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Thursday, October 15, 2026

Brasil enterra a 6x1. Agora, é vigiar o túmulo para que não ressuscite

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Sempre que se propõe ampliar direitos, a sirene toca: vai quebrar o país. Tocou na abolição, tocou no 13º salário, tocou na PEC das Domésticas. O país não quebrou. Quem quebrou, quase sempre, foi o trabalhador.

Dito isso, convém conter a euforia. A aprovação é o começo de uma caminhada, não a linha de chegada. O texto prevê transição: o teto semanal será de 42 horas passados dois meses da publicação e de 40 horas após um ano e dois meses. É tempo suficiente para empresas se adaptarem e, também, para que muitas tentem dar um jeitinho. E aí entra a fiscalização. Direito que não é fiscalizado vira enfeite constitucional.

E o retrocesso está sempre à espreita. Flávio Bolsonaro, que anteriormente criticava a proposta e defendia a remuneração por hora trabalhada, declarou apoio e votou pelo fim da escala 6×1. Uma conversão às vésperas do segundo turno, depois de ver as ruas e as pesquisas apoiando a proposta abraçada por Lula. Mas ele também afirmou que, caso eleito, fará alterações na PEC em favor dos empresários, e aliados seus prometem ao setor uma nova proposta que esvaziaria a conquista sob a bandeira da "livre negociação".

Livre negociação entre quem? Entre um patrão com advogados, caixa e a possibilidade de substituir funcionários amanhã, e uma trabalhadora que precisa do salário para pagar o aluguel do mês que vem? Isso não é negociação, é a raposa e a galinha discutindo o cardápio do jantar.

A reforma trabalhista de 2017 já mostrou o que acontece quando o "negociado" é colocado acima do legislado num país com sindicatos enfraquecidos e desemprego como chicote.

Há 138 anos, o Brasil prometeu que trabalhador deixaria de ser objeto. Há 38, prometeu que ele teriam tempo para isso. Nesta quarta, o Congresso começou, enfim, a pagar a conta. Cabe agora à sociedade garantir que ninguém venha, com um sorriso no rosto em nome da liberdade, tentar renegociar a dívida.

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