. Ele conhecia o ambiente, conhecia as pressões. Ele conhecia as exigências da equipe no lado técnico, no lado de marketing. Foi conhecendo as pistas em que iríamos correr. Mas o que não era esperado era a serenidade e a estrutura que ele trouxe para o seu trabalho. Com Kimi, independentemente de a temporada ter sido boa ou ruim, você não via diferença nas emoções.
Trajetória de Kimi Antonelli até ser campeão da F1 2026 — Foto: Infoesporte
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