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Monday, October 19, 2026

Mercado vê possibilidade de queda de juros acelerada com compromisso fiscal

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A possibilidade de um ajuste fiscal a partir de 2027, combinada à desaceleração da economia brasileira e à melhora recente do câmbio, pode abrir espaço para uma queda mais acelerada da taxa básica de juros do país, a Selic.

Apesar disso, a aceleração dos cortes não é o cenário-base da maioria dos economistas consultados pelo CNN Money, que condicionam uma mudança no ritmo à melhora consistente das expectativas de inflação e à adoção de medidas concretas para equilibrar as contas públicas.

Após o primeiro turno, as taxas futuras médias e longas recuaram mais de 100 pontos-base, segundo Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, um dos principais escritórios do Safra.

"O fator principal foi a leitura de maior probabilidade de mudança de orientação na política econômica em 2027, com expectativa de ajuste fiscal. A continuidade, porém, depende de confirmação: resultado do 2º turno, sinalizações concretas de política fiscal e os próximos IPCAs", avaliou a especialista ao CNN Money.

Há cinco reuniões, o Copom vem conduzindo um ciclo de calibragem da política monetária, com cortes de 0,25 ponto percentual em cada decisão. Com isso, a Selic chegou aos atuais 13,75% ao ano.

O cenário-base do mercado é de que a taxa básica de juros encerre 2026 em 13,25%, segundo o boletim Focus, do Banco Central. A projeção indica mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Para 2027, a expectativa é de que a Selic termine o período em 12%.

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O economista para o Brasil do Morgan Stanley, Thiago Machado, ressaltou que a expectativa de consolidação fiscal pode favorecer os ativos brasileiros, mas, sem avanços nessa direção, "o espaço para uma queda adicional das taxas de juros futuros tende a ser mais limitado".

Além da questão fiscal, economistas apontam a desaceleração da atividade econômica, a evolução das expectativas de inflação e o comportamento do câmbio como fatores determinantes para as próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária).

Uma valorização persistente do real pode contribuir para reduzir as pressões inflacionárias, enquanto uma desaceleração mais intensa da economia tende a limitar a demanda por bens e serviços.

"Para que o Copom considere uma aceleração do ritmo de cortes, seria importante observar uma desaceleração mais clara da inflação de serviços, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao mercado de trabalho, além de avanços mais consistentes na reancoragem das expectativas de inflação", explicou Leandro Padulla, economista do ASA.

O cenário inflacionário, contudo, ainda impõe cautela. No relatório de política monetária divulgado em setembro, o Banco Central manteve a projeção de inflação em 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante para a política monetária.

Para 2027, a estimativa para o IPCA no quarto trimestre subiu de 3,7% para 3,9%.

"O IPCA de setembro (avanço de 0,82%) veio bem acima do esperado (alta de 0,60%), puxado por energia elétrica, mas com aceleração das principais medidas de núcleo", destacou a economista-chefe da KAT Investimentos.

Para Machado, os dados reduzem o espaço para uma aceleração dos cortes no curto prazo. Ela considera um corte de 0,50 ponto percentual uma possibilidade alternativa, condicionada a uma combinação de sinalização fiscal clara, câmbio favorável e atividade econômica mais fraca.

O economista do ASA também não vê elementos suficientes para mudar a estratégia atual. Para Padulla, a melhora das expectativas de inflação em horizontes mais longos ainda é tímida, enquanto a inflação de serviços permanece resiliente.

Ele acrescenta que "tanto riscos associados a uma combinação de políticas econômicas externas e internas com impacto inflacionário maior que o esperado, quanto a  adoção de estímulos à demanda agregada que façam a atividade crescer acima do produto potencial" podem dificultar a convergência da inflação à meta.

A perda de fôlego da atividade econômica, por outro lado, pode contribuir para uma flexibilização monetária mais rápida. Dados recentes de varejo, indústria e serviços apontam para uma desaceleração, embora o mercado de trabalho aquecido ainda sustente a demanda doméstica.

Rodolfo Margato, economista da XP, projeta estabilidade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no segundo semestre de 2026. O indicador de alta frequência da instituição aponta para uma queda de 0,1% no terceiro trimestre, seguida de crescimento de 0,1% no quarto, na comparação com os trimestres imediatamente anteriores. A projeção da casa é de expansão de 1,7% no ano.

Já o head de macroeconomia do Santander, Marco Antonio Caruso, avalia que os efeitos defasados dos juros elevados sobre crédito, consumo e emprego representam riscos para o crescimento, embora ainda não justifiquem uma revisão de cenário.

Entre as instituições consultadas, predomina a expectativa de continuidade dos cortes em ritmo gradual, embora haja divergências sobre a trajetória da Selic em 2027. O Santander mantém uma perspectiva de flexibilização gradual, com Selic em 12,50% ao final de 2027.

"Reconhecemos que a melhora do câmbio e o início das reduções de projeções de inflação longa aumentaram o espaço para uma trajetória de juros mais baixa. Mas precisaríamos observar essa combinação por mais tempo antes de incorporar uma aceleração como cenário central", avalia Caruso.

O Morgan Stanley prevê reduções de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões do próximo ano, levando a taxa a 11,25% em dezembro.

O ASA também projeta cortes de 0,25 ponto nas cinco primeiras reuniões de 2027, com a Selic em 12% ao final do ciclo.

Já a XP apresenta um cenário mais favorável à aceleração. A instituição projeta cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro deste ano e em janeiro de 2027, seguidos por reduções de 0,50 ponto a partir de março.

A possibilidade de cortes maiores, portanto, permanece no radar, mas ainda depende de uma combinação de fatores favoráveis. Para os especialista, um programa fiscal crível, a valorização sustentada do real e a melhora das expectativas de inflação podem abrir espaço para uma flexibilização mais rápida.

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