Sobre feromonemaxxing e um desafio para casais
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Olá, muito bom dia. Como estão? Sejam bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal", comigo, Guilherme Fonseca, e com quem? Com quem?
Com quem?
Com quem? Com quem?
Com quem? Com quem?
Com quem? Com quem? Com quem? Com Rita da Nova.
Olá, bom dia.
A minha esposa, a minha mulher.
Como é que estamos?
A minha mais que tudo.
Já sabia que ias ter isso.
A pessoa que muito em breve se vai transformar numa tóxicoindependente.
Tóxicoindependente.
E vai-se começar a injetar toda.
Não é com Mounjaro.
Não é com Ozempic.
Não é com Ozempic, é com uma medicação pra psoríase.
Exatamente.
É verdade.
Mas essas injeções, explica a um leigo como eu, que nunca se injetou, sempre foi injetado. Qual é a diferença entre uma injeção e a outra?
Não sei.
O Mounjaro e essa. Não é a mesma coisa. Imagina que se enganam e que te dão uma de Mounjaro.
Não dão, porque eu é que vou levar a medicação.
És tu que levas pra te darem?
Isto vai acontecer o seguinte: em outubro, essa semana que os ouvintes estão a ouvir este episódio, eu vou levantar gratuitamente a minha medicação.
Porque Serviço Nacional de Saúde.
Ao Serviço Nacional de Saúde, ao Hospital Santa Maria. Vou lá buscar as minhas primeiras injeções.
Ok.
Vou guardá-las no nosso frigorífico, portanto, não tem enganos.
O nosso frigorífico vai ser ovos, iogurte, injeções.
Também já tem coisas de skincare lá dentro, portanto, qualquer dia é mais meu do que de comida.
Qualquer dia o frigorífico já não tem nada de comer.
Não tem.
Tem skincare e injeções.
Pronto. Vou guardá-las no nosso frigorífico.
Ok.
Quando voltarmos de um certo sítio, não vou dizer já.
Não, não vale a pena, não estamos a falar disso.
Quando voltarmos de um certo sítio.
Mandaram-nos pra um certo sítio.
Mandaram-nos pra um certo sítio e nós finalmente aceitamos e vamos. Já tenho marcado uma sessão com a enfermagem para me explicarem como é que eu me injeto.
Como é que tu te injetas. Por que não vais só debaixo de uma ponte falar com um senhor pra ele te explicar como é que tu te injetas?
Também pode ser.
Por que tens que marcar com uma enfermeira e não marcas só com o Zé Molas?
Zé Molas é grande nome. Do drogado.
O Zé Molas. E ele explica como é que tu te injetas.
Explica porque é que ele se chama Zé Molas.
Eu consigo te contar a história do Zé Molas.
Muito rapidamente.
Muito rapidamente, isto é muito simples. O Zé Molas sempre teve uma vida familiar bastante complicada. O pai tinha vindo da guerra na Guiné e sempre bateu na mãe.
Claro. E era do Benfica.
Ele não ligava muito a futebol. Ele veio da guerra, tinha PTSD. E ele sempre se deu muito bem com o filho, nunca tinha levantado uma mão ao filho, mas houve um dia em que foi longe demais por causa do álcool e das drogas e bateu no filho.
O pai também já dava nas drogas.
O pai já dava nas drogas, porque pra aguentar a guerra era preciso.
Claro.
A vida familiar foi bastante complicada. Ele começou a fazer trabalho atrás de trabalho, muito cedo saiu de casa. A mãe fugiu com ele, mas a própria mãe também se apaixonou e o abandonou. Ele começou a fazer trabalhos e como vivia na rua, dava-se com más companhias e ele próprio começou a dar na droga. Houve uma altura em que ele tentou dar a volta à vida dele, mas não conseguiu. Acabou por voltar a dar na droga. Teve algumas namoradas, mas eram sempre pessoas da rua, portanto, também estavam nas drogas. E o Zé Molas agora mora debaixo de uma ponte.
Mas o que eu queria saber é porque que ele chamam Zé Molas.
Eu consigo te explicar. Queres uma versão carinhosa ou uma versão engraçada?
Quero uma versão engraçada, como é óbvio.
Queres a engraçada? Ok. É porque o Zé Molas roubava roupa da corda das pessoas pra ter o que vestir.
E guardava as molas.
E agora queres a versão emocional?
Quero.
O Zé Molas quando fugiu com a mãe de casa, guardou uma mola de cabelo da mãe.
Pois, não, essa não tem graça.
Pra nunca se esquecer da mãe. Eu disse que não tinha graça, eu disse que era emocional. Eu dou dois tipos de histórias. Eu, como escritor, eu como criativo, eu dou dois caminhos. Tu queres o engraçado.
Claro, eu quero sempre o engraçado e o mais parvo.
Ou queres o emocional. E tens aqui dois lados.
Muito bem, agora que já conhecem a história do Zé Molas.
É o Zé Molas.
Que é o senhor que me vai ensinar.
Que dá na droga, mora na rua e vai explicar à Rita como é que ela se injeta.
Pronto, vou me injetar, vou me passar a injetar. O mais giro.
Que viagem agora, ou não?
Isto de repente parecia um podcast do Durão.
Ou do Observador, a contar a história. O Zé Molas nasceu em... temos que chamar o... como é que se chama o quarta-feira?
O quarta-feira é o...
Alban Jonoli. O PP Raposo, era o que eu queria dizer.
Ok.
O Zé Molas nasceu a 7 de outubro.
Vou me injetar, é isso que precisam de saber.
Exatamente.
Foi assim que o meu marido escolheu apresentar.
Tu vieste me dizer: "Vou buscar as minhas injeções, vou me começar a injetar".
Vou me começar a injetar toda.
Pronto, moro com uma drogada.
Pronto, estás bem? Tiveste uma boa semana?
Tive uma boa semana de regresso ao trabalho. Da última vez que gravamos, eu ainda não tinha feito o primeiro programa. Fiz o primeiro programa, voltamos. Como vamos pra um certo sítio, estamos numa jáfama.
Jáfama?
Jáfama, porque eu sou de Bigeu. E aquelas pessoas que metem Jotas no meio das palavras, os olhos. Percebeste essas pessoas?
É um tipo de pronúncia e acho mal estares a apontar.
Mas eu acho graça, porque são pessoas que têm uma letra a mais pra dar.
Sim.
Têm imensos Jotas. Nós temos uma quantidade normal.
Estão a jogar Scrabble e têm Jotas a mais. Acontece muito.
Imenso, porque o Jota depois não sabes onde pôr. E estas pessoas que têm a mesma quantidade que nós de letras, mas depois receberam mais um saquinho só de Jotas. E então estão a falar e é os olhos
Eu acho querido.
Eu também acho. Estamos numa azáfama para despachar e preparar coisas. Acho que temos episódios engraçados planeados no futuro, com bons convidados e boas conversas. Fiquem para ver, porque nós aqui criamos conteúdo. Acho que é isto. Não tenho nada da minha semana que seja digno de nota para aqui.
A única coisa que eu tenho digna de nota para aqui é que eu consegui finalmente pôr os vinis na parede.
É verdade.
Semana passada estava a olhar para ti e atrás de ti estava um cenário de destruição e guerra.
Porque tinha caído tudo.
Tinha caído tudo.
Tudo caiu, tudo se partiu.
Mas eu não desisto. Então eu fui comprar uma cola de metais. Para colar as fitinhas, que colam, por sua vez, os vinis à parede. Para colar as fitinhas ao metal, para colar o metal das fitinhas à parede.
Eu vou vos dizer uma coisa. Eu não sei como é que este podcast não é patrocinado pelo Leroy Merlin.
Não é, porque nós nos chateamos com eles há uns tempos.
Não sei como é que este podcast não é patrocinado pelo Bricomarché, ou pela Maxmat. Não sei, um desses, digam um. Não sei como é que não é possível, porque tu nos últimos tempos não tens feito mais nada a não ser colar coisas na parede.
Tenho escrito muito, estás a ser injusto.
Muito bem. Como é que estamos de avanço no outro dia? Por acaso, ponderei dizer isso na tua apresentação.
Podes dizer agora, não tem mal.
Mas acho que posso dizer agora como tema. Dei-te um pontapé, peço desculpa.
Podes dizer.
Mas às vezes também mereces. Tu no outro dia vieste ter comigo aos saltinhos e disseste-me: "Desbloqueei uma coisa no meu livro."
É verdade, porque eu desta vez planeei menos de antemão.
Estamos no improviso. Dá uma letra, estás César Mourão?
Espero não estar César Mourão, porque senão este livro nunca mais sai.
Porque as personagens iam se cortar todas do livro.
Exatamente.
Diziam: "Não, eu não quero fazer parte deste livro".
Eu sei o que é que quero contar e tinha uma série de ideias, porque eu queria que estivessem no livro, mas não tinha, como tenho tido nos outros, uma estrutura mais fixa de começa aqui, acontece isto, etc. De livro para livro, eu estou mais relaxada em relação a isso.
Ok.
Planeio menos. Desta vez comecei só a escrever sem grande planeamento. E também houve uma série de coisas que surgiram que eu não tinha planeado que surgissem, como é normal.
Como é óbvio.
Incluindo uma personagem, que é falada por outras personagens, do nada. E eu na semana passada descobri porque é que esta personagem existe. Porque que ela não é tão importante, porque na realidade não é muito importante.
Qual é a ligação?
Por que ela está aqui neste livro? Porque eu acredito que as personagens têm de ter todas um objetivo.
Um propósito.
Senão não faz grande sentido estares a apresentar uma personagem aos leitores.
Pois claro.
E esta personagem tem aqui um significado e é ela que vai desbloquear algumas coisas na história.
Muito bem. Olha, eu estou muito contente.
E, portanto...
Mas vieste ter comigo a festejar.
Sim.
E foi divertido.
Foi giro.
Não te vou mentir.
Nós temos um bocadinho de feedback que tivemos episódios passados. Nós temos dois e-mails de feedback a episódios passados. Não sei se os queres ler ou se queres dizer mais alguma coisa.
Não, podemos ler, porque eu acho engraçado é fechar pontas soltas dos episódios passados e nós cagamos muitas vezes no que deixamos para trás. E acho que nós temos de fechar pontas soltas.
Nós temos. Diz.
Mas eu queria só dizer uma coisa. Eu tive uma ideia para fazermos um episódio que precisa das pessoas.
Pois, é verdade.
E portanto, eu acho que era divertido, se as pessoas estiverem para aí viradas, se as pessoas aderirem. Então qual é a minha ideia? A minha ideia é: nós vamos passar mensagens por ti. Tu sempre quiseste dizer alguma coisa a alguém e não tiveste coragem? Ou não tiveste as palavras certas?
Sim, é a "já não te amo", mas também se calhar não é para ti.
Vamos dar esse exemplo. Tu sempre quiseste dizer alguma coisa a alguém e não tiveste coragem, não tiveste as palavras certas, nunca tiveste a oportunidade. Eu e a Rita vamos fazer isso por ti. Imagina que tu queres dizer a um colega de trabalho que ele mastiga muito alto bolachas Maria. Ou queres dizer a uma namorada que perdeste qualquer coisa dela, mas nunca encontraste as palavras certas. Tu queres passar uma mensagem à tua irmã que usaste uma peça de roupa dela numa festa que ela te emprestou e estragaste, e agora não tens coragem para lhe dizer. Ou qualquer coisa, queres passar uma comunicação, "não vou poder ir ao teu casamento", a um melhor amigo. Queres passar uma mensagem a alguém e nunca tiveste a oportunidade ou as palavras, eu e a Rita vamos fazer isso por ti. Nós vamos ser a tua boca, nós vamos ser a tua voz, nós vamos fazer comunicações por ti. E eu acho que isso é engraçado, pode ser engraçado.
E depois a única coisa que tens de fazer é enviar o episódio à pessoa e dizer: "Olha, ali ao minuto não sei quê, é uma mensagem para ti."
"Há uma coisa que eu nunca te consegui dizer", o Guilherme e a Rita dizem por ti. Como é que isto vai funcionar? Mandem um e-mail para nós, para terapiadecasalpodcast@gmail.com, e eu preciso de coisas muito simples e depois eu e a Rita preparamos a passagem da mensagem. Passagem da mensagem.
Passagem da mensagem.
O que nós precisamos? A quem queres dizer, primeiro nome.
Ou se não quiseres identificar, depois.
Miguel, Tiago, Rita. Se quiserem pôr mesmo uma alcunha, Chuchu, Cacá, Zé Molas. Podem pôr o nome específico da pessoa. O que queres dizer e por quê.
Exatamente.
Que é para nós passarmos a mensagem. É só quem, o quê, por quê.
É o colete.
E eu e a Rita passamos a mensagem por vocês, porque nós às vezes não temos coragem ou as palavras certas para dizer às pessoas aquilo que nós precisamos dizer.
E um terceiro vem fazer o trabalho por nós.
E nós somos uma espécie de arauto, de comunicador, de janela de comunicação. Há muita gente que vai ao ChatGPT pedir: "Olha, escreve-me aqui um e-mail".
Isso.
Não é preciso ChatGPT.
Não gastem água.
Nós somos os vossos ChatosGPT. Nós passamos a mensagem por vocês. Nós escrevemos a mensagem por vocês. E eu tive esta ideia, acho que pode ser giro para fazermos um episódio de comunicação de mensagens.
Mas precisamos de vocês
terapiadecasalpodcast@gmail.com. Mandam para lá. Eu só preciso destas três coisas: o nome, o que é que querem comunicar e porquê. Está feito.
Ora bem, está feito.
Tive esta ideia, acho que isto pode ser engraçado.
Muito bem. Vamos então agora ler dois e-mails que são respostas a coisas que nós falámos em episódios já desta temporada.
Sim, senhor.
O primeiro chama-se episódio 332: Vou ser pai. Podes passar-me aí no teu telemóvel para eu não estar de labecos a ler no meu computador?
Posso, sim, senhor.
Muito obrigada.
Lê aí do que é que nós falámos.
Exatamente. "Olá, Guilherme e Rita. Nós não somos propriamente pessoas de escrever para podcasts."
Muito bem.
Aliás, ouvimos-
Há sempre uma primeira vez.
Aliás, ouvimos o "Terapia de Casal" há muitos anos e fazemos aquilo que provavelmente muita gente faz. Pomos o podcast a tocar nas nossas viagens de fim de semana para a terrinha e vamos ouvindo, comentando e, claro, rindo pelo caminho."
Olá, boa viagem para a terrinha neste momento.
"Desta vez não conseguimos mesmo deixar passar. O episódio 332, sobre não termos intimidade e furar paredes-"
Ou seja, há dois episódios.
Exatamente. "Acertou demasiado perto de casa. A minha namorada, a Diana, está grávida e estamos os dois muito felizes à espera do nosso primeiro filho."
Muitos parabéns.
Muitos parabéns. "E nesta fase eu tenho tentado ser um bocadinho mais flexível com as mudanças que ela quer fazer em casa."
Muito bem.
"Porque a Diana tem uma tendência natural para querer mudar a casa toda de tempos a tempos. Identifico-me. Eu, por outro lado, vou tentando pôr alguma ordem na coisa, até porque a minha veia financeira aparece sempre para lembrar que cada alteração custa dinheiro."
Eu gosto muito da minha veia financeira.
É aquela que vai do coração ao cérebro.
É.
"Agora, há uns dias, a Diana decidiu que queria pendurar um espelho e umas prateleiras."
Muito bem.
"E eu, muito calmamente, disse-lhe que claro que podia fazer isso e até pendurava tudo, mas tinha de ser bem feito e com um berbequim."
Pois claro.
Problema: nós não temos um berbequim. Temos apenas um aparafusador elétrico, que até é bastante potente, mas eu já lhe tinha explicado com toda a convicção que aquilo não dá para meter uma broca de parede e começar a furar como se nada fosse."
Exatamente.
Até dá, depende da parafusadora, mas não vamos entrar por aí. E pronto, estávamos nós a ouvir o episódio até que o Guilherme diz basicamente exatamente aquilo que eu tinha dito à Diana há poucos dias. Olhámo-nos um para o outro e começámos a rir."
Olha, é um exemplo daquilo que nós queremos para o episódio e queremos fazer no futuro. Tu querias comunicar que não dava, precisas de mim e eu fiz a comunicação por ti.
"E não foi aquele rir normal de olha que engraçado, foi mesmo aqueles ataques de riso que já não conseguimos parar. Resultado, passámos o resto da viagem a rir e a comentar o fato de aparentemente existir um universo paralelo onde os homens estão todos a tentar explicar às mulheres que sim, eu faço o furo, mas é preciso um berbequim. Por isso, obrigado pelo episódio 332. Não só nos divertiu, como involuntariamente nos proporcionou uma das melhores coincidências que tivemos a ouvir o podcast. E agora para terminar, caso decidam escolher este e-mail para ler no podcast, queria deixar uma última coisa registada."
Muito bem.
"Gosto muito da minha mulher, a Diana."
Ah!
"Podem dizer o nome sim, a ideia é que se um dia ouvirmos este episódio juntos, ela não esteja à espera e seja uma pequena surpresa para ela. E claro, estamos os dois muito felizes por estar a chegar o nosso primeiro filho. Um grande abraço e continuem com o excelente trabalho." É o Gonçalo, vou dizer que é o Gonçalo, porque não vá haver aí outra Diana que queria furar paredes.
Imagina que há outra Diana, exatamente.
Está grávida e que também vai, pronto.
Olha, muito bonito o Gonçalo ser muito fofinho com a mãe do seu filho, a Diana. Olha, curti.
Foi fofo, não foi?
Está aqui uma boa mensagem.
Exatamente. E agora podes ler, relativamente ao episódio passado, um e-mail que se chama "Homens Comedidos". É de um rapaz a explicar a sua postura em relação ao dating com mais pormenor.
Muito bem. Digo o nome? Porque acho que aqui não é mensagens nem perguntas, vou dizer. O grande Gabriel mandou uma mensagem a dizer assim: "Acabei de ouvir o último episódio e tive mesmo de vos escrever o propósito do e-mail sobre os homens em Portugal serem muito comedidos. Concordo totalmente. Eu sou o oposto deste padrão." Ele salta logo à boca, não é assim?
No e-mail também. Eu sou o oposto, logo.
"Eu sou o oposto desse padrão, mas sei que sou raro. Sou uma pessoa que adora conversar pessoalmente e confesso que não tenho paciência nem tempo para longas trocas de mensagens. Por mim, saltava-se logo a fase do chatting. No entanto, sempre que partilho isto com os meus amigos, eles dizem que eu estou a querer ser demasiado apressado. Para ajudar, sou uma pessoa muito expressiva e física. Se conheço uma rapariga numa festa e sinto que ela está a entrar no jogo, gosto de conversar e manter algum contacto físico enquanto falo. Sou muito sensitivo nesse aspeto, mas os meus amigos estão sempre a dizer, mais uma vez, que não posso entrar assim a pés juntos." Também é possível que o Gabriel seja demasiado...
É too much, não é?
Too much. Também é possível. "Sei que tenho um enorme à vontade para conversar e avançar sem rodeios, mas tenho a noção de que sou dos poucos do meu grupo. Foi um desabafo referente ao último e-mail. Por isso, mulheres de Portugal e Espanha, não sou de muitas misturas. Contactem. Muito obrigado pela vossa entrega semanal neste podcast e que o vosso casamento continue por muitos anos para que o podcast se mantenha."
O Gabriel claramente é um homem ibérico. Gosta de los ibéricos, como a Georgina.
É exatamente.
Las ibéricas.
Vamos embora. É para dar beijos e é para agarrar. Vamos embora.
Mas...
O espanhol vem com as mãos, exato.
Também. Mas o que eu queria dizer é, acho giro que já viste que parece que nunca estás certo na tua abordagem ao dating, que é, as meninas dizem: "Ah, os homens portugueses não sei o que é que se passa, que só querem conversar". No Discord do livro teve imensa gente a dizer que essa era um bocadinho a sua experiência.
Ya.
Mas depois há pessoas como o Gonçalo e que os amigos dizem: "Estás a exagerar, tens de ser menos físico".
Tipo, calma, vai devagar.
Tem de haver ali um equilíbrio qualquer, que só duas ou três pessoas no mundo é que conseguem atingir para ser perfeito, não é?
Pois, e eu acho que também tem a ver com a pessoa.
Pois, a pessoa que recebe e a pessoa que dá.
Ou seja, a tua maneira de ser há de acertar com alguém, é sintonizar.
Sim.
O que tu estás a dar, a outra pessoa também tem que ter espaço. É como pecinhas de Lego.
Encaixar.
Tem que encaixar, se não encaixa, não vale a pena forçar o encaixe.
Encaixa, baby, encaixa.
Exatamente. Por falar em dates, por acaso é uma coisa gira que nós não chegamos a falar aqui neste podcast. Queria falar do fenômeno de Pheromone Maxing
Ok.
Que tu sabes o que é?
Acredito que sejam os homens a tentarem fazer tudo o que podem para passar mais feromonas às mulheres.
Exatamente. E como é que tu achas que é? Porque se tu não sabes, isto é giro.
Deve ser com coisas tipo cheiros, perfume, provavelmente, o perfume certo. Deve ser com a roupa, de alguma forma, garantir que tem parte exposta no peito para passar mais feromonas, não sei.
Estás certa no subtexto, errada na forma.
Ok.
Pheromone maxing são homens que param de tomar banho antes de ir a dates, dois, três dias, para cheirarem mais a eles próprios, porque acham que assim as feromonas deles passam mais e atraem mais as mulheres porque vão sentir o seu cheiro original.
Ou seja, é zé molas maxing.
Vou te dizer uma coisa: é claramente uma ideia que um homem tem do que as mulheres querem.
Ya.
É claramente um daqueles coaches de masculinidade a explicar como é que se pode engatar mais gajas e como é que tem que ser, porque as mulheres são animais, e então tu tens a tua feromona e elas vão atrás da tua feromona. E o teu cheiro original é o que atrai a fêmea, como se nós fôssemos todos babuínos na savana. É inacreditável.
Ou pássaros que depois mostram as asas e começam a dançar. Olha, antes fosse.
Sim.
Eu acho que os homens deviam engatar mais como os pássaros.
Ok.
Fica tipo: "Olha a minha roupa linda".
Mas sabes que há uma coisa-
"Olha a dança que eu sei fazer"
...no universo do engate. Li há muitos anos um livro chamado "The Game".
Que temos cá em casa, não sei porque é que ainda o temos cá.
Porque o livro é interessante, porque é um homem que se infiltra. Aliás, até muito antes desta coisa nova de toxic masculinity, lonely man epidemic e não sei o quê, é sobre um jornalista que se infiltra num universo da internet em que homens se ajudam a engatar melhor mulheres. É um mundo muito patriarcal e muito machista, em que o objetivo é só sacar gajas. E o livro é interessante porque é bem escrito e depois ele acaba por entrar nesse mundo, até se apaixonar e sai desse mundo.
Ok.
Aquilo é interessante, se bem que eu acho que há ali um lado muito...
Romantização.
É, aquilo exagera um bocadinho. Mas há muito preâmbulo deste universo agora, desta masculinidade da internet. Vou só dizer isto. Há muito pré no meio naquilo.
Ok.
O livro é interessante desse ponto de vista. Mas eu estava a dizer isto por quê?
Leste há uns tempos esse livro.
"The Game", engate, mas onde é que estavam os pássaros?
Porque tu estavas a dizer das danças dos pássaros.
Há um fenômeno nesse universo do engate que é o peacocking, que é uma coisa que, por exemplo, não vou dizer nomes. Ia dizer nomes. Há pessoas que nós conhecemos.
Escreve.
Há pessoas que nós conhecemos que fazem, que é tu teres qualquer coisa.
Claro.
Pronto. Escrevi aqui o nome, não vou dizer aos outros.
Claro.
Que é teres qualquer coisa, que quando entras numa sala, chama a atenção.
Sim.
Ou seja, levas um chapéu esquisito, tens uma tatuagem muito evidente, vestes-te com roupa. Peacocking é quando eu entrar num espaço
Tem que ser notado
...vou me destacar dos outros homens, porque não vou estar com calças bege, uma t-shirt preta e cabelo de bed. Ou seja, não vais ser mais um, vou ter qualquer coisa que chama a atenção.
Sim. Acho que é um pavão a mostrar as suas penas, não é?
Pavão a mostrar as penas, portanto, isso faz todo sentido. Peacocking é uma coisa que os homens desta comunidade meio shady de engate e comer gajas fazem para chamar a atenção quando querem engatar gajas.
Muito bem. Isto por quê?
Por que eu me lembrei disto? Por causa do pheromone maxing, porque agora é uma coisa que é uma moda de internet, não sei até que ponto é que as pessoas andam a fazer isto ou não, em que os homens não tomam banho e vão com o seu cheiro original. No fundo, cheiram a peidão. Porque uma coisa é eu gosto muito do teu cheiro.
Obrigada.
Eu gosto do teu cheiro, ou seja, quando eu estou contigo, eu gosto do teu cheiro. Outra coisa é tu cheirares a suor ou estás a cheirar mal porque não tomas banho.
Sim.
São coisas completamente diferentes. E quem inventou o pheromone maxing é claramente um gajo que acha que sabe o que é que as mulheres querem.
Sim, que é essa ciência do engate.
Todos os homens que ouvem este podcast, experimentem ir a um date depois de ir ao ginásio e vejam o desconforto da mulher de vocês estarem a cheirar a suor. São coisas completamente diferentes. Cheirar mal não é o vosso cheiro.
Eu sinto que são os mesmos que fazem road dogging em voos.
Ya.
Não é?
Ya, completamente. É o mesmo género de teres que aguentar um voo de 14 horas só a olhar.
Sem nada, só a olhar para o ecrã, sem mexer no ecrã, só ver o aviãozinho a mexer.
Completamente. Até porque eu não sei se nós estarmos os dois no sofá a ver uma série, tranquilamente, estamos ali os dois, estás encostada a mim ou estás ao meu lado, estamos ali naquele ramo-ramo para o jantar, muito bem, estamos a ver os dois uma série, já começas a adormecer. Se eu der um peido gigante.
Não.
Senão é pheromone maxing.
Não, não é.
Eu acho que é.
Não, é pheromone maxing, mas o resultado que tem é eu dar-te um soco.
Não é pheromone maxing?
Eu dou-te um soco.
Então e aqueles dias em agosto em que nós não vamos sair de casa, é um sábado, não combinamos nada e eu tomei banho sexta-feira e não tomo sábado e volto a tomar domingo. Não é pheromone maxing? Na verdade, o que eu estou a fazer não é pheromone maxing na minha relação?
Não sei se está a resultar.
Não te sentes mais atraída por mim.
Não sei se está a resultar, vou dizer assim. Olha, trago um desafio giro para fazermos.
Bora, let's go, gosto de desafios.
Que é: vi há uns tempos no TikTok uma menina que partilha daquelas questões para casais.
Ok.
Mas com vários tipos. Há umas mais engraçadas, umas mais sérias.
Mas que tipo de questões para casais? Aquelas em que nós temos que responder os dois e tem que dar igual?
Sim.
Ok.
Não, não tem que dar igual, ou seja, é uma questão para discutirmos.
Ok, let's go.
Aqui tem cinco deranged questions for couples.
Deranged couples for questions.
Loucas.
E eu acho que as pessoas, incluindo a Diana e o que estão a fazer a viagem agora de carro e a ouvir o nosso podcast.
E o Gonçalo.
E o Gonçalo, do e-mail anterior, podem fazer também. Os casais que estão a ouvir podem fazer também.
Então, primeira pergunta: quanto tempo é que eu precisava de usar um capacete dentro de casa pra tu me perguntares por que eu estava a usar esse capacete?
Um segundo.
Se tu me aparecesses com um capacete, eu acho que dois minutos.
Dois minutos sem dizeres nada?
Não, imaginava-te: "Olha, agora estou de capacete em casa."
Tu achas que eu usaria um capacete em casa?
Não.
Mas é de moto, é daqueles de bicicleta que se vê a cara?
É o que tu quiseres. Tu às vezes tens essas coisas. Começas a gritar coisas em casa ou então era tipo, estavas com o teu capacete, ok, pronto, lá está ele, olha lá, está o menino especial com o capacete.
Eu acho que é dois segundos. Tu apareces com um capacete na sala, eu dizia-te:
"O que estás a fazer?"
"Rita, o que estás a fazer? Por que estás de capacete?"
Eu acho que olhava e ria-me primeiro.
Com o mesmo tom do nosso reels pra Porina, em que eu digo: "Mas que pito é este?"
Exatamente.
Eu acho que ia dizer: "Mas estás com capacete pra quê? O que está acontecendo?"
Ok.
Estás comendo o quê? Um vinil.
Se eu começasse uma coleção de colheres, tu ias apoiar ou intervir?
Vamos definir esta coleção. São colheres que tu estás a guardar no teu escritório, a emoldurar, são colheres especiais, vais arrasar uma espécie de um quadro com velcro. Como é que se chama aquela cena das mesas de jogar as cartas?
O quê?
Como é que se chama aquilo verde da mesa das cartas?
Caramba.
Não é velcro?
Não, não é velcro.
Feltro.
Feltro.
Não sei como é que se diz. Imagina que é um quadro em tu estás a pôr as colheres e por baixo tem uma placazinha, que colher é aquela, porque a Margaret Atwood comeu um iogurte no Babel com aquela colher. Ou seja, é uma cena desse gênero ou é só "ai, gosto muito desta colher, vai aqui pra gaveta das colheres"?
Eu acho que é mais "eu gosto muito desta colher, vai aqui pra gaveta das colheres".
Se é "eu gosto muito desta colher, vai aqui pra gaveta das colheres", tu começas a me aparecer com colheres de restaurantes e de sítios cá em casa, eu vou dizer à primeira ou à segunda colher que me puseres ali. Eu vou dizer: "Rita, isso tem que parar. O que está acontecendo?"
Não vais apoiar a minha coleção de colheres?
Não, não vou apoiar a tua coleção de colheres.
Coleção.
Não vou apoiar a tua colherção.
Por quê?
Porque é completamente deranged. Por que estás a roubar colheres dos sítios que gostas das colheres?
E se eu comprar ou se eu for pra o eBay comprar colheres?
Tu não consegues dizer essa frase sem te rires. Se eu for pro eBay comprar colheres.
Sim, colheres em segunda mão.
Não, isso não faz sentido nenhum.
Colheres diferentes, colheres bonitas.
Não faz sentido.
Eu deixava de fazer uma coleção. Eu apoiava a tua coleção de colheres, porque eu sei que tu és esquisito com as tuas colheres.
Rita.
Isso, se não é um piquinho de autismo, eu não sei o que é.
Rita, primeiro, tu claramente não apoiavas a minha coleção de colheres.
Apoiava.
Não apoiavas. Segundo, gostei muito da prenda que o meu irmão e a Sara me deram.
Já estás a começar uma coleção de colheres, porque deram-te uma colher.
Deram-me uma prenda que é a colher do tiramissu. Quando eu comer tiramissu, tem que ser com aquela colher. Gosto muito, e é uma boa colher.
Quem é que já tem mais colheres que gosta ali dentro da gaveta cá em casa?
Sou eu.
Tu já tens uma coleção de colheres.
É uma colher especial.
Noutro dia comprei-te umas colherzinhas de café, que é pra tu também ter na tua coleção.
Usa mais a nossa empregada quando toma um café do que eu. Mas se fosse uma coisa de emoldurar colheres especiais.
Podia emoldurar essas colheres aqui na sala?
Não, na sala não acho que as colheres emolduradas.
Então não estás a apoiar.
Estou a apoiar, faz o que tu quiseres no teu escritório. Eu posso pôr a arcade aqui na sala?
Não podes, porque não há espaço.
Mas não apoias? Apoia o que eu tenho no meu escritório. Pronto, são coisas tuas. Eu apoio.
Arranjas um espaço e uma forma de ficar bonito aqui na sala e eu deixo.
Não, não é essa a questão. A questão é: eu apoio-a mesmo se for no teu escritório, podes pôr no teu escritório.
Mas eu quero pôr aqui para os nossos convidados verem.
Eu sou contra.
Quem vem cá à casa poder ver. Então não estás a apoiar a minha coleção de colheres. Eu já sabia que isto ia ser assim. Ok. Se a nossa casa tivesse um quarto extra.
Ok.
Que coisa estranha é que eu quereria pôr nela? Em que eu quereria transformar que fosse estranho?
Ok. Se a nossa casa tivesse um quarto extra, que coisa estranha é que tu querias?
Aqui em comentários a dizer: "Ai, a coleção de colheres".
Mas claro.
Que coisa tu achas que eu quereria pôr?
Eu acho que a primeira coisa que tu farias era um book nook.
Não, isso não é estranho. Não é unhinged, como dizem aqui.
Unhinged, o que tu farias que seria unhinged? Se fosse um espaço de bricolage pra tu poderes estar a montar móveis e a pintar móveis, se fosse de repente uma espécie de um workshop, também não era estranho.
Pois não.
O que seria estranho?
Eu acho que o que tu farias de estranho era um comedy club. Um mini comedy club.
Entrarem pessoas pra ver um espetáculo ali?
Pra tu testares texto. Mini comedy club, com cinco ou seis pessoas.
Isso seria estranho.
Cinco ou seis pessoas podiam assistir.
O que tu farias que seria estranho?
Eu acho que é ter uma mini associação de gatos.
Ya. Fazeres uma associação de gatos nessa divisão com espaço pra cada um, ias lá alimentá-los. Ya, tens toda a razão. Isso era unhinged, que a palavra é descontrolado.
É unhinged. É como tu também, ter um stand up aqui. Era tipo, não quero sair de casa pra testar texto, então as pessoas vêm cá à casa.
Ya, tenho aqui 10 cadeiras, venham pra casa.
Exato. Uma sala escura com umas cortinas.
Completamente, já percebi.
Se eu, amanhã, durante o dia todo, sussurrasse todas as respostas às perguntas que tu me fizesses Tu ias achar estranho ou ias entrar na brincadeira?
Eu acho que entrava na brincadeira. Se eu começasse a falar contigo e tu me respondesses sempre, tipo: "Olha, o que queres almoçar?"
Massa.
Massa com salada.
Massa com salada.
Eu imediatamente ia-me rir e entrar nessa brincadeira.
Ok.
Não, isto era imediato.
Podemos fazer então a partir de hoje?
Imediato. Eu adoro.
Quando acabar este episódio, senão as pessoas não têm de levar com este ASMR.
Por mim, pode ser.
Ok. E a última pergunta: se nós trocássemos de voz.
E eu, se eu começasse a sussurrar.
Não, na boa. Sim, fazia a mesma coisa.
Isso é o tipo de coisas que nós mais ou menos às vezes fazemos.
Vocês não sabem o que se passa na casa das outras pessoas. Essa é a conclusão. Se nós trocássemos de voz durante uma semana.
Ok.
Qual era a primeira coisa que tu quererias dizer com a minha voz?
Se nós trocássemos de voz, espera aí, que isto agora é um poder muito grande, e com um grande poder vem uma grande responsabilidade, já dizia o tio do Spider-Man. Deixa-me pensar. O que eu fazia com a tua voz? O que tinha graça eu fazer com a tua voz? Eu acho que ligava a um escritor/escritora que tu não gostas nada a pedir para fazer um prefácio para o meu próximo livro.
Eu lembrei-me de tu ligares ao Ricardo a dizer: "Eu não acho que tenhas assim tanta graça, Ricardo."
Pois. Ou seja, é engraçado que a primeira coisa que nós pensamos é logo boicotar.
Como é que vamos tramar o outro.
É logo boicotar. Eu acho que o Ricardo se ouvisse a minha voz a dizer: "Eu não acho que tu tenhas tanta graça." Acho que não ia ser uma coisa séria.
Mas eu acho que tinha que ser uma coisa do gênero: "Ricardo, eu queria só dizer-te que tu és mesmo a minha grande inspiração. Eu adoro-te."
Não, acho que tem que ser: "Ricardo, eu quero deixar de trabalhar contigo a todos os níveis. Eu quero sair do programa, não quero abrir mais o teu espetáculo, vou desistir da comédia, vou abrir um consultório de dentista."
Achas? Eu acho que isso ele ia achar graça. Eu acho que tinha que ser uma coisa séria, tipo: "Ricardo, desculpa estar-te a ligar, mas estou a passar um dia um bocado mais embaixo."
"Preciso que me emprestes 200 mil € porque tive um problema." Tem que ser uma coisa desse gênero.
Mas isso eu acho que ele ia rir ou não.
"Olha, filiemo-nos chega." Ele também ia rir.
Pois, eu acho que tinha que ser uma coisa que o deixasse ele desconfortável. Tipo: "Ricardo, és mesmo a minha grande inspiração na vida. Se não fosses tu, eu não sei o que comediante é que eu era."
Queria só dizer, estou um bocado comovido, mas a importância que tu tens para mim e a referência de humor. Quanto mais tempo isso durasse.
Tinha que ser uma cena assim do gênero, não é?
Ya.
Que te deixasse desconfortável.
Eu acho que ele desligava a chamada à mãe.
Desculpa, estou aqui num túnel.
Eu acho que te lixava de uma maneira engraçada também. Eu acho que com a tua voz, ligava à tua editora a dizer: "Acabei, já está. Eu vou te mandar. Daqui a dois dias vou te mandar."
Mando até o final da semana.
"Mando até o final da semana, já acabei o livro. Pronto, era só para saberes. Podes adiantar o processo de revisão, capa e não sei o quê, porque eu acho que conseguimos lançar mais cedo do que achávamos, está acabado o livro."
Nem pensar. Morria.
O teu heart pounding só de me ouvires a dizer isto.
Morria. Que horror. Bem, pronto, foram estas as unhinged, deranged questions. Espero que tenhas gostado.
Perguntas loucas para casais. Muito bem. Olha, eu gostei muito. terapiadecasalpodcast.com.
Não temos tempo para e-mails.
Pode ser, vamos a um e-mail.
Eu sou o sindicato dos ouvintes neste podcast. Eu represento os nossos ouvintes.
Então espera.
Eu acho que devia ser o prenda de casamento da dona Corleone, que já temos há mais tempo para responder.
Assunto fora de prazo. Então vai, dale.
"Olá, Rita, Guilherme e habitantes com bigode da vossa casa."
No Natal são cinco.
Está cá o teu irmão. E tu.
Então são seis.
São seis. "Olá, o meu nome é o que vocês quiserem e finalmente tenho um caso para vos contar. O nome é dona Corleone."
Dona Corleone, por quê? Porque no Padrinho, o Corleone, que é o padrinho. A sua filha está a casar e ele está a receber propostas e convites e está a tratar de burocracias num casamento.
"No episódio anterior, quando falaram dos casamentos, lembrei-me que tenho uma história que poderia ser discutida no tribunal da relação e que agora será discutida e julgada pelos meus queridos terapeutas."
Muito bem.
"Casei há três anos."
Fico muito contente que o conceito de tribunal da relação.
Se mantenha.
Tenha perdurado nas pessoas, que podem ver no nosso Patreon, e que eu acho que foi das ideias, entre ter a ideia e praticar a ideia, mais divertidas que eu já tive na vida.
E do podcast mesmo.
E do podcast.
"Casei há três anos e na altura convidámos apenas pessoas próximas, entre as quais um amigo do meu marido, que é coreógrafo."
Muito bem.
"Era há muitos anos um desejo nosso que fosse ele a criar a nossa primeira dança no dia do casamento. Falámos com ele e prontamente nos disse que fazia muito gosto em fazê-lo. Nós somos ambos pés de chumbo, por isso quisemos algo muito simples. Estivemos juntos uma vez, explicámos o que queríamos e posteriormente ele enviou uma coreografia por vídeo para nós ensaiarmos."
Muito bem.
"Dias antes do casamento, perguntámos quanto era o valor e ele disse para não nos preocuparmos com isso."
Ok. Querido, é uma espécie de prenda de casamento, não é? Do género: "Olha, não se preocupem."
"No dia, fizemos a dança, agradecemos publicamente por ele ter sido o responsável daquela coreografia e ficámos muito felizes. Quando estávamos a contar as prendas, percebemos que não havia envelope com o nome dele e da namorada."
Muito bem. Aliás, eu próprio já disse.
Calma. Disclaimer importante: nós não estávamos à espera das prendas para pagar o casamento. No entanto, tivemos a preocupação de tentar perceber se nos faltava algum envelope ou não, porque podia ter-se perdido. Percebemos que não estava em lado nenhum e de uma maneira simples perguntámos quanto lhe devíamos para não ficar nada pendente. Ao qual ele respondeu que não devíamos nada, que entretanto nos dava a prenda, pois tinha sido um mês complicado.
Ok.
"Passou quase um ano. Estivemos juntos várias vezes. Numa das vezes foi para nos darem o convite do casamento deles."
Ok.
"Dias depois de termos recebido o convite." É a tua família que está a falar.
O teu telefone não para de vibrar.
"Dias depois de termos recebido o convite, estivemos à conversa com amigos em comum, que se tinham casado meses depois de nós e nos disseram que eles tinham dado uma boa prenda." "Tentámos perceber qual a forma de interagir nesta situação que para nós era complicada de lidar. O que fizemos? Não demos prenda. Nem preciso dizer que me senti super mal. No entanto, se eles não consideraram necessário dar prenda no nosso casamento, nós pensámos o mesmo. Qual a vossa opinião? Continuamos a ser amigos. Eles não nos disseram nada em relação à ausência da prenda e nós também não. Obrigada por me fazerem companhia durante a minha caminhada de segunda-feira. Fiquem bem e aguardo ansiosamente o novo espetáculo ao vivo. Um grande beijinho". Bem, que grande cagaçal.
Olha, eu acho que de vários níveis e em várias alturas diferentes, todos estiveram mal.
Eu também acho que sim. Eu acho que é apagar e fazer de novo.
Dona Corleone. Primeiro, obviamente a coreografia foi a prenda, é o trabalho desta pessoa, portanto quando esta pessoa te dá o trabalho, é a prenda.
Eu acho que ele devia ter dito: "Não pagam nada, fica a prenda".
Acho que ele devia ter sido mais verbal. Devia ter dito: "Não se preocupem com isso". É do género, eu ofereço.
Sim, eu ofereço, mas ele devia ter dito: "Não se preocupem, eu ofereço, fica a minha prenda de casamento para vocês".
Pronto, isso era mais verbal, era mais direto. Claramente nenhuma destas pessoas é direta. Estas pessoas andam por portas e travessas a resolver as coisas em subtextos, nunca dizem nada diretamente. Repara, continuam amigos e nunca falaram disto, de andarem a não dar prenda de casamento uns aos outros. Segundo, quem é que está mal? A dona Corleone, quando não vendo o envelope, não assume que a coreografia foi a prenda, então manda uma mensagem diretamente a dizer: "Esqueceram-se de mandar a prenda".
Não deve ter dito assim, deve ter dito: "Olha, só para saber, para garantir".
"Falta algum envelope?" Mas é um bocado susto se estás a dizer: "Olha lá, estamos aqui a contar as prendas, falta algum envelope? Mandaram?" Pronto. Depois a pessoa responde, em vez de dizer: "Eu acho que a coreografia, que é o meu trabalho, é a minha prenda", não, diz: "Tive um mês um bocado mau, ainda não mandei a prenda". E depois nunca manda.
Nunca manda.
Se tu assumes por mensagem, "tive um mês mau, mas vou mandar".
Tens de mandar.
E depois há outro casamento em que essa pessoa dá uma boa prenda, o que na minha cabeça me quer dizer: "Eu nunca vou dar prenda àqueles gajos porque a coreografia era a minha prenda".
Sim, mas ele devia ter dito que a coreografia era a prenda.
Está bem, certo, mas nunca disse.
Certo. Ou seja, lá está, ninguém tem razão nesta história.
E agora a dona Corleone vai ao casamento desta pessoa.
E não dá prenda.
Não dá prenda e as outras pessoas nunca dizem nada porque assumem. E estamos num stalemate, se é assim que se diz nos xadrez. Estamos num stalemate em que ninguém vai ganhar, estamos empatados, mas ninguém assume.
Não, e eu acho-
Se vocês são amigos, por que não falam diretamente?
Eu acho que a dona Corleone devia ter dado prenda.
Eu acho que a dona Corleone foi muito petty em não ter dado prenda. Porque agora sabes o que é que fizeste? Abriste espaço para ele nunca te pagar.
Exato. E a partir daqui a relação está fraturada, mesmo que na aparência não esteja.
Ya, porque isto de repente é uma cascata de dominós, de decisões em retaliação à anterior. Sabes o que isto parece? Uma série de bife.
Completamente.
Bife que dá na Netflix, é exatamente isto.
Nós só vimos a primeira temporada, não sabemos o que se passa.
Mas a segunda é a mesma coisa. É uma coisa que escala e nunca mais para. Porque claramente, isto é muito simples, desde o início que a coreografia é prenda.
Está bem, mas ele devia ter dito.
Mas não foi assumido e então deu origem a esta cascata de merda. E isto agora nunca mais vai parar.
É uma cascata de merda em vez de uma cascata de camarão, como devia ser num casamento.
Exatamente.
Olha, terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar os vossos e-mails. Podem fazer como fez o Gonçalo e como fez o Gabriel e simplesmente darem a vossa opinião sobre o que nós estivemos aqui a discutir. Podem fazer como a dona Corleone e mandar as vossas mensagens ou podem fazer, como pediu o Guilherme, e eu reforço, as vossas mensagens que querem passar a alguém da vossa vida, que nós cá estaremos para fazer esse trabalho por vocês.
Exatamente. Sempre quiseram dizer alguma coisa a alguém e nunca conseguiram. O Guilherme e a Rita estão aqui para vocês.
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