CEO da Nvidia diz que IA pode abrir espaço para profissões que não exigem diploma
O avanço da inteligência artificial está criando uma demanda que vai além de engenheiros de software, cientistas de dados e especialistas em tecnologia. Para Jensen Huang, CEO da Nvidia, a expansão dos data centers também deve impulsionar profissões técnicas ligadas à construção e manutenção dessa infraestrutura.
Durante a cerimônia de formatura da Carnegie Mellon University, em maio de 2026, Huang citou eletricistas, encanadores, trabalhadores de estruturas metálicas, técnicos e profissionais da construção como ocupações que podem se beneficiar do novo ciclo de investimentos em IA.
A lógica é direta: quanto maior a infraestrutura necessária para treinar e executar modelos de inteligência artificial, maior a necessidade de pessoas capazes de instalar equipamentos, construir instalações e manter esses sistemas funcionando.
Para quem trabalha, a mudança amplia a discussão sobre quais competências podem ganhar valor no mercado. A questão não é apenas se um diploma universitário continuará sendo importante, mas quais conhecimentos e habilidades serão necessários em diferentes profissões.
Por que a IA aumenta a demanda por profissões técnicas
Modelos de inteligência artificial dependem de uma infraestrutura física. Data centers precisam de energia, sistemas de refrigeração, redes, equipamentos e estruturas capazes de operar continuamente.
Na avaliação de Huang, esse processo pode criar uma nova onda de demanda por trabalhadores especializados. Em entrevista ao Channel 4, o executivo afirmou que seriam necessários centenas de milhares de profissionais como eletricistas, encanadores e carpinteiros para construir novas instalações.
A Nvidia também publicou o discurso de Huang na Carnegie Mellon. Segundo o executivo, a inteligência artificial não estaria criando apenas uma nova indústria de computação, mas uma nova fase de industrialização.
Isso ajuda a explicar por que algumas profissões que não dependem de uma graduação tradicional podem ganhar relevância no mesmo período em que determinadas atividades administrativas passam a ser automatizadas.
O diploma vai perder valor com a inteligência artificial?
As declarações de Huang não significam que a faculdade esteja deixando de ser relevante. Dados do World Economic Forum mostram um cenário mais complexo.
O Future of Jobs Report 2025 aponta que 43% dos empregadores pesquisados esperam continuar utilizando a formação universitária como requisito para contratação até 2030. Além disso, 14 dos 15 empregos que mais devem crescer proporcionalmente no período exigem, em geral, formação universitária.
Ao mesmo tempo, o relatório identifica uma mudança na forma como empresas avaliam candidatos. Experiência profissional, habilidades práticas e avaliações de competências ganham espaço ao lado das credenciais acadêmicas.
Isso cria um mercado com diferentes caminhos de qualificação. Para algumas carreiras, a graduação continua sendo uma porta de entrada. Para outras, cursos técnicos, experiência prática e certificações podem ter maior peso. A formação necessária depende da ocupação.
Quais profissões podem ganhar espaço
A expansão da infraestrutura de IA é apenas uma parte da transformação. O relatório do World Economic Forum também aponta crescimento esperado para funções relacionadas a tecnologia, dados e inteligência artificial.
Entre as áreas com maior crescimento percentual projetado até 2030 estão:
- especialistas em big data
- engenheiros de fintech
- especialistas em inteligência artificial e machine learning
- desenvolvedores de software e aplicações
- especialistas em segurança
Ao mesmo tempo, profissões ligadas à construção, transporte, cuidados pessoais, educação e produção também aparecem entre as funções com crescimento projetado em números absolutos.
A diferença está no tipo de habilidade exigida. Enquanto algumas ocupações dependem de conhecimento digital avançado, outras exigem habilidades físicas, técnicas ou interpessoais que não são facilmente substituídas por sistemas automatizados.
O que muda para quem já está no mercado
Para profissionais que já trabalham, a transformação pode acontecer dentro da própria ocupação. Uma pessoa não precisa necessariamente migrar para uma carreira de tecnologia para ser afetada pela inteligência artificial.
O World Economic Forum estima que 39% das principais habilidades exigidas no mercado de trabalho deverão mudar até 2030. Entre as competências que mais devem crescer estão IA e big data, letramento tecnológico, pensamento criativo, liderança, capacidade analítica e aprendizagem contínua.
Isso significa que a atualização profissional pode se tornar parte cada vez mais importante da trajetória de carreira.
Uma mudança no conceito de qualificação
O avanço da inteligência artificial também amplia a discussão sobre o que significa estar preparado para uma carreira. O diploma continua sendo requisito ou diferencial em muitas áreas, enquanto outras podem valorizar mais experiência prática e conhecimentos específicos.
No caso das profissões técnicas citadas por Huang, a expansão dos data centers mostra que a economia da IA depende tanto de profissionais que desenvolvem os modelos quanto de trabalhadores responsáveis pela infraestrutura que permite sua operação.
Para quem já está no mercado, o cenário combina formação, experiência e atualização. A qualificação profissional tende a assumir formatos diferentes conforme a ocupação e as habilidades exigidas.
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