Fernando Fernandes fala sobre o despertar após acidente em 2009: 'Estou no hospital sem mexer as pernas'

Fernando Fernandes tinha uma rotina intensa de treinos e compromissos esportivos quando sofreu o acidente que mudaria sua vida. Em 4 de julho de 2009, o atleta bateu o carro em São Paulo e sofreu uma lesão medular na coluna, que o deixou paraplégico. Ao despertar no hospital, ainda sem entender completamente o que havia acontecido, ele notou que não conseguia movimentar as pernas.
"Quando eu acordei, estava dentro do hospital. Quando vi aquele negócio todo branco, não tinha muita consciência de onde estava. Comecei a passar a mão no meu rosto, não tinha nada. Passei no meu tronco, nos braços, não tinha nada. Quando eu fui dar o comando para a perna subir para eu olhar, a perna não veio. Tentei a segunda vez, a perna não veio. Quando tentei a terceira vez, a perna não veio. Eu falei: ‘Ferrou, estou no hospital, sem mexer minhas pernas’", lembrou ele em entrevista ao podcast Isso Não É Um Talk Show.
"Passei por aquele processo de cirurgia achando que a perna ia voltar muito rápido. Quando caiu a ficha de que o processo ia ser lento, aí, cara, eu tive que entrar em uma reprogramação total", contou.
Fernando contou que o acidente aconteceu em meio a um período de conflitos pessoais. Antes da colisão, ele disse que carregava um peso relacionado à vida que levava e à fama que havia conquistado. Apesar da carreira na moda, o desejo era viver do esporte.
"Eu estava em uma confusão pessoal antes do acidente, em que eu estava com um peso muito grande na minha vida. O negócio da fama, tudo que eu vivia antes do acidente, indo fazer o que eu não queria da minha vida… Eu queria viver do esporte. Só que esse negócio da moda, da fama, foi tomando uma proporção que você não consegue voltar atrás para recomeçar em algo", afirmou.
Foi no hospital, diante de uma realidade completamente diferente daquela que conhecia, que Fernando afirmou ter encontrado uma sensação inesperada de paz. "Parece que, quando eu sofri o acidente ali dentro do hospital, por incrível que pareça, eu entrei em uma paz absoluta. Falei: 'Agora é a hora de eu me fechar no meu mundo, não deixar ninguém de fora trazer nenhuma energia, interferir, e agora eu preciso me reconectar'", recordou.
Fernando contou que fez um pedido à mãe durante a internação. Queria que o ambiente fosse de força, e não de lamúria. "Eu falei: 'Mãe, não deixa ninguém entrar nesse quarto se estiver chorando ou com carinha de lamentação, porque daqui para frente quem vai tomar a rédea aqui do negócio sou eu'", afirmou.
O período no hospital, que durou cerca de um mês, acabou se tornando também um momento de reconstrução interna. A partir dali, Fernando disse que começou a procurar novas possibilidades para o próprio corpo e para a própria vida.
"Passei esse um mês no hospital em uma paz absoluta. Parece que tirei um peso das costas. E aí fui tentando encontrar caminhos. Falei: 'Como é que eu recomeço? Como é que eu encontro movimento de novo?'. Porque foi o que você falou: 'perdeu o movimento das pernas, e agora? Como é que você encontra movimento de novo?'", lembrou.
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