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Tuesday, September 22, 2026

11h.Incêndio Salir do Porto. Três bombeiros ficaram feridos

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Fazemos aqui o jornal.

E o dia fica marcado pela morte de Jorge Palma. Carla, o cantor e compositor tinha 76 anos.

No anúncio feito pela família nas redes sociais, é pedido que Jorge Palma seja lembrado pelas canções e pelas palavras. O Presidente da República decidiu homenagear Palma no Palácio de Belém. Ao longo do dia, algumas das canções que marcaram o percurso do autor de temas como "Frágil", "Estrela do Mar", "Bairro do Amor Oeste", que ouvimos, "Dá-me lume", vai ecoar na rua. Tal como já tinha feito a propósito da morte de Luís Represas, a 22 de julho, António José Seguro quer assim homenagear o legado musical de Jorge Palma.

E ao longo da manhã temos estado a ouvir reações de quem conhecia bem Jorge Palma, entre artistas e músicos. Todos falam numa figura que vai marcar para sempre a cultura nacional.

Começamos com David Ferreira, que foi o responsável pela edição de vários álbuns de Jorge Palma. Lembra o problema que o cantor teve com o álcool e explica que, por isso, havia editores que não queriam trabalhar com ele. Ainda assim, David Ferreira acreditou e descreve Jorge Palma como um homem com um talento raro.

E a expectativa era muito baixa. E era baixa não apenas dentro da editora, mas era baixa também fora da editora, porque o álcool tinha tomado completamente conta do Jorge. E houve várias pessoas que vinham ter comigo e diziam: "Mas para que tu vais assinar um disco para o Jorge Palma? Eu não acredito que ele volte a gravar um disco." E eu lembro de dizer: "Mas ele tem talento. O talento que o Jorge tem é tão raro que temos que acreditar." E ele depois grava um disco, que é um bocadinho remendado, no sentido em que ele aproveita canções que ia fazendo.

Ouvimos também Rita Carmo, autora do livro de fotografias de Jorge Palma, publicado em 2023. Ela recorda o momento em que o convidou para ser fotografado durante a pandemia.

Mas o Jorge, eu sabia onde é que ele estava, eu liguei-lhe e mandei-lhe uma mensagem e ele: "Sim, sim, aparece aí." E eu disse: "Ó Jorge, espera lá, tem calma. Tens a noção disso?" "Não, não, não tem problema nenhum. Aparece aí, estás longe, não vamos fazer nada de mal. Vens cá." Ele estava em casa, portanto, completamente à vontade. Mas em relação àquilo que as pessoas pensam, de como é que ele está ou como é que não está, ele não se preocupava com isso e às vezes até tínhamos de ser nós à volta: "Jorge, estás despenteado" . E ele não ligava nada.

Rita Carmo, autora do livro de fotografias de Jorge Palma, que foi publicado em 2023.

E um dos produtores de Jorge Palma, Manuel Moura Santos, recorda os 17 anos de trabalho com o artista.

E conta que foi um trabalho fácil.

Eu trabalhei 17 anos com ele, 18, se incluir o Rio Grande. E guardo esse tempo com recordações extraordinárias. Os discos que ele fez enquanto eu trabalhei com ele, que foram pelo menos quatro discos originais e dois discos ao vivo. E um marcante, porque provavelmente terá sido o maior sucesso da carreira dele, foi o "Boa Noite". E eis que era fácil.

Era fácil. Manuel Moura dos Santos chegou a ser manager ao longo dos mais de 50 anos de carreira de Palma.

E Álvaro Covões, promotor musical, destaca a grande base de estudos do cantor e compositor, para além do talento inato de Jorge Palma.

E é por isso que o descreve como o Cristiano Ronaldo da música.

É evidente que para ser artista tem que ser uma pessoa extraordinária, tem que ser um talento inato. Mas ele fez uma coisa que muitos artistas não fazem ou não fizeram: ele estudou. Ele tinha o curso superior de piano, ele sabia solfejo. Ele aprendeu a escrever letras em português com homens tão extraordinários como José Carlos Ary dos Santos. E isso tornou-o ainda melhor. Acho que podemos dizer que ele era o Cristiano Ronaldo da música, porque tinha um talento inato, mas trabalhou muito. E trabalhar não é só ensaiar, trabalhar também é estudar.

É o que diz Álvaro Covões. Diz que Palma traduzia na música aquilo que é ser português.

E Carla, vamos agora recordar a vida e obra de Jorge Palma. O cantor exilado na Dinamarca voltou a Portugal depois do 25 de abril para editar o primeiro disco.

Mas tudo começou em criança, quando começou a tocar piano, ainda como uma brincadeira. Miguel Pina Andrade.

Começou a ter aulas de música com seis e nos 70 anos seguintes cantou e deu lume à música e à cultura portuguesa. Com um passo inseguro, estreou-se em 1972, a solo e em inglês, com o single "The Nine Billion Names of God". Embora a carreira comece a ser cantada em 1972, o percurso na música começou oito anos antes, aos 14, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop rock.

Eu neste momento, com a distância que tenho, vejo que foi uma encruzilhada. Eu podia ter virado por esse caminho, mas não. Eu decidi cortar completamente com a música clássica. Era realmente o contrário de mim. Acho que era muito mais só.

Não foi só que fez a caminhada na música. Nos 54 anos de carreira, colaborou com outros artistas em projetos como o Palmas Gang, cantou ainda com José Mário Branco e Sérgio Godinho. Depois do primeiro álbum, "Como uma viagem na palma da mão", gravou mais três originais e cada um corresponde a um momento da vida de Jorge Palma, incluindo "O lado errado da noite".

"Santa Apolónia lotada, magotes de gente".

Jorge Palma assumia publicamente a longa batalha com o alcoolismo. Em 2023, dizia ao jornal Público que tinha essa doença, esse handicap. "O lado errado da noite" foi lançado em 1985 e incluía o single "Deixa-me rir".

"Deixa-me rir".

Deixou-se rir e deixou-se ir na vida académica. Em 1990, termina os estudos de piano no conservatório e logo a seguir grava "Só", editado em 1991, um álbum em que Jorge Palma revisita apenas ao piano canções dos discos das duas décadas anteriores.

"Estava eu sem ter onde cair vivo".

O álbum mais recente, "Vida", foi editado em 2023 e em abril deste ano, Jorge Palma foi distinguido com o Prémio Carreira dos Prémios da Música Portuguesa.

"Na terra dos sonhos podes ser quem tu és."

Mia Pina Andrada, a recordar a vida e obra de Jorge Palma. O cantor e compositor morreu ontem à noite aos 76 anos.

11h08. Já a seguir voltamos ao Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque esta manhã de terça-feira?

Três bombeiros ficaram feridos esta madrugada no combate a um incêndio em Salir do Porto, concelho das Caldas da Rainha. Foram levados para a urgência do Hospital das Caldas por situações de trauma e uma situação de exaustão. É a explicação avançada à agência Lusa pelo comandante dos Bombeiros das Caldas da Rainha. Dois tiveram altas. O terceiro elemento, uma mulher, foi transferida para o Hospital de Torres Vedras, ainda está internada em estado de exaustão. O presidente da Ucrânia já está em Nova York, vai participar na Assembleia Geral das Nações Unidas. Volodymyr Zelensky aterrou esta madrugada. De acordo com uma mensagem que divulgou na rede social X, tem 20 reuniões em agenda. Destaque para o encontro com Donald Trump. E nesta terça-feira, 22 de setembro, estamos a assinalar a morte de Jorge Palma e a recordar várias canções, como esta, "Dá-me lume".

Chegaste com três lindéns e o ar de quem não tem muito mais a perder. O vinho não era bom, a banda não tinha tom, mas tu fizeste a noite apetecer.

É mais um êxito do álbum de 1989, "Bairro do Amor", e desde então tem sido o pretexto para alguns duetos memoráveis. Jorge Palma, a fechar este jornal das 11h.

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