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Sunday, October 25, 2026

Golpes com imóveis disparam e registros chegam a 86 por dia nas regiões de Campinas e Piracicaba

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Segundo o levantamento, de janeiro a agosto de 2026, foram 20.988 casos registrados. Nesse tipo de estelionato, são consideradas as seguintes situações:

  • Venda de imóvel que não pertence ao vendedor;
  • Falsificação de documentos;
  • Venda do mesmo imóvel para várias pessoas;
  • Anúncio falso;
  • Golpe do aluguel;
  • Loteamento irregular ou inexistente;
  • Fraude em financiamento imobiliário;
  • Procuração falsa;
  • Golpe da regularização imobiliária
  • Fraude em herança e inventário
  • Aquisição mediante pagamento fraudulento;
  • Uso indevido de identidade digital.

O empresário Marcos Eduardo de Barros assinou, em janeiro de 2021, um contrato para comprar um terreno de 605 metros quadrados em um loteamento de Elias Fausto (SP). Um tempo depois, descobriu que o lote não poderia ter sido comercializado.

"Na época, a gente deu 25 mil reais de entrada, só que aí venceu o tempo, a gente conversou com um, conversou com outro e começamos a cobrar. 'Ah, porque atrasou a obra', 'está chovendo demais' e começou aquela enrolação", conta.

Marcos afirma que encontrou um processo judicial de 2019 movido por outra pessoa que havia comprado um terreno no mesmo loteamento. Foi nesse momento que percebeu que a negociação era irregular.

Nas redes sociais, a empresa anunciava lotes de chácaras por R$ 600 o metro quadrado, com desconto para pagamento à vista. O empreendimento chegou a abrir ruas e construir uma portaria. Ao suspeitar da fraude, Marcos procurou a polícia.

"Fiz boletim de ocorrência na delegacia de Monte Mor, porque além dessa enganação que eles fizeram, isso é crime, isso é estelionato, diz"

Como o golpe funciona e como evitar

Golpes com imóveis disparam e registros chegam a 86 por dia nas regiões de Campinas e Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Oswaldo Diez Junior, diretor da Polícia Civil na região de Campinas, diz que a tática funciona com o golpista sempre apressando a vítima para fechar o negócio.

"Eu sempre falo o seguinte, nada é tão importante, nada é tão rápido que não demande uma checagem prévia daquela documentação", conta.

A principal orientação é pesquisar tanto o imóvel quanto o vendedor antes de fechar qualquer negócio.

"Analise as certidões, veja se existe algum débito, veja se aquele bem está desimpedido, veja se aquele intermediário realmente é um intermediário que está registrado no Creci. Tudo isso é fundamental para evitar que se caia no golpe", explica.

De acrordo com o delegado, a conta bancária que o proprietário do imóvel solicita os depositos também é um sinal de alerta. Se a conta não for vinculadas ao vendedor, pode indicar um golpe.

"Não deposite dinheiro de entrada, dinheiro de parcelas em contas que não são vinculadas ao vendedor", explica Diez

O que fazer após cair em um golpe

Golpes com imóveis disparam e registros chegam a 86 por dia nas regiões de Campinas e Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Para o advogado Haroldo Saboia, se não houver acordo entre as partes, a vítima pode recorrer à Justiça para buscar indenização.

"Depois do boletim de ocorrência, depois das reclamações administrativas, com toda aquela documentação em mãos, aí ela entra na Justiça para tentar pedir um dano material, inclusive um dano moral", explica.

Marcos, que ainda aguarda uma decisão judicial, deixa um alerta para quem pretende comprar um imóvel.

"Não compre nenhum imóvel que não tenha escritura regular. É o conselho, pode ser o mais barato do mundo, pode ser o mais lindo do mundo. Se ele não tiver um papel para você passar no seu nome e chamar de seu, não caia nessa, é furada", finaliza.
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