ESPN DeportesChivas se acerca al gol, ante un América nerviosoPunchAkpabio, Natasha silent over activist’s fresh allegationESPNDeBoer wants Bama to 'start faster' after latest rally vs. FSUוואלהאד שירן על ישראל ועזה: "מה שקרה ב-7 באוקטובר היה מחריד; המתרחש בעזה קטסטרופלי"النهارترامب يفك الترابط بين حربي أوكرانيا وإيرانThe Jerusalem PostPutin prepares to escalate Ukraine war with draft surge, attacks targeting NATO - reportDaily MailHarry Styles and fiancée Zoe Kravitz passionately kiss and hold hands in NYC as wedding plans are revealedEl Comercio¡Pura alegría! Así festejó Perú su clasificación a los Qualifiers de la Copa Davis | FOTOSOnetPilny powrót Trumpa. Bombowiec B-1B Lancer opuścił bazę. Podsumowanie nocyNew Straits TimesNajib's RM50mil house arrest condition partly beyond his control, say lawyersSportstarShooting LIVE updates from Asian Games 2026: India set to win team medal in 10m air rifle; Sonam Maskar, Elavenil Valarivan enter finalThe Sydney Morning HeraldAlbo wanders into Tim Apple’s place to fix the internet
The Daily Newsstand · Free, Always
Sunday, September 20, 2026

O gap na cadeia de abastecimento: educação e realidade

Translate

São 13h30 de uma terça-feira e o calor de um dia de Verão desertifica as ruas do bairro onde moro, nos arredores de Lisboa. Numa das idas à mercearia de bairro deparo-me com um trabalhador de caixa que não tinha conhecido. De proveniência sul-asiática – como o próprio dono da loja – pergunto-lhe o que faz por ali e quando tinha chegado a Portugal. A sua simpatia despertou a minha curiosidade e por ali fiquei alguns minutos a conversar.

Tinha chegado há duas semanas da Holanda, onde tinha terminado um ano de estágio numa empresa de retalho que sucedeu ao mestrado em Supply Chain na Erasmus University em Roterdão. Perdera o visto umas semanas antes por não chegar ao salário mínimo exigido para se fixar como residente. Sem melhores alternativas, decidiu: “Vou arrancar para Portugal!”. Para trás, no Bangladesh, deixou a sua mulher e um filho, na esperança de poupar e contribuir para uma melhor vida dos mesmos. Ganha mil euros por mês a registar produtos vendidos a clientes que vão espontaneamente aparecendo no local.

Na mesma lógica, o seu pai tinha emigrado para a Alemanha, deixando-o com a mãe e um irmão. Depois de 20 anos longe da família e já com dificuldades financeiras, voltou para o seu país de origem, com cancro. Morreu passado uns meses, sem a possibilidade de ver os netos crescer. O homem desabafava: “tenho de quebrar esta cadeia de empobrecimento. Não quero trabalhar, poupar pouco e estar longe da minha família. O que se passou com o meu pai não se voltará a repetir!”.

Parece-me que estamos perante uma cadeia de abastecimento que se poderá repetir. Não há stock de segurança porque mil euros não permitem reservas adicionais. Não há redundâncias – quando o (único) fornecedor falha, seja por que motivo for, a família fica sem nada. O lead time é plurianual: anos de sacrifício longe do agregado familiar para um retorno lento e incerto. No fundo, uma cadeia desenhada para o produto (mão de obra barata) e não para a criação de valor (transformação do conhecimento em vantagem competitiva). Não há planeamento, pois a burocracia e instabilidade política esmagam qualquer forecast de médio-longo prazo, não há diversificação de fornecedores, pois apenas ele produz e distribui pelos outros, e muito menos uma análise do custo do serviço, trocando-se dias de vida sem qualquer retorno intelectual e baixo retorno financeiro. Torna-se, assim, insustentável.

Ignorando o tema da emigração des(controlada) a montante destes acontecimentos, deveríamos aproveitar os recursos disponíveis em atividades que criem e extraiam mais valor económico. O fenómeno de “brain waste” que reflete o desencontro entre a procura e a oferta de talento – recordando os milhares de portugueses qualificados que saem do país – pode e deve ser combatido nas recentes vagas de imigração, permitindo que essas famílias se eduquem, criem valor e paguem impostos, aumentando a produtividade. Tudo isto condicionado, obviamente, à vontade pessoal de se enquadrar e integrar na sociedade.

Portugal tem défice de mão-de-obra qualificada em engenharia, logística e até saúde – e talento imigrante subaproveitado que o poderia preencher. Algumas das soluções propostas são: a) sistema de “fast track” para quem, sendo original de países menos desenvolvidos, tenha obtido graus de educação em países europeus (fugindo ao longo ciclo de reconhecimento de qualificações); b) certificação por competência / entrevista (vs. processo burocrático de equivalência de diplomas); c) incentivos fiscais a empresas que contratem imigrantes qualificados acima do seu nível de emprego; d) bolsa de emprego pública para imigrantes qualificados, cruzando perfis com mão-de-obra em falta: e) reagrupamento familiar mais rápido e barato, hoje em dia impossível com o salário mínimo.

Nada disto deve ser feito isoladamente – exigindo-se que venha acompanhado de medidas amplas na integração destas famílias. Sem elas, continuaremos a ver esta cadeia materializar-se, de geração em geração.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.