Políticos que migraram para siglas da direita se reelegeram mais em 2026


Os dados indicam também que 37% daqueles que migraram do centro para a esquerda conseguiram um novo assento. Trocar um partido de direita por outro de esquerda funcionou para 53% dos candidatos.
No Mato Grosso do Sul, o radialista e deputado estadual Lucas de Lima migrou do PDT para o PL em março deste ano. Na ocasião, em entrevista à TV Record, disse acreditar que o Brasil precisa de transformações e "essas mudanças significativas estão em um partido mais à direita".
"As pautas que eu defendo cabem em qualquer partido, seja ele de direita ou de esquerda, como a causa animal, o direito da mulher, ao emprego, a uma moradia, que estão na Constituição", afirmou Lima, reeleito para o mesmo cargo.
No fim de 2022, o deputado apoiou uma moção de congratulação da Assembleia Legislativa de MS ao presidente Lula (PT), que havia ganhado a eleição. A homenagem não recebeu a quantidade de votos necessária e foi rejeitada pela Casa.
O deputado federal Léo Prates também deixou o PDT e se filiou ao Republicanos na Bahia, pelo qual se reelegeu. Relator da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que acaba com a escala 6x1, o parlamentar mudou de legenda após a sigla apoiar a candidatura do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Entre 552 candidatos que trocaram de sigla, só três se movimentaram em direção à esquerda na região Sul e um na região Centro-Oeste. Nenhum deles se reelegeu.
No Norte, foram três em direção à esquerda, com um eleito. No Sudeste, também três, com apenas um reeleito.
No Nordeste, 23 políticos caminharam para a esquerda, com 14 reeleitos. Nessa região, houve um movimento em direção ao centro. Um total de 65 candidatos mudaram para partidos de centro, dos quais 37 se reelegeram.
Lá, o petista recebeu mais que o dobro dos votos do senador e concorrente Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno deste ano. O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro conseguiu reduzir a dianteira de Lula na região em 2026.
Vale a pena trocar de partido?
O UOL também estimou a taxa de reeleição geral de quem mudou ou não de sigla. Permanecer no mesmo partido, em geral, é mais vantajoso: 74% dos vencedores das eleições passadas que permaneceram na sigla foram bem sucedidos em 2026.
Já entre os que migraram de partido, 60,5% conseguiram renovar o mandato.

O cientista político Eduardo Grin afirmou ao UOL que "a direita em geral, no mundo, tem avançado em pautas de costume, mais conservadoras". Grin é pesquisador do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas.
"Existe um espaço que talvez dê para entender que candidatos que mudam de partido, que passam a entender que esse tipo de discurso tem apelo eleitoral, pode ser que isso faça com que ele ou ela aumente a possibilidade de reeleição. Do lado contrário, o oposto", disse.
Grin acrescentou que o eleitor e o Congresso brasileiros são, historicamente, de direita, não são progressistas. Mesmo em períodos em que a esquerda estava no auge, como nos governos Lula de 2002 e 2010.
Houve uma aceleração a partir da eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2018, quando se tornou "muito mais conservador e vinculado à extrema-direita".
"Se a mediana do Congresso está caminhando cada vez mais para ser conservadora, faz sentido a gente pensar que o saldo líquido de reeleição para direita é maior do que aqueles da esquerda", registrou.
Por outro lado, Grin pontuou que os deputados têm, atualmente, um alto volume de recursos para aplicar na forma de emendas parlamentares. Podem, assim, conseguir um apoio local que garanta a reeleição.
"A taxa de reeleição, nesse caso, pode medir mais o sucesso eleitoral da própria pessoa do que uma posição político-partidária ou ideológica", afirmou.
Como funciona a troca de partido
O TSE abriu uma janela partidária de 30 dias, em março deste ano, para que parlamentares federais, estaduais e distritais, no caso do Distrito Federal, mudassem de sigla sem perder os mandatos. A medida está prevista na Lei dos Partidos Políticos.
A janela partidária é aberta em ano eleitoral, sete meses antes da votação. Neste ano, a norma valeu apenas para o cargo de deputado. Os vereadores eleitos em 2024, por exemplo, não puderam usar o período deste ano para trocar de legenda.
Quem ocupa os cargos de presidente, governador e senador, pode mudar de partido. No caso dos deputados é diferente porque a Justiça Eleitoral considera que o mandato de cargos proporcionais, como deputados e vereadores, pertence ao partido político.
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