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Monday, September 28, 2026

O papel da imprensa no combate à crise climática

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Kyle Pope, cofundador e diretor executivo de iniciativas estratégicas da Covering Climate Now
Kyle Pope, cofundador e diretor executivo de iniciativas estratégicas da Covering Climate Now Imagem: Divulgação/WND

Por mais terríveis que tenham sido as manchetes sobre o clima em 2026 —de geleiras derretendo a incêndios florestais históricos e ondas de calor mortais —, há um fato ainda mais preocupante: existe uma grande chance de este ser o ano mais fresco do restante da sua vida.

Este ano será mais quente do que o anterior, e o ano passado foi mais quente do que o que veio antes dele. Os cientistas agora dizem que o próximo ano, especialmente com o fenômeno climático El Niño se formando, pulverizará recordes, levando o planeta a atingir níveis muito acima dos que especialistas apontam como perigosos pontos de inflexão da crise climática.

Em meio a tudo isso, pode ser difícil saber a quem recorrer em busca de ajuda e de soluções: governos ao redor do mundo —e especialmente em países dependentes do petróleo, como os Estados Unidos —parecem estar piorando as coisas em vez de melhorá-las. Escolhas individuais podem parecer insignificantes diante da dimensão do problema.

Existe, porém, uma solução muitas vezes negligenciada para o problema climático —e ela é o jornalismo. Entender o que está acontecendo, o que está causando isso e quem é responsável (e não se engane: definitivamente há vilões nesta história) é um requisito necessário para resolver o problema climático. Ignorar o assunto não faz a ciência, nem a realidade, desaparecerem.

Nossa organização sem fins lucrativos passou os últimos sete anos estudando como a imprensa ao redor do mundo cobre as mudanças climáticas e ajudando veículos de comunicação a se conectarem melhor com seu público ao tratar do tema.

E aqui está a boa notícia: o público está interessado.

Estudos revisados por pares mostram que, em média, 89% das pessoas no planeta não apenas se preocupam com a crise climática como também querem que seus governos trabalhem para resolvê-la. O problema é que muitas dessas pessoas não sabem que fazem parte de uma esmagadora maioria preocupada com o clima; acham que estão isoladas, à margem. Também não sabem que seus vizinhos muitas vezes pensam como elas e, o que é mais importante, não votam como se fizessem parte da solução.

É aí que entra o jornalismo. Nos últimos dois anos, dezenas de repórteres ao redor do mundo vêm trabalhando para contar a história dos 89% em suas comunidades, traçando seus perfis e dando voz a essas pessoas.

E o mundo está prestando atenção: pessoas começaram a aparecer nas redes sociais se identificando como parte dos 89% e, em agosto, a empresa global de bebidas Oatly começou a exibir a mensagem dos 89% em suas embalagens no mundo todo.

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O jornalismo tem potencial para ajudar o público a avançar no enfrentamento das mudanças climáticas. Ao rejeitar a narrativa de que as pessoas não se importam e identificar o que é necessário para resolver o problema com urgência —nas urnas, nas ruas, na casa das pessoas —, os veículos de comunicação têm a oportunidade e o dever de se unir a seus públicos para enfrentar a questão mais urgente de nossas vidas. Essa conexão não apenas ajudará a enfrentar o problema climático, como também contribuirá para reduzir a falta de confiança que aflige o jornalismo. As pessoas apoiam veículos de comunicação que cobrem aquilo que lhes importa.

Mas não será fácil.

Durante décadas, a indústria de combustíveis fósseis —lembra dos vilões que mencionamos antes? —vem investindo centenas de milhões de dólares em campanhas destinadas a enganar o público sobre os perigos da queima de combustíveis fósseis. Essas empresas financiaram campanhas de desinformação destinadas a minar a ciência climática e procuraram enfraquecer a confiança no jornalismo que cobre o problema com precisão.

A ascensão das redes sociais resultou em um esforço direcionado e coordenado para inundar os consumidores com mentiras sobre o clima. Uma pequena minoria de trolls on-line continua intimidando algumas redações e impedindo que sejam tão incisivas em sua cobertura climática quanto a gravidade do assunto exige.

O jornalismo tem a oportunidade de corrigir esse erro —noticiando de maneira factual e urgente a crise que enfrentamos. E os consumidores —todos nós, os 89% —podem aproveitar essa oportunidade para redescobrir o valor de uma imprensa independente, valorizando as pessoas que dizem a verdade sobre a crise que coloca todos nós em risco.

Este artigo de opinião integra a campanha do Dia Mundial do Jornalismo, uma iniciativa para mostrar o valor do jornalismo promovida pelo World Editors Forum, o Project Kontinuun e a Canadian Journalism Foundation.

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Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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