Cunhado de Júnior Friboi leva 'estilo texano' para o mercado imobiliário de Goiânia
Após adquirir uma fazenda com mais de 3 milhões de m² em Goiânia, o empresário Gabriel Fortes, dono da incorporadora BrDU Urbanismo, tinha uma certeza: o projeto residencial que seria lançado ali não poderia reproduzir o mesmo padrão dos empreendimentos de alto padrão do principal polo do agronegócio brasileiro.
O caminho encontrado foi atender uma demanda muito específica dos pecuaristas da região: criar um imenso condomínio para que os empresários pudessem reunir seus cavalos em um único local.
Lançado no primeiro semestre, o Fazenda Villagio foge do condomínio de luxo padrão com grandes áreas de lazer, quadras de tênis e beach tênis, piscinas e uma portaria imperiosa. Arriscar por um produto assim, afirma Fortes, seria como "entrar numa briga de faca onde todo mundo sai machucado".
Cunhado e ex-sócio de José Batista Júnior –mais conhecido como Júnio Friboi, irmão mais velho de Wesley e Joesley Batista—, Fortes diz que chamou sua atenção o crescimento do mercado de leilões de cavalos. Com a JBJ Ranch, empresa que atua com a criação de cavalos de elite, Júnior chegou a vender mais de R$ 257 milhões em um leilão de maio deste ano.
"Começamos a conversar com algumas pessoas do setor e todo mundo reclamava da falta de estrutura em Goiânia. Hoje, se eu tiver um cavalo de R$ 500 mil, R$ 1 milhão, eu não tenho onde colocar. Não temos uma estrutura de hípica ou um centro equestre de qualidade na região metropolitana", diz Fortes.
A BrDU contratou a arquiteta Diana Brooks, especialista em instalações equestres, e buscou em Fort Worth, no Texas (EUA), referência para o projeto. A partir do modelo adotado na cidade americana, a incorporadora desenvolveu em Senador Canedo —município a 20 km de Goiânia— um conceito de moradia inteiramente voltado à prática equestre.
No final de semana do lançamento da primeira fase, a companhia vendeu 92% do projeto. O primeiro condomínio foi planejado com 571 lotes de 700 m², distribuídos em uma área de aproximadamente 850 mil m². O empreendimento também terá um centro equestre, áreas de clube e eventos e um centro comercial, somando 1 milhão de metros quadrados.
Formado em administração, Gabriel Fortes é descendente dos fundadores da João Fortes Engenharia S.A., empresa carioca listada na bolsa e que pertenceu à família até 2007. Ele conta que a principal regra imposta pelo avô era que nenhum dos netos ocupasse cargos na construtora. A decisão do patriarca, que teve dez filhos e 26 netos, acabou evitando disputas entre os herdeiros pelo comando dos negócios da família.
A empresa, porém, não chegou à terceira geração, foi vendida e mudou de dono.
Fortes construiu sua carreira no mercado financeiro e chegou à Ágora, corretora de valores do Bradesco. Em 2011, quando se mudou para Goiânia, a família duvidava que ele se adaptaria à nova rotina. Afinal, era surfista e, como ele próprio se define, um autêntico "menino do Rio".
"Minha esposa mesmo falava que não tinha como dar certo, mas Goiânia é uma cidade espetacular, com uma qualidade de vida excepcional e com características de cidade grande. Hoje é o contrário, muitos dos meus amigos com filhos no Rio falam em mudar para Goiânia por causa da segurança e do ritmo."
Foi nesse período que ele montou a JFG Construções e Participações, holding com operações em investimento imobiliário que atuava em parcerias com incorporadoras locais.
No ano seguinte, Fortes e Júnior Friboi, que era seu sócio, adquiriram 51% da BrDU Urbanismo, companhia fundada em 2010, e aceleraram a expansão do negócio. O empresário avalia que o segmento de crédito para loteamentos, naquele momento, estava desassistido do financiamento bancário tradicional.
"Na incorporação você comprou o terreno ou fez uma parceria, lançou o produto, está com 40% vendido e 20% de obra em andamento, o banco vem e financia a construção. No loteamento não tem isso, é muito capital próprio", explica.
Com o crescimento da companhia, os dois venderam, em 2016, 40% do negócio para a VBI, gestora hoje controlada pelo Pátria. Dois anos depois, liquidaram a participação na BrDU.
Fora da incorporadora, Fortes seguiu no ramo de investimentos imobiliários e ajudou a montar um projeto hoteleiro no Sul do país. O Fazenda Villagio, avalia o empresário, marca sua retomada ao controle da BrDU, que aconteceu em 2023.
"Eu tinha comprado a BrDU alguns meses após aparecer essa área. E na época eu fiquei na dúvida, porque às vezes, quando chega uma área muito boa e você não tem o produto certo para colocar ali, não adianta muito. Se a gente não lançasse um condomínio diferenciado, não daria certo."
O antigo proprietário era um conhecido que faleceu durante a pandemia. A área ficou de herança para a esposa e a filha, que queriam vender o imóvel.
O projeto inicial do Villagio previa um centro equestre com 20 baias, mas a estrutura foi ampliada para as atuais 120 diante da percepção da companhia de que a adesão ao empreendimento seria alta. O espaço é inspirado no centro equestre de Fort Worth, onde também são realizados leilões de gado.
O VGV (valor geral de vendas) da primeira fase deve chegar a quase R$ 300 milhões. Fortes brinca que o metro quadrado de Goiás continua muito longe de centros como São Paulo, onde a média do metro é muito superior. Por outro lado, ainda é mais fácil encontrar áreas grandes em boas localizações e com um custo menor.
"No interior de São Paulo você acha uma fazenda com essa característica, tem várias. Mas estávamos olhando uma fazenda na região de Sorocaba, por exemplo, que é muito montanhosa, o que acaba deixando custo de obra muito maior do que em Goiânia."
Folha Mercado
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A fase dois do Villagio deve ser lançada no primeiro semestre do próximo ano e o projeto está em desenvolvimento. A ideia é estruturar pouco mais de 600 lotes com o preço um pouco maior.
Fortes afirma que a meta da BrDU, hoje com cerca de 75 funcionários, é seguir crescendo pelo Centro-Oeste, principalmente cidades pequenas de Goiás e Mato Grosso, onde a força do agro é o principal vetor de crescimento populacional.
No Mato Grosso, em que as empresas de grãos são mais fortes, a distribuição de renda "ficou mais interessante", com melhores salários e um nível de instrução maior, segundo o empresário.
A meta da companhia, que contabiliza um landbank (banco de terras) de R$ 3 bilhões, é lançar mais 4.000 lotes nos próximos cinco anos.
Questionado sobre um possível retorno dos Batistas à empresa, Fortes diz que hoje a família só faz negócios na base da "troca de ideias e conhecimento". Foi de Fabrício Batista, filho de Júnior e CEO da JBJ Ranch, a indicação da arquiteta que poderia transformar o condomínio em um espaço equestre.
"O foco do meu sogro, dos meus cunhados, é agro mesmo, é fazenda, boi. É o que está dando certo, e não tem por que diversificar. As portas estão sempre abertas, estamos sempre conversando, mas não tem essa vontade hoje, não."
RAIO-X | GABRIEL FORTES, 41
Formação: Formado em Administração pela PUC-RJ, é especializado em finanças pela Coppead-UFRJ, Urban Retail pela Universidade de Harvard, e finanças para executivos pela Universidade de Indiana State, entre outras especializações
Carreira: No mercado financeiro, passou por gestoras como a Leka Investimentos e a Ágora, do Bradesco. Fundou a JFG Construções e foi dono da BrDU em dois momentos, o último como dono majoritário da companhia
RAIO-X | BRDU URBANISMO
Fundação: 2010
Funcionários: 75
Valor Geral de Vendas em 2025: R$ 1 bilhão
Landbank: R$ 3 bilhões
Onde atua: é focada em GO, MS e MT, e tem construções no MA, PA, BA, ES e SP
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