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Saturday, September 26, 2026

Vamos fazer uma reforma política e no Judiciário, diz Lula a empresários em jantar

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta sexta-feira, 25, para uma plateia de 600 empresários, que pretende fazer uma reforma política "de verdade" em um novo mandato e também prometeu uma revisão no Judiciário.

"Em um outro mandato, vamos ter que ter coragem de fazer uma reforma política de verdade. O Congresso não pode tomar o orçamento da União. Não é justo", disse durante jantar organizado pela Esfera Brasil, em parceria com o grupo jurídico Prerrogativas.

Ao falar do Judiciário, Lula disse que ele foi o único presidente que fez uma reforma e disse que não achou que estaria vivo para "ver tamanha sujeira".

"O que está acontecendo nesse país não é bom. Achei que não estaria vivo para ver tamanha sujeira. Esse Vorcaro deveria ser um malandro. Quem ele não corrompeu com dinheiro, corrompeu com orgia", disse.

Durante os quase 40 minutos em que falou sem parar, Lula tentou manter um tom bem-humorado e  mostrar energia ao pedir o voto ao setor produtivo.

"Podem não gostar de mim, não vou casar com vocês, só quero o voto", afirmou em um momento do discurso.

O petista fez brincadeiras com os convidados do jantar e disse que gosta de empresário "desaforado" como Josley Batista, da JBS, por investir em diferentes setores, como de carne e aeroespacial.

Visivelmente cansado, o presidente admitiu que dormiu pouco na última noite, acordou às 6h da manhã para a agenda em Pernambuco e esqueceu o nome de ministros em duas oportunidades, sendo ajudado pela ministra da Casa Civil, Mirim Belcher.

Segundo a organização, o salão, com capacidade para mais de 600 pessoas, estava lotado.

Além de Joesley, também estavam presentes Ivan Monteiro, da Axia; Milton Maluhy Filho, do Itaú, Miguel Matos, Philip Morris Brasil; Carlos Sanchez, da EMS; Rubens Ometto, da Cosan; Isaac Sidney Menezes Ferreira, Febraban; e Antonio Scala, da Enel Brasil.

Além de grandes empresários e lideranças setoriais, o jantar estava repleto de membros da Esplanada dos Ministérios e ex-minostros do governo, como Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet, hoje candidatos na chapa da esquerda em São Paulo.

Antes de Lula, o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, afirmou que o petista é a melhor opção e defendeu os feitos do atual governo. Gustavo Pimenta, da Vale, além do presidente da Secovi-SP, também falaram, com mistura de agradecimentos e pedidos para que o país siga em desenvolvimento.

Em sua exposição, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a defender o esforço do governo Lula nas contas públicas, valorizou o superávit previsto para este ano e disse que a revisão dos benefícios tributários será contínua para o país seguir revisando as contas públicas.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, falou para os empresários escolherem a dupla "Lula com Chuchu no dia 4 de outubro".

Ao falar sobre economia, Lula defendeu a combinação entre responsabilidade fiscal e responsabilidade social e afirmou que o governo precisa manter políticas de inclusão para ampliar o mercado consumidor. Segundo o presidente, a criação de uma sociedade de classe média é um dos objetivos de sua gestão.

“Eu sonho em transformar esse país num país de classe média. Eu não me contento com o salário mínimo de R$ 2 mil ou R$ 3 mil. Esse povo ganha mais”, afirmou Lula aos empresários.

O presidente também pediu que o setor produtivo associe o aumento da renda dos trabalhadores ao crescimento das empresas.

“Vocês, empresários, precisam compreender que o trabalhador ganhando mais vai resultar em vocês ganharem mais”, disse.

Lula afirmou ainda que o país teve dois momentos históricos de inclusão social: o governo de Getúlio Vargas, com a criação do salário mínimo e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e os governos do PT, com políticas sociais e de transferência de renda.

O presidente também criticou o funcionamento atual das agências reguladoras. Segundo Lula, esses órgãos deveriam atuar como instrumentos de regulação, enquanto a definição das políticas públicas deveria permanecer sob responsabilidade do governo eleito.

“As agências vão ter que voltar a ser reguladora e quem define a política pública é o Estado brasileiro. É para isso que nós fomos eleitos”, afirmou.

Lula fala sobre economia e crises internacionais

Durante o discurso, Lula citou momentos de crise econômica enfrentados durante seus governos e afirmou que o Brasil conseguiu preservar o crescimento e o consumo interno.

O presidente mencionou a crise financeira internacional de 2008 e disse que, naquele momento, orientou a população a manter o consumo para evitar uma queda maior da atividade econômica. Segundo ele, naquele período houve expansão do consumo das classes C e D.

Ao falar sobre o cenário atual, Lula citou impactos da alta internacional do petróleo e afirmou que o governo adotou medidas para tentar reduzir efeitos sobre os preços internos de combustíveis.

“Nós temos que definir que país que a gente quer. Um país que seja governado apenas para 35% da população, ou um país que seja governado para 100% da população”, disse o presidente.

No encerramento do discurso, Lula voltou a pedir apoio aos empresários e afirmou que a escolha política do país envolve, segundo ele, a definição entre diferentes projetos de governo: a defesa da democracia e a barbárie, em referência ao senador Flávio Bolsonaro, sem citá-lo.

“Eu não preciso falar mal de ninguém. Vocês sabem quem são os candidatos”, afirmou.

O presidente disse ainda que, para ser presidente, uma pessoa precisa de legado.

Lula sobe o tom contra Trump e diz que Brasil pode aplicar reciprocidade comercial

Ao falar sobre a relação com os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil não deve adotar uma postura de submissão diante das decisões do governo de Donald Trump e disse que pretende manter as negociações abertas, mas com possibilidade de reação caso haja restrições comerciais.

“Eu vou ficar chorando nos Estados Unidos? Vou ficar chorando? Ele tem que tomar cuidado, porque nós vamos aplicar a lei da reciprocidade”, disse.

O petista disse que o governo brasileiro deve continuar negociando com os americanos e citou os ministros envolvidos nas conversas. Segundo ele, a orientação é permanecer na mesa de negociação, mesmo diante de eventuais dificuldades no diálogo.

Ao comentar possíveis encontros com Trump, Lula afirmou que não pretende aceitar uma postura que considere desrespeitosa. O presidente relatou uma situação envolvendo uma reunião internacional e disse que prefere conversas privadas antes de manifestações públicas.

“Quando fui à Casa Branca, ele já foi chamar a imprensa e eu falei: ‘nós nem conversando’. Eu falei: manda a imprensa embora, vamos conversar primeiro”, afirmou Lula. Em seguida, disse que o Brasil precisa manter uma postura de respeito nas relações internacionais.

Em seguida, o presidente fez uma referência ao discurso de força militar adotado por Trump durante a conversa e disse que não pretende transformar a relação entre os países em um confronto.

“Ele toda hora fala para mim: ‘eu tenho o maior exército do mundo, eu tenho o maior navio do mundo’. Eu não quero guerra com você, porra. Eu quero guerra na narrativa”, disse Lula.

O presidente também afirmou que o Brasil deve buscar respeito nas relações internacionais e disse que um país precisa defender seus interesses.

“Ninguém respeita quem não se respeita. Ninguém. No mundo empresarial, entre os trabalhadores de vocês, ninguém. Se você não se respeitar, não espere que te respeitem”, declarou.

Lula critica guerras e fala em liderança internacional

Durante o discurso, Lula também criticou decisões tomadas por grandes potências em conflitos internacionais e afirmou que a falta de liderança mundial aumenta os riscos de crises.

Ao mencionar a atuação dos países com assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula citou Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido e criticou o poder de veto dessas nações.

O presidente fez referência ao conflito envolvendo Irã e afirmou que guerras têm impacto principalmente sobre populações mais pobres. As declarações foram feitas sem apresentar detalhes sobre os episódios citados.

“Uma coisa que falta no mundo de hoje é liderança”, afirmou Lula. “Eu não posso contar para vocês como é uma reunião do G7. Vocês vão ficar com vergonha de ver o comportamento de alguns países”, disse.

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