Lojas da Baixa são tema de exposição grátis em Lisboa

Muitas das lojas cujos donos são idosos não têm Instagram, mas Isa abriu um perfil na rede social não só para divulgar as obras criadas por si própria, mas também para contar a história de cada uma das moradas e o que se pode comprar nestas. “Não percebo essa história de que ‘na Baixa não há nada’ e não há moradores. Tenho todas as minhas necessidades muito bem atendidas pelo bairro”, diz. Muitos dos comércios foram úteis para ela em especial na altura em que estava a frequentar o mestrado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa – antes, concluiu a licenciatura em Ilustração no Camberwell College of Art, em Londres.
Isa, que é filha de pai brasileiro com ascendência portuguesa e de mãe neozelandesa, já viveu em várias cidades pelo mundo. Mas escolheu a Baixa, há dez anos, para chamar sua casa. “Era preciso mesmo um estrangeiro” para chamar a atenção para o comércio local, considera. “Adorava que os lisboetas tivessem uma relação com o bairro como se fosse um familiar, que falassem do mesmo com ternura e carinho”, diz. “Há imensa energia gasta a falar do que foi e do que poderia ser a Baixa, mas acredito que nos devemos focar naquilo que existe”.
A artista destaca o “desdém e a raiva” alfacinha contra as lojas de souvenirs. “Percebo, são muitas. Mas por outro lado, tê-las é ver o bairro com o oposto do abandono. Há coisas cá, há pessoas”, diz, revelando sentir-se mais segura ao caminhar pelas ruas à noite, quando as lojas de presentes para os turistas, abertas até tarde, iluminam o passeio. Isa lamenta a “raiva” direcionada aos trabalhadores deste tipo de loja. “Estão dia e noite a trabalhar, a cuidar e limpar o espaço”. As críticas ao bairro, diz, devem ser direcionadas ao “descuido com o património, o abandono das ruas, o lixo, às árvores retiradas”.
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