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Saturday, September 12, 2026

Federação espanhola vai financiar congelação de óvulos

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A federação espanhola de futebol anunciou esta semana que vai financiar a congelação de óvulos de jogadoras e árbitras, numa medida aplaudida pela maioria mas que também foi recebida com dúvidas e críticas por parte de desportistas de elite.

Poderão beneficiar deste financiamento da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) jogadoras convocadas pelo menos duas vezes para as seleções nacionais de futebol e de futsal, assim como todas as árbitras principais e assistentes da primeira divisão de Espanha.

O presidente da RFEF, Rafael Louzán, considerou que este é “um avanço muito importante” e algo “inovador no âmbito federativo mundial”, revelando que várias federações de outros países contactaram a federação espanhola para conhecer os detalhes.

“Orgulhamo-nos de que a RFEF seja valorizada pelo que estamos a conseguir, mas também pela conciliação [entre desporto e maternidade]”, afirmou, na apresentação esta semana em Madrid do acordo com uma clínica que permitirá financiar a congelação de óvulos de futebolistas e árbitras.

Alexia Putellas, campeã do mundo com a seleção de Espanha e atual jogadora do London City Lionesses, revelou ao jornal El País que a REEF veio concretizar uma aspiração e um pedido das próprias futebolistas.

“Para mim, é um enorme avanço, porque a federação compreende que estás a servir o teu país contra o teu relógio biológico, que não podes parar e não podes ser mãe porque precisas do teu corpo para trabalhar”, afirmou Putellas, que realçou que as curtas carreiras profissionais das desportistas de elite coincidem com a sua fase de máxima fertilidade.

“É muito importante para uma jogadora viver mundiais, mas para quem tem o desejo de ser mãe não é fácil”, acrescentou.

Outras futebolistas da seleção espanhola manifestaram-se no mesmo sentido, como Patri Guijarro, que classificou a decisão da REEF como “um passo mais” para uma mulher desportista poder escolher “quando e como quer ser mãe”.

“O mais importante é conseguir que as desportistas sintam que não têm de escolher entre a vida pessoal e a carreira desportiva”, disse Patri Guijarro, que esteve na apresentação feita na REEF esta semana.

No entanto, outras mulheres desportistas de elite espanholas colocaram algumas dúvidas e deixaram críticas em relação ao anúncio da REEF.

Foi o caso de Ana Peleteiro, campeã da Europa de triplo salto depois de ter sido mãe.

“Não deixem que vos vendam esta notícia como um avanço feminista, porque a realidade está muito longe disso (…). Esta medida é apresentada como feminista quando, na verdade, é profundamente machista… Por que razão a instituição para a qual estas mulheres trabalham tem interesse em que adiem a maternidade? Pretende facilitar que as mulheres sejam mães ou pretende que não o sejam enquanto estão a competir?”, escreveu Ana Peleteiro nas redes sociais.

“A questão não deveria ser como conseguimos que uma desportista adie a maternidade, mas sim como conseguimos que ser mãe não prejudique a carreira de uma desportista”, acrescentou.

Também a nadadora Ona Carbonell, que tem 23 medalhas em mundiais e coordena a Comissão de Maternidade e Desporto do Comité Olímpico Espanhol, questionou, em declarações ao jornal Marca, o que está verdadeiramente em causa.

“Não posso julgar a Federação Espanhola de Futebol porque, na verdade, não sei qual foi o objetivo por trás desta decisão. O que posso afirmar é que adiar a maternidade não é conciliar. Conciliar é ajudar a tornar a maternidade viável e a melhor possível enquanto uma desportista está na ativa”, defendeu.

Igualmente em declarações ao Marca, a triatleta Eva Moral, que foi mãe depois de ter conseguido um bronze nos jogos de Tóquio 2020, disse ter “sentimentos contraditórios” em relação ao anúncio da REEF.

“Ao princípio, pareceu-me uma boa medida porque pagam e é uma coisa cara [a congelação de óvulos]. Mas desde que não seja um método de pressão para que enquanto estão a trabalhar para eles não sejam mães”, afirmou, acrescentando sentir que “pode ser uma faca de dois gumes”.

“O mais importante é que se tomem medidas de conciliação reais (…). Eu senti-me muito sozinha e pouco apoiada”, disse ainda.

A presidente da Futpro, a maior associação de jogadoras de futebol de Espanha, reconheceu ao El País que muitas jogadoras “atrasam a decisão de ser mães e quando a tomam talvez seja demasiado tarde”.

“Temos a tarefa pendente de trabalharmos todos em conjunto para melhorar esse regresso após a maternidade. Voltar a competir depois de ser mãe é muito difícil; não dispomos de estudos científicos sobre jogadoras de futebol, não temos protocolos de recuperação, não sabemos o que elas têm de fazer para recuperar e atingir o máximo rendimento”, sublinhou.

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