Paulinho revela ambição no Botafogo, destaca disputa por posição e elogia Telles: "Cara de caráter"

Em entrevista exclusiva ao ge, Paulinho revelou detalhes da decisão de retornar ao Brasil, desta vez acompanhado da família: a esposa dinamarquesa Simone e o pequeno Mateo, de apenas um ano. A mudança contou com o apoio familiar. Meses antes de o jogador fechar com o Botafogo, eles passaram férias no Rio e se encantaram com a cidade.
– Assim, eu não queria cair no comodismo lá, sabe? Passei sete anos no mesmo clube. Então, eu disputei a maioria dos campeonatos que a gente tinha lá. A gente conseguiu vencer a Liga, a Copa. Disputei as competições internacionais. Mas eu queria algo novo também. Na verdade, eu já queria ter vindo para o Botafogo no começo do ano. A verdade é essa, mas acabou não dando certo com o clube (Midtjylland). Mas fiquei mais feliz ainda quando o interesse continuou. Então, foi fácil tomar essa decisão. É um clube grande. É uma cidade boa de se viver. Próximo de onde eu sou também. Sou de São Paulo, capital. Casou tudo. E aí, como eu disse antes, ficou fácil tomar a decisão - disse ao ge.
Paulinho, lateral do Botafogo, em exclusiva ao ge — Foto: Letícia Marques / ge
Paulinho chega ao Botafogo para uma posição que já conta com dois jogadores experientes: Alex Telles e Marçal. O primeiro, capitão e um dos líderes do elenco, foi justamente um dos responsáveis por fazer o reforço se sentir em casa já nos primeiros dias no clube. Mesmo sendo concorrentes diretos por uma vaga, Paulinho destacou a postura de Telles fora de campo e revelou que o camisa 13 fez questão de passar o próprio telefone e se colocar à disposição para qualquer ajuda.
– Primeiro que o jogador Telles dispensa comentários, né? Tecnicamente, o cara é acima da média. Todo mundo conhece. E como pessoa também... Eu lembro que no meu primeiro dia o cara me recebeu super bem. Nós somos da mesma posição, mas isso já mostra muito da pessoa dele. Um cara de caráter. Pegou meu número no primeiro dia e disse "qualquer coisa que precisar, tu me liga". Então, isso é importante para mim, ser recebido dessa forma, pelo capitão, um dos líderes do time - e continuou:
– Então... para mim é um prazer e é um privilégio. Todo mundo já sabe da história do Telles. É um ídolo. Super identificado com a torcida. Tanto o Telles quanto o Marçal são dois jogadores que eu admiro. Admiro e tenho muito respeito. E tem sido bom, cara. Eu sei que eu vim para agregar. A gente tem uma agenda que é lotada de jogos e tudo mais. Então, da maneira que o Botafogo decidir me utilizar, eu tenho que estar pronto, eu tenho que manter um nível bom, porque a lateral-esquerda tem que estar bem servida.
"Sou um ambicioso"
A concorrência não assusta Paulinho. O lateral relaciona justamente a vontade de buscar novos desafios à decisão de encerrar um ciclo de sete anos na Dinamarca. Além da saudade do futebol brasileiro, ele queria fugir da zona de conforto.
– Cara, eu sou um ambicioso, né? Eu me considero. E eu tinha esse sonho de jogar lá fora. Só que chegou um certo momento que eu senti essa saudade de jogar o Campeonato Brasileiro, de ver a torcida. O amor que a gente tem pelo futebol é diferente do que eu estava acostumado a ver lá. Eu sabia que em algum momento ia ter que voltar. E agora deu tudo certo para vir para o Botafogo. Estou feliz da vida.
Paulinho, lateral-esquerdo, em apresentação ao Botafogo — Foto: Vitor Silva/BFR
A primeira oportunidade com a camisa do Botafogo aconteceu justamente em um clássico. Paulinho estreou no empate com o Fluminense, no dia 8 de agosto. Apesar da ansiedade em estrear, o lateral acertou 100% dos passes que tentou (13/13), sendo praticamente todos verticais e dois decisivos.
– É claro que a gente fica ansioso. A verdade é essa. A gente quer jogar o mais rápido possível, mas tudo acontece no tempo certo. Tentei ser o mais calmo possível na minha tomada de decisão, claro. A gente também é super bem orientado pela comissão. Mesmo com pouco tempo de clube, tanto a comissão quanto o staff, a gente está sempre bem antenado no que deve fazer quando entrar no jogo. Então, foi bom. Tive alguns momentos que pude fazer alguma coisinha - e continuou:
– Eu sou um lateral que gosta bastante de ultrapassar. Tentar fazer cruzamentos e tudo mais. Me considero um lateral ofensivo. Claro que com comprometimento na parte tática e defensiva. Me considero um cara muito dedicado. Dou o sangue pela camisa que eu visto... a ideia é essa, para a gente ir para os nossos objetivos - finalizou.
Paulinho, no entanto, se lesionou na semana seguinte de sua estreia. Ele sofreu uma lesão no músculo adutor da coxa esquerda em treino durante a preparação para o jogo contra o Vitória, que foi o último de Franclim. O lateral precisou de quase um mês de recuperação até voltar a campo, contra o Bragantino, quando saiu do banco e jogou por 23 minutos, com Rodrigo Bellão como interino.
Outros tópicos
Projeto do Botafogo e interesse desde o início do ano
– O projeto, basicamente, é o mesmo, né? Foram com pessoas diferentes (na negociação), mas o assunto foi o mesmo. Acho que a gente só adiou um pouquinho o plano.
Lá atrás, por que escolheu a Dinamarca?
– Na época, eu tinha pouco menos de um ano de Bahia e quando surgiu a oportunidade, eu lembro que o Midtjylland estava para disputar os playoffs da Europa League. E eu também sempre tive o sonho de jogar Champions League, Europa League. Pesquisei um pouco sobre o clube. Vi que era um país também que seria diferente... Estava em Salvador. Então, talvez em uma cultura diferente, eu também sou bem interessado nesse tipo de coisa. Falei: "cara, eu tenho esse sonho de disputar competições europeias e tudo mais... Eu vou tocar isso aí e foi daí que surgiu".
Adaptação à Dinamarca e mudança da família para o Brasil
– Eu sou bem curioso. Acho que eu também queria ir para lá para poder me virar. Para poder ver como que é morar assim. Fora de casa, eu já morava há muito tempo. Mas, digo assim, num país totalmente diferente. Onde eu teria que aprender a língua. Onde seria uma cultura diferente. Nesse sentido, foi bacana.
– A gente veio para o Rio pouco antes de eu vir para o Botafogo. Em junho, a gente passou as férias aqui. Então, a família ficou apaixonada pela cidade e isso deixa tudo mais fácil.
Adaptação ao Rio
– Hoje, eu estou me sentindo em casa. Sou de São Paulo, a terra da garoa, então, para mim, isso aqui está tudo certo. Claro que tem um periodozinho que a gente leva pra adaptar, o calor daqui também é diferente, a gente sabe disso. Mas acredito que agora, depois de todos esses dias, a gente já está tranquilo, adaptado. Matteo tem um ano, daqui a pouco começa a falar português. Português primeiro, depois inglês. Aqui, no dia a dia, vai ficar mais fácil para fazer ele falar português.
Calendário do futebol brasileiro
– É diferente, claro, mas eu já sabia, né? Eu tive um pouquinho dessa experiência também quando eu estava no Bahia. Para falar a verdade, depois de tanto tempo fora, a gente sente um pouquinho de saudade desse calendário. A gente tá sempre jogando e tudo mais, isso é o que eu estava buscando de qualquer forma.
Gramado sintético
– Eu acho que deixa o jogo bem dinâmico. Acho que a bola corre bem e tudo mais. Eu já joguei em alguns, lá fora também, e eu não vejo problema algum.
Relação com Gregore
– A gente jogou junto pela primeira vez no Sub-23 do Santos. Foi a primeira vez que a gente jogou junto. Na segunda vez, pelo Bahia, jogamos juntos quase um ano antes de eu ir embora. O Gregore é um amigo pessoal, fora do futebol, um cara bacana, gente fina. A gente conversava bastante. Até o período que eles foram campeões da Libertadores, do Brasileiro, a gente estava sempre em contato. Quando deu tudo certo aqui também, falei com ele, e ele também fez questão de ligar para galera me receber bem. Ele é um amigo pra vida.
A "família Botafogo"
– Eu senti isso desde o primeiro dia. Assim como eu citei a situação com o Telles, porque assim, ninguém tem essa obrigação, né? Mas isso de vir da própria pessoa, de se importar com alguém que acabou de chegar. Não só ele, como outros atletas também, os líderes do grupo. Isso já faz total diferença porque é um lugar novo, você está adaptando, você não conhece muita gente do clube, às vezes você não conhece ninguém. Então, acho que isso de tentar integrar o mais rápido possível os atletas novos faz o elenco do Botafogo ser diferente.
Estrangeiros no elenco
– É legal porque, assim, na medida do possível, eles se ajudam bastante também. Nós como somos brasileiros, às vezes fica um pouquinho mais fácil... Então, até pra eles não sentirem saudade de casa, talvez fazer alguma coisa que é mais relacionada à cultura deles, eu acho bacana também... Eu já vivi o outro lado, né?
Diferenças entre Dinamarca e Brasil
– Comida, de fato. Você não vê arroz e feijão lá. É diferente, você tem que acostumar a comer batata cozida. Eles comem bastante porco, frango. Acho que acostumar com isso é um pouquinho difícil. O clima também porque o inverno deles é pesado mesmo. Acho que essa foi a diferença que pesou um pouquinho para mim quando eu cheguei. Depois, você acostuma e leva numa boa, mas acho que de início foi isso.
O melhor de voltar ao Brasil
– Primeiro, poder voltar para um clube grande, um clube que tem a torcida que tem, que tem a história que tem, e que tem as ambições que tem. Acho que isso, como atleta, faz total diferença. Mas o fato também de poder voltar para uma cidade boa, estar próximo da família, dos amigos...
O que espera construir no Botafogo
– Claro que agora eu estou escrevendo uma nova história, mas, assim como eu citei, quando você vem para um clube do tamanho do Botafogo, você sabe das ambições do clube. Poder fazer parte disso, poder, de certa forma, fazer parte da história do clube... Então, a gente vai passo a passo. Sou um cara bem pé no chão, mas quero também escrever a minha história aqui e que seja uma história maravilhosa.
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