BCE pode fazer pausa na subida dos juros

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"Boa moeda, má moeda" com o Paulo Ferreira. Nova subida de juros talvez só no fim do ano, não é, Paulo?
É verdade. Estamos naquela fase de ler quase sinais de fumo.
Exatamente, tentar interpretá-los.
Exatamente, que saem ali da sede do BCE, ou declarações, neste caso, da Christine Lagarde, em que cada palavra é importante. Nós sabemos que a tendência neste momento é de subida de juros. Houve duas subidas, a última em setembro. A perspetiva dos mercados é que eles voltem a subir, mantendo-se este estado de coisas. Resta saber é quando, se é já em outubro, por exemplo, na próxima reunião.
Se é mais pro fim do ano.
Se é mais pro fim do ano, se há aqui uma pausa. E Christine Lagarde deu, na segunda-feira, uma indicação de que de fato o BCE pode não subir de novo os juros na próxima reunião em outubro. Ela disse que a gestão que está a ser feita da política monetária está a ser feita de forma ponderada. Apresentou alguns dados. Disse, por exemplo, que não se está a notar nos salários uma reação significativa ao choque energético, pelo menos para já. Isto é, os salários, para já, não estão a acompanhar em taxa de crescimento aquilo que é a evolução dos preços. E que isto é crucial, por quê? Porque um dos problemas da inflação, que se autoalimenta, é que a inflação naturalmente leva a crescimentos maiores de salários, precisamente para que não se perca poder de compra, e depois esse crescimento de salários na economia leva a mais consumo também, que, por sua vez, leva a mais inflação.
É uma pescadinha de rabo na boca.
É uma pescadinha de rabo na boca. Só haver aqui uma espécie de curto-circuito, e neste momento os salários estão a subir só a 3,3% no segundo trimestre. Pode haver aqui alguma perda de poder de compra, de fato, mas quebra-se aqui um bocadinho aquela correia de transmissão que leva à inflação. Isto foi o dado apresentado por Christine Lagarde, no fundo, pra dizer que, para já, talvez, se isto se mantiver assim, o BCE pode, neste momento, esperar aqui mais algum tempo para perceber até que ponto é que este estado de coisa se vai manter, se a inflação fica contida, e se por algum tempo o BCE pode até ignorar o impacto dos preços da energia, desde que eles não se transmitam, de fato, ao resto da economia, que esse é o grande perigo. A questão não está no preço da energia, está depois na transmissão a bens e serviços, sobretudo alimentares, com a questão salarial também a ajudar aqui a festa da inflação. Portanto, vamos ver isso. Mas atenção, mesmo que haja uma pausa em outubro, há uma coisa que já não se escapa, que é uma forte subida das prestações agora em outubro. E nós amanhã vamos falar disso com as continhas feitas.
Sim, com o Pedro Lima.
Exatamente.
Não, amanhã não.
Amanhã não, amanhã falamos disso, Pedro Lima.
Exatamente. Entretanto, as rendas das casas essas é que continuam a subir.
Continuam a subir.
Essas não estão contidas.
Não, de todo. Dados de ontem referentes ao segundo trimestre do ano passaram pela primeira vez, em termos médios, os €10 por metro quadrado de renda. E os dados do INET de fato mostram um crescimento de 10,2% no segundo trimestre de 2025. Em termos homólogos, mais 9,1% do que nos primeiros três meses do ano. Portanto, aqui uma subida que, já agora, é generalizada a todo o país, não é só em Lisboa e no Porto, onde a pressão pode ser maior. Os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes em Portugal, todos eles registaram aumentos, alguns mesmo substanciais. Guimarães, por exemplo, o aumento passou os 20%.
É muito.
Exatamente. E, portanto, a tendência é geral. Até porque isto é um bocadinho como aquelas manchas de gordura que caem num papel. Vão alastrando. As pessoas vão sendo empurradas, se quisermos, no caso de Lisboa e Porto, para fora dos centros das cidades, mas depois nas outras zonas urbanas também.
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