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Friday, November 6, 2026

Após aproximação com Trump, big techs entram na mira de investigações democratas

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A vitória democrata no Congresso americano coloca as relações entre empresas de tecnologia e o governo Trump sob maior fiscalização a partir de janeiro. Robert Garcia, que deve presidir a comissão de fiscalização da Câmara, prometeu investigar suspeitas de corrupção empresarial. Escritórios de advocacia se preparam para uma alta na demanda por defesa em investigações parlamentares. Contratos públicos, vínculos com a família presidencial e custos dos data centers estão entre os temas apontados. A Casa Branca nega irregularidades e acusa os democratas de preparar investigações políticas.

As relações entre empresas de tecnologia e o governo de Donald Trump entraram na mira dos democratas que comandarão o Congresso americano. A vitória democrata na Câmara e no Senado abriu caminho para pedidos de documentos, convocações de executivos e audiências sobre contratos públicos e possíveis conflitos de interesse a partir de janeiro.

O aviso veio ainda na noite da eleição. Robert Garcia, que deve assumir a presidência da comissão de fiscalização da Câmara, publicou uma recomendação curta: "Procurem um advogado". Em comunicado oficial, colocou a corrupção empresarial e os negócios da família Trump entre os assuntos que pretende examinar, depois de uma campanha que levou o poder das big techs para o centro do debate.

Os escritórios especializados já se movimentam. Segundo a Reuters, advogados que trabalham com investigações parlamentares esperam uma forte expansão da demanda, com clientes sujeitos à fiscalização do Congresso se preparando para a troca de comando das comissões.

O que muda quando a oposição controla as comissões

Enquanto estavam na minoria, os democratas enviavam cartas e cobravam explicações. Com o controle das comissões, passam a ter mais condições de exigir documentos e depoimentos por meio de intimações, além de equipes e orçamento maiores para conduzir investigações.

A nova maioria poderá transformar cobranças políticas em pedidos formais de documentos e depoimentos.

A mudança ocorre com o início do novo Congresso, em 3 de janeiro de 2027. Em análise publicada nesta semana, o escritório Morrison Foerster observou que os futuros presidentes das comissões já podem pedir a preservação de registros; as intimações devem ganhar força depois da organização dos trabalhos e da aprovação das regras internas.

Uma investigação parlamentar pode alimentar propostas de lei e encaminhamentos a outras autoridades. A convocação de uma empresa, por si só, não demonstra que ela cometeu uma irregularidade.

Os contratos já estão na lista de perguntas

Parte da pauta foi preparada antes da eleição. Antes da eleição, Garcia e três senadores democratas pediram à fiscalização interna do Departamento de Defesa que examinasse recursos federais destinados a empresas ligadas aos filhos de Trump.

O pedido mencionava US$ 3,2 bilhões em recursos federais para companhias do setor de defesa com vínculos com fundos associados a Donald Trump Jr. e Eric Trump. Os parlamentares queriam saber se essas relações influenciaram decisões do governo.

O documento citava ainda US$ 3,1 bilhões em opções de contratos futuros. Esses valores poderiam ampliar o volume de negócios das companhias com o governo caso as contratações fossem efetivadas.

A frente empresarial também deve alcançar Elon Musk, grande doador republicano, segundo entrevistas da Reuters com advogados, parlamentares e assessores. A agência informou que um representante do empresário não respondeu ao pedido de comentário.

A conta de luz leva a IA para a disputa

A fiscalização não se resume à proximidade pessoal com o presidente. Na avaliação do Morrison Foerster, comissões também devem cobrar explicações sobre custos de energia associados aos data centers e exportações de chips, assuntos que aproximam a política de IA das preocupações com custo de vida e segurança nacional.

Esse debate já apareceu nas urnas. Durante a campanha, democratas questionaram quem arca com a expansão da infraestrutura de IA, incluindo consumo de água e energia. A reação chegou também ao mercado: empresas de Musk e companhias ligadas a data centers estiveram entre as pressionadas na abertura do dia seguinte à votação.

Os executivos terão diante de si um ambiente diferente daquele dos encontros na Casa Branca. Em setembro, líderes de Google, Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia assinaram um compromisso de controles e auditorias sobre a IA que não estabelecia punições nem um papel de fiscalização para o governo.

Custos dos data centers e relações com o governo podem levar executivos de IA às mesmas audiências.

A Casa Branca promete resistir

O governo Trump nega irregularidades. À Reuters, a porta-voz Lauren Bis afirmou que os democratas estariam agindo contra a população americana se optassem por investigações que a Casa Branca considera políticas e sem fundamento.

O confronto também pode chegar aos tribunais. O Morrison Foerster avalia que, embora o uso de intimações deva aumentar, obrigar o cumprimento dessas ordens enfrenta obstáculos e negociações entre as partes continuam importantes.

Para as empresas, a preparação começa antes da primeira audiência: preservar registros, reunir explicações sobre contratos e entender quais decisões podem virar objeto de cobrança. A interlocução com Washington, até aqui concentrada no Executivo, passa a exigir respostas também à maioria que comandará o Congresso.

Perguntas frequentes

Por que empresas de tecnologia podem ser investigadas pelo Congresso dos EUA? +

A maioria democrata pretende examinar relações empresariais com o governo Trump e possíveis conflitos de interesse. Custos de data centers e exportações de chips também aparecem entre os assuntos esperados para a fiscalização.

Quando começa o novo Congresso americano? +

O novo Congresso começa em 3 de janeiro de 2027. As comissões precisam organizar seus trabalhos e aprovar regras antes de exercer os poderes da nova legislatura.

O que Robert Garcia pretende investigar? +

O deputado citou suspeitas de corrupção empresarial e os negócios da família Trump. Ele deve assumir a presidência da comissão de fiscalização da Câmara.

O que significa uma intimação parlamentar nos EUA? +

É uma ordem para apresentar documentos ou prestar depoimento ao Congresso. Sua emissão não equivale a uma condenação, e o cumprimento pode ser objeto de disputa judicial.

Que contratos ligados aos filhos de Trump estão sob questionamento? +

Um pedido de investigação apresentado por democratas menciona US$ 3,2 bilhões em recursos federais para empresas de defesa ligadas a fundos associados aos filhos do presidente. Os parlamentares querem apurar se esses vínculos influenciaram decisões oficiais.

O que a Casa Branca diz sobre as investigações? +

O governo nega irregularidades e classifica a ofensiva como política. A porta-voz Lauren Bis criticou os planos em declaração à Reuters.

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