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Wednesday, September 16, 2026

Há 15 mil anos os caçadores adaptavam-se a ciclos de animais

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Os restos de cabra-montesa encontrados na gruta de Chaves, em Bastarás (Huesca), permitiram determinar que os grupos de caçadores-recoletores que ocuparam este local há cerca de 15 mil anos adaptavam as suas estratégias de caça aos ciclos anuais dos animais.

O estudo, publicado na revista científica International Journal of Osteoarchaeology, foi realizado por investigadores dos Institutos Universitários de Investigação em Ciências Ambientais (IUCA) e em Património e Humanidades (IPH) da Universidade de Saragoça, em Espanha, em colaboração com cientistas da Universidade de Pisa e do Museu Nacional de História Natural de França.

A investigação, divulgada pela Universidade de Saragoça, centrou-se nos restos de cabra-montesa recuperados no nível de ocupação do Magdalenense, uma das últimas etapas do Paleolítico Superior, escavado nas décadas de 1980 e 1990 por Pilar Utrilla.

O investigador do IPH e coordenador dos trabalhos em Chaves, Rafael Domingo, explicou que a gruta “continua a fornecer informação de primeira linha”, como o facto de, há pouco mais de 15 mil anos, um grupo de caçadores se ter instalado recorrentemente no local e abater cabras-montesas devido à proximidade com as zonas rochosas da Serra de Guara.

Os resultados indicam que a caça não ocorria devido a encontros fortuitos com os animais, mas sim de forma recorrente em momentos específicos do seu ciclo anual.

Para chegar a estas conclusões, a equipa combinou a análise da idade dos animais com o estudo dos isótopos preservados no esmalte dentário.

Segundo Alejandro Sierra, investigador da Universidade de Pisa e responsável pelo estudo do esmalte dentário, os dentes funcionam como “uma espécie de arquivo natural”, uma vez que, durante a sua formação, registam informações relacionadas com o ambiente e a alimentação.

Estes sinais permitiram identificar a sazonalidade, os padrões de reprodução e as possíveis deslocações dos rebanhos.

Os dados mostram uma reprodução claramente sazonal, com nascimentos concentrados em determinados períodos do ano, e indicam movimentos regulares das cabras entre diferentes áreas da Serra de Guara, provavelmente relacionados com a disponibilidade de recursos em cada estação.

Sierra salientou que os sinais preservados nos dentes são compatíveis com episódios recorrentes de caça ligados a estes momentos do ciclo anual.

O estudo analisou ainda a posição da gruta de Chaves na paisagem e concluiu que a sua localização facilitava a ligação entre diferentes setores da serra e oferecia um ambiente adequado para observar e tirar partido dos movimentos dos animais.

A investigação descreveu assim comunidades que possuíam um conhecimento detalhado da montanha e uma estratégia flexível para aproveitar os seus recursos.

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