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Monday, October 5, 2026

Ser mãe: o maior ato de empoderamento feminino

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Talvez esta seja a maior mentira que a sociedade nos impõe sobre a maternidade: que quando uma mulher se torna mãe, a sua vida acaba. Ora, como mulher que foi mãe recentemente, devo confessar que nunca me senti tão empoderada, ainda que a mentalidade atual me queira fazer sentir o contrário.

O feminismo lutou para que as mulheres pudessem entrar no mercado de trabalho, julgo que a próxima luta deva ser para que possam escolher dedicar-se aos filhos sem serem vistas como menos inteligentes, ambiciosas ou realizadas.

Acreditamos, e bem, que as mulheres devem ser autónomas e livres de escolha. Mas, a verdade é que quando fazem a escolha cada vez mais julgada como obsoleta, se vêm forçadas a explicar constantemente o seu motivo e, pasme-se ainda, que é a sua própria vontade e não a do marido.

Parece que, na prática, estas pessoas que mais defendem o empoderamento feminino, são as mesmas que rebaixam as mulheres por seguirem caminhos digamos, mais tradicionais, já que nenhuma sociedade alguma vez sobreviveu sem mães. Será que, ao libertarem as mulheres da obrigação de serem donas de casa, acabaram por emitir uma nova obrigação: a de terem de provar o seu valor através da carreira?

Perguntam-me muitas vezes: “O que faz? Ah! É Nutricionista! E está em casa? E agora, já não vai dar mais consultas?”.  Sinto que estas e outras reações vêm na minha escolha, de priorizar a vida familiar e o crescimento do meu filho, um desperdício de talento, como se uma mulher que abranda a sua carreira estivesse inevitavelmente a desistir de si própria! E, julgo que isto revela muito mais sobre a forma negativa como é vista a maternidade nos dias que correm, do que sobre a minha escolha de vida.

A maternidade não deve ser motivo para que uma mulher se sinta rebaixada, pelo contrário, é elevada! É através da sua dedicação, paciente e amorosa, na formação de um ou mais seres humanos, que se constrói o futuro de um país, respetivos líderes e as mais diversas profissões. Até porque, ser mãe a tempo inteiro, é em si um exercício virtuoso de várias profissões: é ser CEO do próprio lar, diplomata, educadora, enfermeira, cozinheira, psicóloga, motorista, artista, entre muitas outras. Assim, este contínuo malabarismo permite-lhe desenvolver muitas das soft-skills mais valorizadas pelas grandes empresas, ainda que não traduzíveis num recibo de vencimento.

Tenho a perceção que atualmente, para o mundo, uma mulher só tem valor à medida que cresce na sua carreira profissional. Uma mãe que fica em casa e trata da sua limpeza, organização e decoração, não tem grande valor. Ainda assim, há quem esteja disponível para remunerar uma empregada para fazer exatamente o mesmo trabalho. Uma mãe que fique em casa a trocar fraldas e limpar bolsados, não tem grande valor, mas há quem pague e suplique por uma vaga na creche.

Conseguimos imaginar a sobrecarga que uma mãe sente e, questionar, por que motivo, quando decide pausar ou abrandar a sua carreira, deve sentir pressão social para conciliar esta com a maternidade, submetendo-se por vezes a um nível de exaustão que acaba por prejudicar além de si mesma, a própria família. Pois bem, por tudo isto, atrevo-me a dizer que, atingi um alto posto na carreira de nutricionista: estou a nutrir um ser humano, na fase mais determinante do seu crescimento, aplicando tudo o que sei sobre introdução alimentar, estabelecendo bons hábitos para que desenvolva uma relação saudável com a comida, muito além de uma mera necessidade fisiológica.

Dizem-me ainda que fico limitada a nível financeiro. Ora bem, o casal é uma equipa! O meu marido traz sim a subsistência para a família e, para mim, isso é ótimo, nunca um chefe me diria para ficar em casa e gerir o meu dia e tarefas como bem entendo, dando-me a possibilidade de ser criativa e ter os meus próprios projetos.

Com tudo isto, não quero dizer que as mulheres não se possam sentir realizadas, enquanto pessoas, com a vida profissional, ou que haja algo de errado com isso, até porque julgo que a formação académica só tem a acrescentar. Acredito sim, que existem vários caminhos para a realização feminina: algumas mulheres sentir-se-ão realizadas na investigação, na medicina ou sendo empreendedoras; enquanto outras encontrarão essa realização, ao assumir em pleno e a tempo inteiro, o ser mães; e, outras ainda, procurarão conciliar ambos os mundos.

O verdadeiro empoderamento das mulheres nunca foi obrigar todas a fazer a mesma escolha, mas sim permitir que cada uma pudesse fazer a sua!

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