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Tuesday, October 27, 2026

Projetistas apostam no contraste para criar cozinhas com identidade

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O ano de 2026 ficou marcado pelo retorno dos projetos afetivos. E as cozinhas, consideradas o coração da casa, mostram que unidade visual não significa repetir a mesma cor ou acabamento em todos os elementos. Pelo contrário, a identidade pode surgir justamente do encontro entre linguagens diferentes. Pedra, madeira, revestimentos decorativos e metais dividem o mesmo espaço, desde que exista equilíbrio entre desenho, tonalidade e proporção.

Esse resultado começa pela definição de uma hierarquia. Se a bancada apresenta veios marcantes, por exemplo, outros elementos podem assumir uma presença mais discreta. Quando a parede é o ponto de destaque, piso, marcenaria e metais podem funcionar como apoio. Determinar qual superfície terá maior peso visual ajuda a evitar excesso de informação.

O porcelanato Val Gardena Sabbia, da Villagres, traz a aparência da pedra em uma base clara e suave, criando continuidade entre bancada, piso e demais superfícies da cozinha sem sobrecarregar a composição — Foto: Acervo Vilarejo

O Val Gardena Sabbia, da Villagres, exemplifica uma das possibilidades dessa linguagem. Inspirado na aparência da pedra, o porcelanato pode funcionar como ponto de partida para combinações que exploram diferentes texturas sem perder equilíbrio. Quando utilizado em áreas de maior destaque, como piso ou superfícies amplas, cria uma base mineral que pode ser acompanhada por madeira, marcenaria lisa e metais de desenho mais limpo.

A madeira, ou materiais que reproduzem sua aparência, entra com outro papel. Além de acrescentar calor visual, ajuda a aproximar a cozinha de salas de jantar e espaços de convivência. Essa presença não precisa dominar o ambiente. Piso, painel, marcenaria ou uma aplicação pontual já podem ser suficientes para estabelecer contraste com pedras e acabamentos mais frios.

O LVT Home Fasano Massima, da Biancogres, leva a aparência da madeira para o piso e cria contraste com superfícies de inspiração mineral — Foto: Acervo Vilarejo

O equilíbrio também está na proporção

Combinar materiais não significa utilizá-los na mesma quantidade. Uma cozinha pode ter um acabamento predominante, outro complementar e um terceiro reservado a pequenos pontos de destaque. Essa diferença de escala ajuda a organizar o olhar e evita que todos os elementos tenham a mesma intensidade.

As cores também participam desse equilíbrio. Superfícies diferentes podem compartilhar um mesmo subtom, criando continuidade mesmo quando apresentam texturas distintas. Em outras situações, o contraste pode ser mais evidente, desde que uma das tonalidades apareça de maneira mais controlada.

O mesmo raciocínio vale para desenhos e veios. Uma pedra de movimento intenso tende a ganhar mais destaque quando aparece ao lado de superfícies lisas. Já uma base mais uniforme permite trabalhar madeira, revestimentos com textura ou metais de maior presença sem tornar o conjunto pesado.

Metais entram como uma camada complementar. Cromado, dourado, grafite ou outros acabamentos podem acompanhar cores já presentes na cozinha ou criar um ponto de contraste. Torneiras, puxadores e acessórios não precisam necessariamente repetir exatamente a mesma tonalidade, mas devem estabelecer uma relação coerente com o restante do conjunto.

Na Vilarejo, reunir amostras durante a escolha ajuda a perceber como essas relações funcionam antes da aplicação. Colocar porcelanatos, revestimentos e outros acabamentos lado a lado permite observar diferenças de tom, desenho e textura que nem sempre ficam evidentes quando cada item é analisado isoladamente.

Uma cozinha ganha identidade quando os materiais cumprem papéis diferentes sem competir entre si. Pedra pode trazer presença, madeira pode aquecer, o metal pode pontuar e uma superfície mais neutra pode equilibrar o conjunto. É essa distribuição de funções, e não a repetição de um único acabamento, que permite construir uma composição mais interessante e coerente.

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