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Tuesday, October 20, 2026

Gigante de R$ 20 bilhões lança nova geração de supermercados sem caixas no Brasil

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Comprar frutas, escolher produtos na padaria, retirar mercadorias das prateleiras e sair do supermercado sem precisar passar pelo caixa. Essa é a proposta da nova geração de lojas autônomas que o Grupo Muffato, sexta maior rede supermercadista do Brasil, vai inaugurar nesta quarta-feira, 21, em Curitiba, no Paraná.

A novidade faz parte da estratégia da companhia de ampliar o uso de inteligência artificial no varejo físico. Com investimento de R$ 10 milhões, a unidade será aberta no bairro Centro Cívico e utilizará centenas de câmeras e sensores para identificar automaticamente os produtos escolhidos pelos consumidores, dispensando a leitura de códigos de barras.

A aposta vem de uma empresa que faturou R$ 20,3 bilhões em 2025, segundo o Ranking ABRAS 2026, da Associação Brasileira de Supermercados. Com cerca de 130 lojas no Paraná e em São Paulo, o grupo é a maior rede de varejo alimentar paranaense e ocupa a sexta posição no ranking nacional.

A nova operação, batizada de MGO, é apresentada pela companhia como a "maior loja de compras totalmente autônomas da América Latina". O objetivo é transformar uma tecnologia que começou como um laboratório de testes, há quatro anos, em um novo modelo de negócios para a rede.

“Nós temos essa característica de inovar e de ousar para construir um varejo cada vez mais eficiente. E a nova geração da MGO chega para isso – através da tecnologia, elevar a experiência de compras”, diz Ederson Muffato, diretor do Grupo Muffato.

Como funciona o supermercado sem caixas

O funcionamento da nova unidade foi desenvolvido para eliminar algumas das etapas mais demoradas de uma compra tradicional. O consumidor entra no estabelecimento, escolhe os produtos e não precisa registrar individualmente os itens retirados das prateleiras.

A tecnologia combina inteligência artificial, visão computacional e sensores instalados nas gôndolas. São 587 câmeras com resolução 4K e 817 prateleiras sensorizadas, que trabalham de forma integrada para acompanhar a movimentação das mercadorias.

Quando um cliente retira um produto, o sistema identifica o item e o adiciona automaticamente a uma cesta virtual. Se ele devolver a mercadoria à prateleira, a tecnologia acompanha a movimentação para atualizar a compra.

Uma das principais novidades está na capacidade de reconhecer produtos vendidos por peso, como frutas, legumes, verduras e itens de padaria. Esses alimentos representam um desafio para os sistemas autônomos porque nem sempre possuem códigos de barras individuais ou preços fixos.

Para resolver o problema, a nova unidade cruza informações de peso com imagens captadas pelas câmeras. Dessa forma, o sistema consegue identificar o produto escolhido e registrar a compra sem exigir que o consumidor pese a mercadoria em uma balança convencional ou cole etiquetas.

O pagamento também passa por mudanças. Na primeira geração da MGO, era necessário baixar um aplicativo e utilizar um QR Code para entrar na loja. Agora, o cliente pode acessar o estabelecimento sem cadastro prévio.

Quem utilizar o aplicativo poderá sair após concluir as compras, com o valor debitado automaticamente do cartão cadastrado. Já os consumidores que preferirem não usar o aplicativo poderão pagar em totens instalados na saída, utilizando Pix, cartões ou vale-alimentação.

Nesse segundo caso, a tecnologia recupera a cesta virtual e apresenta o valor da compra. Não é necessário escanear os produtos novamente.

Por que a rede está apostando em inteligência artificial

O projeto foi desenvolvido em parceria com a Sensei, empresa portuguesa especializada em automação para o varejo. Além de facilitar o processo de compra, a tecnologia será utilizada para melhorar a gestão operacional do supermercado.

O sistema consegue identificar, por exemplo, quando determinado produto está acabando na prateleira e avisar a equipe responsável pela reposição. Também permite acompanhar padrões de consumo, reduzir perdas operacionais e reunir informações para planejar estoques e organizar o espaço físico.

A infraestrutura inclui mais de 70 controladores responsáveis pela comunicação entre sensores e prateleiras. Os equipamentos alimentam os algoritmos que processam as informações coletadas durante as compras.

No futuro, a mesma tecnologia poderá ser utilizada para organizar as rotas de separação de pedidos do comércio eletrônico, integrando as operações físicas e digitais.

“A MGO mostra o que a IA já consegue fazer numa loja física. Os nossos modelos reconhecem cada produto e cada interação, e a equipe recebe a tarefa certa no momento certo”, afirma Vasco Portugal, CEO e cofundador da Sensei.

Segundo o executivo, uma das principais vantagens para os supermercados está na capacidade de transformar os dados coletados nas lojas em informações para a gestão do negócio.

Para o Muffato, a inauguração representa uma nova etapa de uma estratégia que já incluiu a introdução de terminais de autoatendimento, sistemas de compras digitais e soluções de pagamento por reconhecimento facial.

A diferença agora é a intenção de fazer da loja autônoma um modelo de negócios, e não apenas um espaço para experimentar tecnologias.

Como uma rede do interior do Paraná chegou aos R$ 20 bilhões

A história do Grupo Muffato começou em 1974, quando José Carlos Muffato, conhecido como Tito, Pedro Muffato e Hermínio Bento Vieira abriram um armazém de secos e molhados em Cascavel, no oeste do Paraná.

O negócio cresceu aproveitando o desenvolvimento econômico da região, especialmente durante a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que impulsionou a circulação de trabalhadores e o consumo em cidades como Foz do Iguaçu.

Em 1989, a empresa já contava com cinco lojas e faturava R$ 40 milhões. Sete anos depois, havia chegado a oito unidades e R$ 85 milhões em receita.

Foi naquele momento que a família enfrentou uma mudança decisiva. Em março de 1996, Tito Muffato morreu em um acidente aéreo, deixando os três filhos adolescentes, Ederson, Everton e Eduardo, diante da responsabilidade de assumir os negócios.

Ao lado da mãe, eles decidiram manter a operação e conduziram uma expansão que transformaria a empresa regional em uma das maiores redes supermercadistas do país.

Em 2003, o grupo já faturava R$ 640 milhões, operava 20 lojas e havia conquistado a liderança do varejo alimentar paranaense.

Nas décadas seguintes, a companhia ampliou sua atuação no atacarejo, no comércio eletrônico e em novos mercados. Um dos movimentos mais importantes ocorreu em 2023, quando adquiriu 16 lojas e 11 postos de combustíveis do Makro, abrindo caminho para uma expansão mais expressiva em São Paulo.

No ano seguinte, em parceria com a rede Festval, comprou oito unidades da bandeira Nacional, em Curitiba, anteriormente operadas pelo Carrefour. Os investimentos nas duas operações somaram cerca de R$ 400 milhões.

Hoje, a empresa mantém o capital integralmente familiar e reúne aproximadamente 130 lojas distribuídas pelo Paraná e por São Paulo.

Com faturamento de R$ 20,3 bilhões em 2025, o Muffato tem uma receita quase sete vezes superior à da segunda colocada no ranking paranaense de supermercados, a Cia. Beal de Alimentos, dona da bandeira Festval, que faturou R$ 2,9 bilhões no período.

O desafio da companhia agora é consolidar sua presença fora do Paraná, especialmente no competitivo mercado paulista, onde disputa consumidores com grupos como Carrefour, Assaí e GPA.

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