Filtr bate 1 bilhão de views e vira aposta da Sony Music Brasil para criar novos negócios na música
A Filtr, plataforma de curadoria musical do Grupo Sony Music Brasil, ultrapassou a marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube e passou a ocupar um papel estratégico dentro da companhia. Criada inicialmente como uma rede de playlists, a marca ampliou sua atuação para conteúdo audiovisual, experiências presenciais, desenvolvimento artístico e conexão direta com fãs.
O movimento acompanha uma transformação da indústria musical, em que gravadoras e empresas de entretenimento buscam construir ativos próprios de audiência e criar novas formas de relacionamento com consumidores. Para a Sony Music Brasil, a Filtr passou a funcionar como uma ponte entre artistas, público, dados e novos formatos de entretenimento.
“Quando a gente fala que a Filtr chegou a 1 bilhão de views, esse número marca algumas sinalizações: uma delas é que estamos criando um ativo relevante”, afirma Wilson Lannes, COO do Grupo Sony Music Brasil, em entrevista à EXAME.
Segundo a companhia, o canal alcançou 1 bilhão de visualizações em junho de 2026. Nos últimos 12 meses, o tráfego de visualizações cresceu 60%, enquanto a audiência entre jovens de 13 a 17 anos avançou 86%. Quase metade das visualizações (47,5%) veio de novos espectadores.
Para Lannes, o número representa mais do que alcance digital. “Se você ouve música em algum parceiro, algum ambiente digital, você passou pelo Filtr”, diz o executivo.
Da playlist ao ecossistema de entretenimento

Wilson Lannes, COO do Grupo Sony Music Brasil
A estratégia da Filtr começou com playlists, mas evoluiu para um modelo que combina diferentes frentes de negócio. A plataforma reúne curadoria musical, produção de conteúdo próprio, inteligência de dados, eventos e iniciativas de desenvolvimento de artistas.
Hoje, a marca reúne mais de 1.000 playlists no Brasil e mais de 25 milhões de seguidores em playlists, segundo a Sony Music.
“O Filtr não é só uma plataforma de playlist. Também não é só uma rede de curadoria, não é só música ao vivo. Essa rede integrada compõe o Filtr”, afirma Lannes.
O executivo explica que a plataforma passou a integrar diferentes áreas da companhia, como curadoria, inteligência de dados, conteúdo ao vivo e desenvolvimento artístico.
“Através do Filtr a gente consegue chegar a um público maior e levar nossos artistas e a música dos nossos artistas a esse público”, afirma.
Rancho do Sertanejeiro transforma Barretos em laboratório musical
Um dos principais exemplos da estratégia é o Rancho do Sertanejeiro, projeto realizado durante a Festa do Peão de Barretos, em parceria com Renato Sertanejeiro. Pelo segundo ano consecutivo, a Filtr leva ao evento uma estrutura que combina gravações, conteúdo digital e relacionamento com artistas.
O projeto nasceu como uma experiência menor e ganhou escala na segunda edição. Segundo Lannes, a iniciativa passou de cerca de 14 ou 15 artistas na primeira edição para 30 participantes, além de ampliar o número de projetos gravados.
“O sertanejo é o gênero mais tocado e consumido no Brasil. Ele chega a ser um estilo de vida”, afirma Lannes.
A lógica do Rancho é transformar uma experiência presencial em múltiplos produtos digitais: conteúdos nas redes sociais, performances completas no YouTube, lançamentos oficiais nas plataformas de streaming e participação dos times de A&R na construção de repertórios e encontros entre artistas.
O projeto já ultrapassa 30 milhões de streams, segundo a empresa.
“A gente procura transportar as experiências ao vivo para o mundo digital”, afirma o COO da Sony Music Brasil.
Dados ajudam decisões, mas escolha de artistas continua humana
Apesar do avanço da inteligência de dados na indústria musical, a Sony Music afirma que as decisões artísticas continuam dependendo de avaliação humana.
A companhia utiliza informações de consumo, dados demográficos e indicadores das plataformas digitais para identificar tendências, mas a decisão final envolve experiência de mercado e análise artística.
“É imponderável você saber que música vai ser um sucesso. A gente faz uma análise complexa, muito mais pela experiência que temos de mercado, com a ajuda de dados”, afirma Lannes.
Essa estratégia também está ligada a uma nova frente da Filtr: uma incubadora de artistas em desenvolvimento. A ideia é identificar nomes em estágio inicial, desenvolver suas carreiras e, posteriormente, ampliar investimentos dentro da estrutura da Sony Music.
O próximo passo: mais artistas e mais conteúdo próprio
Depois do primeiro bilhão de visualizações, a estratégia da Filtr é ampliar presença em festivais, produzir mais conteúdos próprios e fortalecer a atuação no desenvolvimento de novos artistas.
A companhia também pretende manter atuação em diferentes gêneros musicais. A Filtr participou, por exemplo, da curadoria do palco Supernova, no Rock in Rio, que reúne artistas de diferentes cenas, como rock, rap, trap, pop, MPB e R&B.
Segundo Lannes, a marca não busca ser o protagonista da relação com o público, mas uma ferramenta para potencializar artistas.
“O importante é qual artista você está ouvindo dentro da nossa rede”, afirma.
A estratégia, segundo o executivo, é combinar playlists, eventos, conteúdo audiovisual e desenvolvimento artístico para ampliar o consumo de música e criar novas oportunidades de negócio para a Sony Music.
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