Celo Dut transforma própria história em música no álbum ‘Rei das Ruas’: ‘Realmente libertador’

Rapper falou à Rolling Stone Brasil sobre o novo disco, as parcerias e a liberdade de contar a própria história sem amarras comerciais
Karla Sthefany
Sem filtro e sem tentar caber em fórmula nenhuma. Em Rei das Ruas, novo álbum que chega no dia 17 de setembro, o rapper Celo Dut conta a própria história, coloca na música o que viveu e a forma como enxerga o mundo.
Na redação da Rolling Stone Brasil, no Rio de Janeiro, ele falou sobre a liberdade criativa do projeto, as parcerias do disco e uma fase que considera especialmente verdadeira em sua trajetória.
Uma história contada em música
Antes do lançamento do álbum, Celo Dut apresentou ao público a parceria com BK, “Instinto Frágil”. A faixa antecipa uma das características centrais de Rei das Ruas: a construção de uma narrativa baseada na própria trajetória do rapper.
“Essa música traz justamente a profundidade que o disco foi concebido, que é a ideia de contar a minha própria história através da minha música”, explicou Celo à Rolling Stone Brasil.
Segundo ele, “Instinto Frágil” representa o começo dessa narrativa. “Essa música, ela caracteriza a parte da infância do personagem, o início do disco, onde tudo começa, e ao longo do disco esse desenrolar vai acontecendo”, contou.
O próprio título do álbum também está ligado à história que Celo pretende apresentar. Rei das Ruas estabelece, segundo o rapper, uma associação com Exu e Xangô, orixás que, em suas palavras, regem sua vida em diferentes momentos.
“Então, a ideia era fazer uma ligação entre eles e a mim mesmo no sentido de a minha história”, afirmou.
Parcerias que completam a narrativa
Entre as participações do disco está Liniker, na faixa “It’s Fine”. Para Celo, a presença da cantora surgiu de uma identificação imediata com o que a música pedia.
“Quando essa música ficou pronta, a minha parte, era quase que inevitável, assim. Não estar ali ouvindo a voz dela ali em cima já, conseguir imaginar mesmo aquela coisa que você quase vê na sua frente, de tão fácil de você conseguir visualizar”, explicou.
Depois de entrar em contato com Liniker, o rapper recebeu uma resposta positiva. “Ela, quando ouviu, curtiu muito. E quando mandou, eu só tive a certeza de que era isso mesmo, era para ser ela”, lembrou.
Um álbum sem amarras
Mais do que reunir novas músicas e participações, Rei das Ruas representa para Celo Dut uma mudança na maneira de criar. O rapper descreve o projeto como sua primeira iniciativa feita sem a preocupação de atender a uma agenda comercial ou a pressões externas.
A experiência, segundo ele, foi difícil de resumir em uma única palavra, mas “libertador” chegou perto.
“Ainda é indescritível, assim. Existem muitas palavras que eu poderia usar, mas eu acho que uma boa é realmente libertador”, afirmou.
Para Celo, esse processo também passou por uma relação diferente com a própria música. “É quando você chega num lugar de autoconhecimento seu, e consequentemente da sua música, e você se liberta, você passa até a gostar mais dela, porque você sai de um fator de comparação.”
O resultado, na visão do rapper, é deixar de medir o próprio trabalho a partir de referências externas. “E aí sua música para de deixar de ser insuficiente para ser a coisa mais incrível que você já fez. Então, eu acho que é libertador.”
Rei das Ruas chega em 17 de setembro, às 21h.
Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
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