Ben Affleck afirma ter usado IA ‘várias vezes’ em seu novo filme ‘Sobrevivência’

‘E, de verdade, achei que era um ótimo exemplo porque é um filme muito humano’
EMILY ZEMLER
Ben Affleck (Gênio Indomável) confirmou ter utilizado inteligência artificial na produção de seu novo filme Sobrevivência (Animals). Em entrevista à Bloomberg Screentime, Affleck afirmou “utilizei para diversas coisas do filme”.
Fico um pouco hesitante em apontar quais são ou até mesmo falar sobre isso porque, no meu trabalho, estamos tentando criar a ilusão de realidade, certo?”, disse Affleck. “É como se você fosse a um show de mágica e o mágico entrasse no palco e dissesse: ‘Antes de começar, quero que vocês saibam que há outro coelho aqui embaixo. Esse cara é um cúmplice.’ Isso meio que estraga a experiência, não?”
O ator continuou: “Mas, sim, nós usamos. E, de verdade, achei que era um bom exemplo porque é um filme muito humano. Não se passa no espaço e não tem efeitos visuais. Mas isso nos permitiu, em alguns casos, trabalhar mais rapidamente, principalmente na pós-produção, para fazer coisas que, de outra forma, não teríamos conseguido fazer.”
Saobrevivência, que estreia na Netflix no dia 9 de outubro, foi dirigido e co-escrtito por Affleck. Ele também protagoniza o longa interpretando um candidato ao governo de Los Angeles, Mark Kimball, cujo filho é sequestrado. A atriz Kerry Washington faz o papel de sua esposa no filme.
Em março, Ben Affleck vendeu sua empresa de inteligência artificial (Interpositive) para a Netflix pelo valor de US$587 milhões. O ator e diretor fundou a empresa em 2022, atuando como CEO. Após a venda, ele tem um papel de conselheiro fiscal na companhia. Affleck discutiu sobre o trabalho da empresa na entrevista, incluindo sobre como ele teria treinado o modelo de IA e como ele era diferente de outras plataformas,
Eu estava preocupado porque a maioria dos modelos utilizados havia sido treinada com base no trabalho de colegas meus, pessoas que conheço, e isso me deixava desconfortável”, afirmou. “Pensei: ‘Isso não é realmente um modelo de negócio viável’. Então, criei de certa forma essa última camada, que consistia em uma compreensão do cinema e de seus elementos cinematográficos.”
Ele também explicou que o modelo de trabalho da plataforma é projetado para “ser treinado a partir de um cineasta enquanto ele faz seu filme”. Dessa forma, o cineasta mantém a “natureza proprietária” do trabalho. “Eles se beneficiam do aprendizado que estão criando”, continuou. “Eles treinam seu próprio modelo específico. […] A ideia é que [a tecnologia] não substitua as pessoas, nem as elimine. Não acredito que algum dia será algo como ‘é só digitar e fazer um filme que as pessoas queiram assistir’.”
Affleck também falou sobre sua abordagem em relação à inteligência artificial em entrevista ao The Hollywood Reporter durante a première do filme, realizada na semana passada (1). “O que estou tentando fazer é, na verdade, trazer essa tecnologia para a nossa indústria, para um lugar onde essas empresas, que são signatárias dos sindicatos e têm relações com a comunidade criativa, não possam simplesmente colocar você em um filme sem a sua permissão e sem pagar por isso”, afirmou.
Isso não pode ser dito sobre muitas plataformas de tecnologia e outros espaços onde simplesmente não rejeitamos essa tecnologia e permitimos que outros a adotem e dominem, e então acabemos nos enfraquecendo.”
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