Novos partidos de esquerda serão a queda da direita no país?

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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Paulo, então precisamos de mais partidos à esquerda?
Se há quem os queira criar, basicamente eles que apareçam. E é isso mesmo que está a acontecer. Nas últimas semanas foram anunciados mais dois partidos à esquerda, que provavelmente vão aparecer nos próximos boletins de voto. Vamos lá ver quando é que são as eleições. Um é o Vamos!, democracia solidária, e é uma espécie de geringonça sob a forma de partido. A geringonça já dentro do partido, se quisermos. É feito por pessoas que saíram do PS, do Bloco de Esquerda e do Livre. Portanto, tem aqui várias origens partidárias. E o outro resulta de uma briga dentro do MAS, do Movimento Alternativa Socialista, de Renata Câmara, ela própria já encabeçou candidaturas eleitorais. Renata Câmara e alguns camaradas chatearam-se, criaram o TU, que é o Trabalhadores Unidos.
Portanto, Vamos! e TU.
Vamos! e TU. Não sei se o TU vai funcionar como tu, não sei se vai ser tucatu lá, se vai ser só Trabalhadores Unidos, vamos ver. E este foi recentemente registrado. Portanto, pode haver espaço à esquerda para aproveitar, de facto, a queda eleitoral do Bloco de Esquerda e do PCP, que se tem verificado nas últimas eleições. Mas, por outro lado, a fragmentação partidária pode dificultar também a eleição de deputados à esquerda, porque o nosso sistema eleitoral beneficia, como sabemos, a concentração de votos na mesma candidatura, no mesmo partido. Portanto, tudo isto misturado, prognósticos só no fim do jogo.
Já que falamos em jogo, Lula. Lula pôs um travão ao jogo?
Pôs, Maria João, e não foi um travão daqueles que fazem os carros desacelerar devagarinho. Puxou o travão de mão e é capaz de ter feito ali um pião, não sei.
E fumo até saiu.
Eu acho que o fumo vai chegar a muitos outros países, porque a nove dias das eleições presidenciais no Brasil, o atual presidente, Lula da Silva, assinou uma medida provisória que proíbe as chamadas bets, as apostas desportivas nas plataformas e os casinos online também. A medida entrou imediatamente em vigor e também proíbe a publicidade a estas plataformas, o que vai afetar bastante os clubes de futebol, que hoje dependem em grande parte da publicidade destas empresas, e não só no Brasil, na Premier League, em Portugal. Imaginem se isso acontecesse em Portugal, as consequências seriam praticamente as mesmas. O governo brasileiro justifica a decisão com o endividamento das famílias e os problemas associados à dependência do jogo. E aqui a questão que se põe é saber se a nove dias das eleições, e com os dois principais candidatos, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, em empate técnico, esta não será também uma tentativa do presidente de cativar o eleitorado. E daqui a nove dias já vamos saber se o próprio Lula ganhou a aposta.
A bet. Ganhou a bet. Mário Centeno anda mesmo por aí, Paulo?
Anda por aí, e anda por aí cada vez mais. Pode dizer-se que está mesmo instalado no espaço público com intervenções constantes. E nesse sentido podemos até dizer que Mário Centeno é o reformado mais ocupado do país. Ele não para, portanto tem tido aqui muito trabalho.
Será que também vai ver as obras? Cinco anos atrás das costas.
Acho que vai meter as mãos atrás. Provável. Eu acho que ele não tem tido tempo para isso. Para essas intervenções todas. Por quê? Olhem, é o espaço semanal na CNN e preparar aquilo dá trabalho, porque ele leva ali muitos dados, muitos gráficos e portanto, não é só um estalar de dedos. É o livro das suas memórias recentes, enquanto foi ministro das Finanças, que já está lançado também. São entrevistas sucessivas, sempre a comentar a atualidade política, sem aquela coisa habitual, às vezes, das pessoas que estão fora da política. "Não vou comentar aqui casos concretos, atualidade política." Não, ele comenta sem reservas e vai distribuindo críticas, quer ao governo, quer mesmo à oposição. As propostas, por exemplo, para os combustíveis, têm sido criticadas por ele. Concorde-se ou não com o conteúdo, Centeno faz bem. Ele está para ir para as curvas, se quer intervir, força em mais um. Deste ainda vem aí mais um partido.
Exato. Bruno, e a solução contra a crise da habitação é acampar?
Em Madrid, foi essa a forma de protesto encontrada por centenas de pessoas, a que se juntaram depois outros milhares de pessoas em protesto, e que foi um protesto desencadeado pelo despejo de uma senhora de 87 anos que vivia há 70 anos na mesma casa. Mari Carmen Abascal pagava € 500 de renda. Depois do apartamento ter passado para as mãos de um fundo de investimento, a renda aumentou para € 1.650, que é um valor superior à pensão que esta senhora recebe. E houve pessoas que se ofereceram até para pagar a renda. O fundo recusou o acordo e um tribunal acabou mesmo por determinar o despejo. Ora, os manifestantes exigem que o governo de Pedro Sánchez tome medidas que dificultem a não renovação dos contratos por parte dos senhorios e propõem que, em certos casos, os fundos de investimento paguem uma indenização aos inquilinos. O certo é que, independentemente das soluções, a crise da habitação em Espanha e noutros países está mesmo, parece, a aproximar-se de um ponto de rutura.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
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