Após cinco cortes seguidos, Banco Central mantém taxa de juros em 13,75% ao ano

Depois de cinco cortes seguidos, o Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve, nesta quarta-feira (4), a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano.
Foi a primeira decisão sobre os juros depois da reeleição do presidente Lula. Com os diretores do Banco Central reunidos, o mercado financeiro teve um dia positivo com a vitória dos Democratas nos Estados Unidos, que levou as bolsas americanas a subir. Depois de seis quedas seguidas, o Ibovespa fechou em alta de 1,2% e o dólar caiu. Mas, em menos de duas semanas, a moeda americana saiu de R$ 4,99 para R$ 5,45. E as expectativas de inflação pioraram.
A taxa básica de juros, referência para novos investimentos, empréstimos e negócios, vinha de uma sequência de cinco cortes. O ciclo de queda foi interrompido com a Selic a 13,75% ao ano. Na avaliação do economista Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, faltou espaço para um novo corte na Selic:
"É preciso lembrar que o governo tem o poder de mudar essa tendência dos juros se decidir fazer uma mexida importante na política fiscal. Se o governo conseguir conter a taxa de crescimento da despesa pública e reduzir as renúncias, os benefícios tributários, os penduricalhos, toda sorte de benesses que existem hoje no Orçamento, isso ajudaria muito o Banco Central, no médio prazo, a poder convergir para um equilíbrio com juros menores".
Após cinco cortes seguidos, Banco Central mantém taxa de juros em 13,75% ao ano — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O comunicado do Banco Central aponta com preocupação para o cenário internacional, com os conflitos no Oriente Médio e o encarecimento do petróleo. Cita também a alta recente do dólar e das expectativas de inflação e destaca as incertezas sobre as contas públicas. A autoridade monetária diz que vai seguir acompanhando como a política fiscal impacta a economia. O economista Marcos Lisboa, sócio da Gibraltar Consulting, diz que o governo precisa enfrentar a escalada da dívida pública:
"A dívida pública cresceu 10 pontos do PIB, é um número eh bastante preocupante. E o Banco Central faz o que tem que fazer para manter a inflação controlada. A gente tem o número recorde de recuperações judiciais de empresas. A gente tem as empresas de varejo em dificuldade, empresas do sistema financeiro em dificuldade. O agronegócio tem grandes empresas com muitos problemas. Se o governo não tomar decisões rapidamente, a crise pode ser grande".
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