Blue Origin investe para expandir lançamentos na Flórida
Há duas semanas, comentamos neste espaço como a SpaceX estava deixando clientes e até mesmo a Nasa à beira da estrada com a decisão de aposentar, o quanto antes, a linha de foguetes Falcon, em favor do novo Starship. Assim como a natureza, a concorrência também abomina o vácuo. Na última sexta-feira (16), a empresa Blue Origin anunciou uma expansão radical de sua infraestrutura na Flórida para comportar mais de cem lançamentos por ano.
Além da plataforma 36A, que foi danificada com a explosão de um foguete New Glenn durante as preparações para um lançamento, em 28 de maio, a companhia de Jeff Bezos pretende também habilitar a vizinha 36B, localizada logo ao lado, na Estação da Força Espacial em Cabo Canaveral. Mais adiante, o plano é construir outras duas, em sítios próximos na chamada Costa Espacial americana.
O investimento corresponde a US$ 330 milhões, que se somam aos US$ 3 bilhões já gastos pela empresa para montar sua infraestrutura na Flórida, que deve incluir a capacidade para construir e integrar veículos, recauchutá-los, reabastecê-los e lançá-los, de forma a concentrar as operações ao máximo e com isso agilizar os voos.
O New Glenn é um concorrente crível dos foguetes da SpaceX. Sua versão atual, com sete motores no primeiro estágio e dois no segundo, consegue transportar até 45 toneladas à órbita terrestre baixa, o que o coloca entre os foguetes Falcon 9 (22,8 t) e Falcon Heavy (63,8 t) em termos de capacidade. A nova versão atualmente em desenvolvimento, chamada de 9x4 (nove motores no primeiro estágio, quatro no segundo), poderá transportar cerca de 70 toneladas, um pouco acima do Falcon Heavy, mas ainda menos que o Starship.
Em tese, atende todo o mercado que a SpaceX parece estar deixando para trás ao focar em lançar Starlinks e data centers no espaço. A questão é: conseguirá o mesmo sucesso operacional da concorrente? Enquanto a SpaceX já lançou centenas de vezes seus foguetes Falcon e demonstrou uma rapidez incrível para executar lançamentos seguidos, a Blue Origin tem em seu histórico dois lançamentos do New Glenn à órbita. No que seria o terceiro, o foguete explodiu.
O lançador deve voltar a voar no ano que vem, assim que houver plataforma pronta para recebê-lo. A companhia já entrou com uma análise de impacto ambiental para aumentar os lançamentos anuais do complexo de lançamento 36 de 12 para 50 por ano. As obras ali devem ser concluídas em meados do ano que vem. A empresa também está investindo em novas balsas oceânicas de pouso para recuperar os primeiros estágios. Além da Jacklyn, haverá mais duas.
Se será possível avançar tão depressa quando deseja a Blue Origin, não se sabe. Mas que ela já se posiciona para ocupar um espaço deixado vago pela SpaceX, que não aceitará novos contratos para o Falcon 9 após 2028, está mais que claro.
As duas concorrem também pela missão Artemis 4, que pretende realizar a primeira alunissagem lunar tripulada do programa da Nasa. Por ora, oficialmente, é o Starship o escalado para a missão. Mas a Blue Origin, com seu módulo Blue Moon, pode ganhar a dianteira, já que seu projeto envolve menos complexidade que o da SpaceX. Difícil será qualquer um dos dois estar pronto para a missão até o fim de 2028, como quer a agência espacial americana.
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