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Friday, September 25, 2026

No aniversário de Amyr Klink, Filipe Bragança revela preparação para vivê-lo no cinema em '100 Dias'

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Nesta sexta-feira (25), o navegante e escritor brasileiro Amyr Klink completa 71 anos. Ele foi a primeira pessoa no mundo a conseguir a travessia do Atlântico Sul somente a remo e, neste ano, Amyr ganha um filme baseado exatamente nesta trajetória, chamado 100 Dias, com estreia em 29 de outubro. O longa é protagonizado por Filipe Bragança, que trouxe detalhes para a Quem de como foi assumir este desafio.

O ator conta que o seu principal desafio nesta produção foi o fato de que, na maior parte, o tempo de tela é somente dedicado a ele e ao mar. "Eu gosto muito desse tipo de filme, de um ator só. Inclusive, muitos desse tipo de filme aproveitei como referências para desenvolver o meu trabalho", detalha.

"Eu fiquei muito animado, porque acho que sempre é uma grande oportunidade para qualquer ator poder conduzir a narrativa praticamente sozinho, ao mesmo tempo também é um grande desafio. Afinal, 80% do filme, talvez 90%, somos só eu e o barco", diz.

Filipe Bragança em '100 Dias' — Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual
Filipe Bragança em '100 Dias' — Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual

Filipe conta que usou bastante sua imaginação durante as gravações para conseguir imaginar os peixes, baleias e eventos climáticos que acometeram Amyr durante a viagem. Além disso, ele também se aprofundou neste universo pelo livro escrito pelo navegante chamado Cem Dias Entre Céu e Mar (2023).

"Fiquei muito animado porque percebi que estava preparado, enquanto ator, para assumir tamanha responsabilidade e estava também muito entusiasmado com a possibilidade de encarar esse desafio e de me divertir no processo", afirma.

"Quando eu soube que tinha sido aprovado para o papel, li o livro e percebi no produto de literatura que o Amyr realizou uma grande possibilidade também de criar esse personagem a partir de reflexões e do silêncio também", reflete.

'Cem Dias Entre Céu e Mar' de Amye Klink — Foto: Divulgação
'Cem Dias Entre Céu e Mar' de Amye Klink — Foto: Divulgação

Preparação

O processo para entrar no personagem não foi fácil e exigiu uma travessia própria do ator dentro de si mesmo, acompanhada de uma transformação física. "O Amyr atravessa o oceano sozinho durante 100 dias, acho que a solidão ou a solitude são elementos muito importantes para compreender esse personagem. Claro que eu não me isolei por 100 dias, mas, ao mesmo tempo, por consequência, inclusive da preparação física, eu acabei visitando a minha solitude ainda mais", confessa.

"Eu já sou um cara que, em geral, gosta de ficar sozinho, gosto da minha própria companhia e mergulhei ainda mais nela, nessas reflexões, ao longo desse tempo", diz. Filipe conta que um dos principais desafios foi emagrecer para se enquadrar no padrão de corpo dos homens da década de 1980.

"Sabia que eu ia ter que perder alguns quilinhos e, nesse processo de dieta e emagrecimento, perdi cerca de 11 a 12 kg. Hoje eu estou com os meus 80 kg, mais ou menos. Na época, para interpretar o personagem, cheguei a 68 kg, estava bem magro", fala.

Filipe Bragança em '100 Dias' — Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual
Filipe Bragança em '100 Dias' — Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual

"Esse processo fez com que eu me isolasse bastante. Tive que aprender a remar também, o que inclusive foi ótimo, porque me ajudou a emagrecer; uma coisa meio que completava a outra", conta. Uma pessoa que o ajudou durante esse período de preparação foi o próprio Amyr.

Filipe fala que o fato de o navegante ser uma pessoa mais fechada e introvertida o ajudou. "Acho que o processo de criação e desenvolvimento do meu trabalho era diferente, porque me possibilitava criar algumas coisas, já que a percepção pública do Amyr não é tão concreta assim, mas me aproveitei também de todos os registros e referências que eu tinha dele", compartilha.

Desde entrevistas no YouTube até documentários, tudo fez com que Filipe entendesse mais o Amyr, inclusive as conversas com ele próprio. "Eu o conheci e tive algumas oportunidades de conversar com ele, de ouvi-lo, e matar algumas das minhas curiosidades, fiz muitas perguntas".

Filipe Bragança em '100 Dias' — Foto: Divulgação
Filipe Bragança em '100 Dias' — Foto: Divulgação

"Ele sempre muito gentil, tirando todas as minhas dúvidas e me ensinando também. Me ensinou como é que usava o sextante [instrumento de navegação para medir o ângulo], me ensinou como é que ele fazia para navegar e para fazer os cálculos na carta náutica", detalha.

"O ator tem que ser curioso; eu sou particularmente assim com as coisas do mundo. Poder mergulhar nesse universo com tanta intensidade foi muito especial. Acho que o trabalho no filme ficou muito completo, sendo ele um resultado dessa preparação", comenta.

Filipe Bragança e Amyr Klink — Foto: Divulgação
Filipe Bragança e Amyr Klink — Foto: Divulgação

Pontos em comum com Amyr

O filme também marca uma trajetória de autoconhecimento para Filipe. "Fiz a minha própria travessia. O Amyr fala que ele não é um herói nacional, como as pessoas gostam de dizer, [por ter] realizado algo tão grandioso como ele realizou. Amyr fala que ele não é um herói, é um planejador. Planejou essa viagem e foi bem-sucedida, não por heroísmo, mas por planejamento", reflete.

"Também sou muito assim, me identifico muito com isso. É uma virtude e uma maldição, porque eu penso demais nas coisas, calculo demais, sou muito pragmático. Mas, ao mesmo tempo, acho que na minha profissão é importante ser assim", pondera.

O artista ainda menciona uma entrevista de Tamara Klink, filha do navegante, dizendo: "[ela] mencionou numa entrevista que, quando você está navegando, você não precisa ser bom em tudo, mas você também não pode ser ruim em nada. Eu acho que é por aí".

Tamara Klink, filha de Amyr Klink — Foto: Reprodução/Instagram
Tamara Klink, filha de Amyr Klink — Foto: Reprodução/Instagram

"Algumas coisas do temperamento, dessa percepção do mundo e da própria companhia me levam para muito próximo do Amyr, aproveitei [isso] no filme", ressalta. Foi essa conexão pessoal, somada à entrega das gravações, que fez com que ele tivesse dificuldade em se desconectar do personagem posteriormente.

"Foram dias de filmagem muito intensos em que ficava o dia inteiro gravando, eu tinha pouco tempo para pensar em qualquer outra coisa, além do meu trabalho no filme e daquele universo. Mesmo chegando em casa, descansava, mas sempre com esse universo me atravessando de alguma maneira".

"Acho que eu saía do personagem, mas não saía daquele universo, daquela atmosfera. Sou muito bom com desfechos e despedidas, mas, apesar de ter me despedido do personagem quando as filmagens acabaram, demorou um pouco ainda para sair dessa intensidade em que eu estava imerso ali no filme", revela.

Filipe Bragança e Amyr Klink — Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual
Filipe Bragança e Amyr Klink — Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual
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