Marisa Orth relembra sucesso ao posar nua e complexos na juventude: ‘Tinha inveja da minha própria Playboy’

Marisa Orth, de 62 anos, guarda até hoje orgulho da Playboy que estrelou em agosto de 1997. A edição comemorativa dos 22 anos da publicação vendeu cerca de 700 mil exemplares e se tornou um dos trabalhos que a atriz mais gosta de revisitar. Quase três décadas depois, ela volta a explorar a sensualidade em um minifilme para maiores de 18 anos e vê na experiência anterior uma espécie de referência para o novo projeto.
"Eu tenho um tremendo orgulho de ter feito a Playboy, dela ter vendido tanto, e sem dúvida foi que, por conta dessa experiência positiva, eu percebi que eu posso ter essa experiência que seja positiva também no Amasso. Eu vi que um trabalho bem cuidado, de bom gosto, vende muito", afirma em conversa com a Quem.
Marisa, no entanto, não associa o sucesso das fotos a uma mudança imediata na forma como enxergava o próprio corpo. Ao falar sobre a exposição, ela compara a nudez diante das câmeras à experiência de estar em ambientes como saunas, camarins ou praias de nudismo. Para ela, o estranhamento inicial dá lugar à percepção de que são apenas 'corpos'.
"Tem partes de um corpo e de outro que chamam mais atenção, mas são corpos", explica. A atriz afirma que gostou de fazer as fotos e considera que a experiência contribuiu para seu crescimento profissional. "Eu cresci muito como artista."
A autoestima, porém, era outra questão. Marisa conta que já carregava inseguranças desde a juventude e que a Playboy não foi capaz de resolvê-las. "A autoestima é uma coisa que vem da primeira infância. Não foi a Playboy que melhorou ou piorou a minha autoestima", afirma.
Ela lembra, inclusive, que chegou a olhar para as próprias fotos com uma espécie de estranhamento, como se a mulher retratada nas páginas da revista fosse diferente daquela que enxergava no dia a dia. "Eu brinco que eu tinha inveja da minha própria Playboy, de pegar e falar: 'Isso é que é mulher, não é aquilo que eu tenho lá em casa.' É difícil. Autoestima é outro papo", ri.
Com o passar dos anos, a atriz diz ter desenvolvido uma relação diferente com a própria aparência. "Eu continuei me achando tão feia ou bonita como eu sempre achei. Melhorei com a idade", conta. "Nem me considero tão roliça e curvilínea quanto as gostosas desse país. Eu vejo Deus como tem mulher linda no Brasil, pelo amor de Deus, e eu falo: 'Gente, como é que pode?' Por mais que eu esteja bem, bonita, a concorrência é gigantesca, então eu sinto que foi um trabalho de equipe".
Ela considera que o ensaio - clicado por Willy Biondani e dirigido por Gringo Cardia, que também assina o novo curta erótico da atriz - foi um trabalho coletivo, no qual a própria imaginação de quem vê as imagens participa da construção. "Você faz uma coisa, a fantasia da pessoa que vê faz o resto. Eu considero isso um braço da arte dramática, do teatro, da ilusão, do cinema, da fotografia", afirma.
Até hoje, ela mantém carinho pelo resultado: "Eu tenho muito orgulho da minha revista Playboy até hoje. Acho que, dos grandes trabalhos que eu fiz na vida, foi difícil pra caramba fazer, e mostro ela feliz da vida para todo mundo. Quem quiser que eu assine, assino."
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.