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Wednesday, October 7, 2026

Disparada dos custos de financiamento pressiona empresas dos EUA

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Financial Times Uma forte onda de vendas de títulos do governo dos Estados Unidos começa a repercutir no setor corporativo americano. O movimento está obrigando empresas a reformular planos de financiamento e até mesmo levantando o risco de calotes entre aquelas com as piores classificações de crédito.

Os custos de financiamento para as empresas com as notas de crédito mais baixas atingiram neste mês o maior nível desde maio de 2020, chegando a 17%, impulsionados pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro para máximas de vários anos e pela exigência dos investidores mais bem pagos para conceder empréstimos a essas companhias.

O prêmio de risco das empresas classificadas como triplo C ou abaixo disso subiu para 12 pontos percentuais, o maior nível desde 2022.

Pessoa em primeiro plano caminha na rua com o One World Trade Center ao fundo, cercado por edifícios históricos e modernos sob céu parcialmente nublado.
Pessoas circulando pelo distrito financeiro de Nova York - Angelina Katsanis - 5.nov.25/Reuters

Analistas dizem que as empresas com empréstimos a taxas flutuantes e aquelas que precisam refinanciar dívidas nos próximos meses são as mais expostas à onda de vendas de títulos públicos, que, na semana passada, levou o rendimento do título do Tesouro de dez anos ao maior nível desde 2002.

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"Os investidores exigem cada vez mais remuneração para assumir o risco de crédito corporativo", afirma James Reilly, economista sênior de mercados da Capital Economics.

Em um sinal do efeito paralisante da turbulência no mercado de títulos do Tesouro, o Bank of America reduziu de cerca de US$ 160 bilhões para US$ 110 bilhões sua previsão para o volume de dívida corporativa denominada em dólares e com grau de investimento que será vendido neste mês.

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Entre as empresas, o nervosismo dos investidores já é visto em algumas operações. Na semana passada, o grupo Paramount Skydance vendeu US$ 52 bilhões em dívida para financiar a aquisição da Warner Bros Discovery.

De forma incomum, a demanda pelos títulos de dois anos da Paramount foi quase o dobro da registrada pelos papéis de 30 anos, segundo pessoas a par do assunto, em um sinal da preocupação dos investidores de que a alta dos juros reduza o valor das dívidas de prazo mais longo.

Como resultado, os investidores receberam uma alocação de dívida de longo prazo maior do que esperavam, o que levou a uma forte onda de vendas após a estreia dos títulos no mercado.

"Na margem, vemos algumas operações serem retiradas ou adiadas à medida que os investidores ficam mais seletivos. O fraco desempenho dos títulos de segunda garantia da Paramount Skydance, com os papéis com vencimento em 2036 recuando vários pontos em relação ao preço de emissão, é um sinal disso", afirma James Carter, codiretor de renda fixa da gestora de patrimônio e investimentos W1M.

Muitas empresas preferem, neste momento, vender dívida com vencimentos mais curtos para terem a possibilidade de refinanciá-la no futuro a taxas mais baixas.

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"Elas não querem se comprometer agora com custos elevados de financiamento", diz Erin Brown, codiretora de mercados de capitais globais para as Américas no BNP Paribas. "Acessar o mercado agora exige mais planejamento."

A fabricante americana de temperos e molhos McCormick disse aos investidores, na semana passada, que avaliava as moedas, os prazos e a proporção entre taxas fixas e flutuantes da dívida que pretende emitir como parte de sua megafusão com a divisão de alimentos da Unilever, diante da alta recente dos custos de financiamento.

"Isso está na cabeça dos investidores, por isso acompanhamos muito de perto a dinâmica do mercado enquanto continuamos a avaliar cuidadosamente nossa estratégia de financiamento por dívida", diz Marcos Gabriel, diretor financeiro da McCormick, durante a teleconferência de resultados da empresa.

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A magnitude da alta dos rendimentos dos títulos neste ano normalmente poderia afetar todo o mercado, das empresas mais frágeis às que têm as melhores classificações.

No entanto, uma parcela significativa das captações com grau de investimento neste ano não foi afetada. Esse segmento é dominado por empresas que desenvolvem projetos relacionados à inteligência artificial e acreditam que a urgência de construir centros de dados se sobrepõe a um ou dois pontos percentuais adicionais nos custos de financiamento.

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Mas uma nova alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro poderia provocar impactos mais amplos nos mercados de crédito, segundo analistas. Quando chegar o momento de refinanciar dívidas existentes, as taxas mais altas poderão abalar as muitas empresas que se endividaram quando os juros estavam em níveis mínimos, no início da década de 2020.

A Moody’s estimou, no ano passado, que um volume recorde de US$ 1,45 trilhão em dívida corporativa americana com grau de investimento venceria entre 2026 e 2030. A alta dos juros pressionará as empresas a aumentar os lucros em ritmo semelhante ao do avanço dos custos de financiamento.

"Isso poderia representar um verdadeiro choque para o sistema de dívida corporativa se os juros permanecerem nesse patamar elevado ao longo de 2027 e 2028, já na segunda metade desta década", afirma Michael Zdinak, responsável pelo serviço de mercados de consumo dos Estados Unidos na S&P Global.

Se os custos de financiamento continuarem elevados no próximo ano, as empresas "adiarão decisões de investimento, aquisições, recompras de ações, planos de expansão e qualquer tipo de investimento discricionário que puderem, caso o retorno seja menor em relação à alta dos juros", acrescenta.

Operadores do mercado futuro apostam que o Federal Reserve elevará os juros mais três ou quatro vezes até o início de 2028, ante a faixa atual de 3,75% a 4%.

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"Se a lucratividade não crescer no mesmo ritmo que os custos de financiamento, é aí que veremos um problema de crédito de fato", afirmou Atsi Sheth, diretora de crédito da Moody’s.

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