PGR da Ucrânia deixa o país depois de acusações de corrupção

O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, deixou esta segunda-feira o território ucraniano depois de anunciar acusações criminais contra as agências anticorrupção que levaram à sua recente demissão. Volodymyr Zelensky pediu aos parlamentares ucranianos para se apressarem a aprovar a destituição de Kravchenko, cujo gabinete foi alvo de buscas na semana passada durante uma operação de desmantelamento de uma organização criminosa liderada pelo chefe de uma das divisões da procuradoria-geral.
Segundo o jornal Ukrainska Pravda, o procurador-geral demissionário atravessou a fronteira às 2h30 desta segunda-feira num carro oficial, utilizando uma viagem de negócios à Lituânia como justificação para se ausentar da Ucrânia.
“Encontro-me atualmente numa viagem de negócios ao estrangeiro, durante a qual estão agendadas várias reuniões. Pretendo informar os parceiros internacionais sobre a verdadeira situação nas agências anticorrupção da Ucrânia, os indícios de que se está a concentrar nas suas mãos uma influência sem controlo e os riscos que isso representa para a soberania nacional da Ucrânia, o Estado de direito e as instituições democráticas”, disse, após a sua partida ter sido noticiada como uma fuga às autoridades do país.
Ruslan Kravchenko declarou num vídeo publicado nas redes sociais que tinha aprovado as acusações contra o chefe do Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), Semen Krivonos, por alegadamente “falsificar documentos oficiais para obter grandes lucros ilícitos“, e também divulgou os documentos que detalhavam as acusações. Kravchenko indicou ter aprovado acusações contra uma pessoa próxima do chefe da Procuradoria Especializada Anticorrupção, Oleksander Klimenko, sem revelar a sua identidade.
Ruslan Kravchenko acrescentou que, “até agora, estava politicamente limitado a tomar estas decisões pelo Presidente e pelos funcionários anticorrupção”. O procurador-geral exigiu que Krivonos e Klimenko “renunciem hoje, sem envolver agências e equipas num conflito pessoal numa luta por si próprios e pelo seu círculo íntimo”. Kravchenko defendeu ainda que o NABU e a Procuradoria Especializada Anticorrupção não estão focados no combate à corrupção, mas sim “em transformar-se num centro independente de poder político, não eleito pelo povo ucraniano e que se esquiva à responsabilidade política”.
Por fim, salientou que estas agências lançaram a “Operação Cartago” — focada numa rede chefiada por procuradores de alto nível que alegadamente aceitaram subornos para proteger centrais telefónicas fraudulentas — para obter acesso aos processos contra altos funcionários de ambas as agências e interromper estas investigações.
O caso Cartago foi precisamente o que levou Kravchenko a demitir-se a 7 de setembro, depois de o NABU e a Procuradoria Especializada Anticorrupção terem anunciado o desmantelamento de uma organização criminosa liderada pelo chefe de uma das divisões da Procuradoria-Geral, que alegadamente recebia subornos sistemáticos de centros de telemarketing fraudulentos e lavava os fundos obtidos.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu às declarações de Kravchenko instando os deputados do país a apoiarem “o mais rapidamente possível” a sua destituição do cargo de procurador-geral.”Só há um caminho para este procurador-geral: a sua destituição do cargo. Foi isso que lhe disse”, afirmou Zelensky numa mensagem nas redes sociais. “A Ucrânia já viu todos os motivos. Se consideram que é pressão política, que assim seja. Exorto os parlamentares a apoiarem a sua demissão o mais rapidamente possível”, enfatizou esta segunda-feira.
Por outro lado, o Centro de Ação Anticorrupção ucraniano defendeu que a saída de Ruslan Kravchenko da Ucrânia apenas foi possível com o consentimento de Zelensky, associando o Presidente ucraniano ao caso.
There is only one path for this Prosecutor General: removal from office. That is what I told him. Ukraine has seen all the reasons why. If he considers this political pressure, he is free to call it that. I ask parliamentarians to support his removal without delay.
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) September 14, 2026
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