Tendas multiplicaram-se em noite de presença discreta da PSP

Câmara de Lisboa disponibilizou locais alternativos para manifestações, mas reunião terminou sem acordo
Ainda antes de os manifestantes se juntarem no Rossio, a equipa de Carlos Moedas esteve durante a tarde reunida com Renata Cambra, acompanhada de representantes da acampada, e também com os comerciantes da Baixa pombalina. O encontro focado na conciliação do mercado de Natal do Rossio e dos protestos — como exigido na decisão do tribunal na ação interposta por Renata Cambra — terminou sem qualquer acordo.
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Enquanto os manifestantes da acampada sugeriram locais alternativos para a realização do mercado de Natal, a Câmara apresentou alternativas para a continuação dos protestos.
Em comunicado, a autarquia revelou que propôs três localizações alternativas aos manifestantes: o Largo de São Domingos, a Praça do Martim Moniz ou os Restauradores. No entanto, os organizadores do protesto não abdicaram de realizar a acampada no Rossio.
“A Câmara Municipal de Lisboa reconhece a importância das duas iniciativas e considera fundamental encontrar soluções que conciliem os diferentes interesses, respeitando o trabalho e a atividade dos comerciantes e a dinâmica da cidade durante a época natalícia, e também as condições para que os manifestantes mantenham o seu protesto sobre o tema da habitação”, era possível ler no comunicado da Câmara de Lisboa.
Depois da reunião com os representantes da acampada, a equipa de Moedas recebeu também os comerciantes da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina. A associação manifestou “a firme vontade de manter o tradicional Mercado de Natal do Rossio nos moldes habituais”, que ocupa o Rossio na época natalícia há cerca de dez anos.
Após a reunião, a organização da Acampada de Lisboa divulgou um comunicado em que recusou que “os interesses comerciais se sobreponham ao direito à manifestação e à ocupação coletiva do espaço público”.
“A nossa posição foi clara e corresponde à decisão tomada ontem (segunda-feira) em Assembleia Popular. A Acampada não vai sair do Rossio”, disse a organização. “Se e quando decidirmos sair, será por decisão coletiva, nos nossos próprios termos e não por imposição de quem pretende deslocar o nosso protesto”, adiantou a organização. Os porta-vozes do protesto sublinharam ainda que esperavam que a Câmara fizesse “uma tentativa de encontrar soluções que não passassem, mais uma vez, por condicionar o exercício do direito à manifestação”.
A acampada afirmou que foi proposto um local alternativo para o mercado de Natal, destacando que a escolha de outra localização permitiria salvaguardar tanto o direito à manifestação como salvaguardaria os comerciantes.
Horas mais tarde, no Rossio, Renata Cambra explicou aos jornalistas que participou na reunião para transmitir a ideia de que a sua presença não serviria para tomar quaisquer decisões numa hipotética negociação com a autarquia liderada por Carlos Moedas — as decisões, sublinhou, são tomadas pela assembleia popular. Renata Cambra referiu que foi pedido à autarquia para “deslocar, não o protesto, mas o mercado de Natal”. “O tribunal reconhece que o protesto é válido” e, portanto, foi pedido à autarquia que “considerasse então deslocar o mercado” para outro local.
As montagens do mercado de Natal, que Carlos Moedas descreveu como “uma tradição tão bonita” de Lisboa, não aconteceram esta terça-feira, como estava marcado. Por hoje, a única presença natalícia no Rossio era uma pequena árvore de Natal instalada junto a uma tenda.
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