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Wednesday, September 16, 2026

Os argumentos do governo Trump para acusar Brasil de 'falhar' no combate ao Comando Vermelho e PCC

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    • Author, Mariana Alvim
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published

  • Tempo de leitura: 3 min

A Casa Branca acusou o governo brasileiro de "falhar" no combate às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — que os Estados Unidos classificam como organizações terroristas.

A declaração está contida em um texto assinado pelo presidente Donald Trump, enviado ao Congresso americano e revelado nesta terça-feira (16/9) pelo Departamento de Estado.

"Enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil tem falhado em enfrentar as designadas organizações terroristas estrangeiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o país em um ponto central para o fluxo global de cocaína", diz texto.

Os EUA afirmam que as facções brasileiras são uma "ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo".

"O governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que elas se espalhem e cresçam".

A BBC News Brasil entrou em contato com o governo brasileiro para comentar a questão. Esta reportagem será atualizada quando houver uma resposta.

Foi uma derrota do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na relação com os EUA, já que a gestão petista era contra a designação, por considerar que ela é um risco para a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo.

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Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL), principal oponente de Lula na disputa pela presidência, defendia publicamente a medida há mais de um ano — afirmando que a cooperação internacional vai favorecer o combate às facções e à violência vivida pela população.

Os EUA oficializaram a designação no início de junho, mas o anúncio de que o PCC e o Comando Vermelho seriam classificados como terroristas veio em maio, um dia depois de Flávio encerrar uma viagem para os EUA durante a qual encontrou Trump, a quem é alinhado ideologicamente.

A manifestação do governo Trump faz parte de um documento que a Casa Branca precisa enviar anualmente ao Congresso, identificando os "principais países de rotas de drogas ou principais países produtores de drogas ilícitas".

Esse ano, os países listados foram Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá e Peru.

Esse documento ajuda a orientar a política externa para segurança dos EUA e o envio de verbas para o combate ao narcotráfico.

No texto, o presidente faz comentários sobre a política de segurança de outros países — e foi aí que o Brasil apareceu, mesmo não tendo sido listado.

De acordo com Trump, a presença de um país na lista "não reflete necessariamente os atuais esforços de seu governo no combate às drogas ou a sua coordenação com os Estados Unidos".

O comunicado elogia, por exemplo, governos de aliados de Trump que no entanto constam na lista.

"Saúdo três dos maiores aliados dos Estados Unidos em nosso hemisfério — Argentina, Equador e El Salvador — por sua liderança, determinação e sucesso no combate ao narcoterrorismo", diz o texto.

O governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela também é elogiado. Ela assumiu o poder no início de janeiro após os EUA capturarem Nicolás Maduro.

Segundo Trump, "graças à prisão e a retirada" de Maduro pelos EUA. "já estamos observando os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país no combate aos cartéis, incluindo a eliminação de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua".

No documento anual, a Casa Branca também lista os países que "comprovadamente falharam, ao longo dos últimos 12 meses, em fazer esforços substanciais para cumprir suas obrigações decorrentes de acordos internacionais de combate aos narcóticos e em adotar as medidas de combate aos narcóticos".

Neste ano, os EUA incluíram nesta lista Afeganistão, Bolívia, Colômbia e Mianmar — e decidiram retirar a Venezuela.

"Diante dos avanços positivos alcançados sob a gestão da presidente interina Delcy Rodríguez, determinei que a Venezuela não deve mais ser classificada como um país que comprovadamente falhou em cumprir seus compromissos de controle de drogas", escreveu Trump.

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