Testes genéticos ajudam a rastrear câncer de mama; entenda para quais casos são indicados
Mulheres que têm ou tiveram câncer de mama podem se perguntar se devem fazer o teste genético para rastrear a presença dos genes BRCA1 e BRCA2, que apontam predisposição hereditária para a doença.
O exame já é amplamente disponível pela rede privada e começa a ser oferecido pela rede pública. Segundo sociedades médicas, o sequenciamento é benéfico para tomar medidas de prevenção, mas a recomendação para fazer o teste depende da história pessoal e familiar de cada paciente.
Para a médica geneticista Anna Claudia Santos, do Núcleo de Aconselhamento Genético do Inca (Instituto Nacional de Câncer), a avaliação genética pode ser necessária em casos de câncer de mama em idade jovem (abaixo de 35 anos), do tipo triplo-negativo ou nas duas mamas.
Também entram na lista a combinação de câncer de mama e de ovário na mesma pessoa, a doença em homens e a ocorrência de vários casos de câncer de mama, ovário, pâncreas ou próstata na família.
A SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia) cita situações semelhantes, com destaque para o diagnóstico antes dos 50 anos, câncer de ovário na família e parentes com alteração genética hereditária já conhecida.
Segundo a entidade, a avaliação genética também pode ser indicada para muitas mulheres já diagnosticadas com câncer de mama, mesmo sem histórico familiar expressivo. Os resultados podem orientar decisões sobre o tratamento e a prevenção de novos tumores.
Alessandra Borba, coordenadora de Oncogenética da SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia), explica que a testagem em uma família com histórico de câncer de mama deve começar por mulheres que têm ou tiveram a doença.
"Se eu testo alguém que tem histórico de câncer na família e não teve câncer, essa pessoa pode ser alguém da família que não herdou alteração genética, mas na família teve alteração genética", afirma.
As instituições ressaltam que o histórico deve considerar as famílias materna e paterna, já que a predisposição pode ser herdada de qualquer um dos pais. Também afirmam que BRCA1 e BRCA2 são os genes mais conhecidos, mas não os únicos associados ao risco, e que a análise às vezes precisa ser ampliada.
Disponível em clínicas particulares, o teste genético hoje custa de R$ 1.000 a R$ 3.000.
Em maio deste ano, uma portaria do governo federal determinou que o exame passasse a ser oferecido de forma gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O órgão tem até 9 de novembro para disponibilizar o exame, segundo o prazo estabelecido.
Questionado sobre como está o processo para tornar o teste acessível, o Ministério da Saúde respondeu que "o Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para identificação de mutações nos genes BRCA1/2 em mulheres com câncer de mama está sendo implementado por meio da definição da linha de cuidado para sua utilização, dos critérios de indicação do exame, do fluxo de acesso das pacientes e da organização da rede assistencial e laboratorial".
Segundo a SBM, a oferta do sequenciamento genético está sendo organizada por meio de leis estaduais. Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal já contam com legislação e oferecem o serviço. Outros estados, como o Rio de Janeiro, sancionaram leis, mas ainda não é possível fazer o teste.
Quando o exame identifica uma alteração que eleva o risco, o acompanhamento pode mudar. Dependendo do caso, o médico pode considerar exames mais frequentes, medicamentos ou cirurgias para reduzir o risco.
Foi o caso da atriz americana Angelina Jolie, que descobriu ser portadora da mutação no BRCA1 e realizou uma mastectomia preventiva. A mãe, a tia e a avó da artista de Hollywood morreram em decorrência do câncer.
E se não fizer o teste?
Não fazer o exame, por falta de indicação ou por escolha pessoal, não significa ficar sem acompanhamento, afirmam as instituições. O primeiro passo é informar ao médico quais parentes tiveram câncer.
A SBOC explica que é possível estimar o risco considerando o número de familiares afetados, o grau de parentesco e a idade do diagnóstico.
Com base nisso, mulheres de risco aumentado podem começar o rastreamento mais cedo e fazer, além da mamografia, exames como a ressonância magnética das mamas. A idade de início e a frequência variam conforme o risco estimado.
Em casos de risco muito elevado, a entidade afirma que também podem ser discutidas estratégias adicionais, como medicamentos que reduzem a probabilidade de desenvolver a doença.
Para o INCA, quem notar um nódulo, mudança na pele da mama ou secreção pelo mamilo deve procurar atendimento sem esperar a próxima consulta.
Manter peso saudável, praticar atividade física, evitar álcool e cigarro e amamentar, quando possível, também fazem parte das recomendações.
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