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Saturday, November 7, 2026

Como o Boticário transformou embalagens descartadas em móveis para 142 lojas

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O Boticário registrou crescimento de mais de 48% no volume de resíduos recolhidos para reciclagem em 2025, ano em que mais de 2,8 milhões de consumidores participaram do Boti Recicla, programa de logística reversa criado pela companhia em 2006. Com o avanço na coleta, o Grupo Boticário recolheu e destinou à reciclagem o equivalente a 39% dos resíduos de embalagens gerados no período.

Os números mostram duas dimensões da estratégia de economia circular da empresa: a ampliação da participação dos consumidores no descarte de embalagens e o desafio de aumentar a proporção de materiais que retornam à cadeia produtiva.

Ao completar 20 anos em 2026, o programa reúne mais de 4 mil pontos de coleta distribuídos por todos os estados brasileiros. As unidades recebem embalagens vazias de cosméticos e produtos de higiene pessoal de qualquer marca, independentemente de terem sido comercializadas pelo Boticário.

A iniciativa é apresentada pela companhia como o maior programa de logística reversa do mundo no varejo de beleza em número de pontos de coleta.

“Quando criamos o Boti Recicla, há 20 anos, nosso objetivo era ampliar a coleta de embalagens pós-consumo em nossas lojas. Com o tempo, entendemos que gerar impacto positivo exige atuar em toda a cadeia e fomentar a responsabilidade compartilhada — conscientizando consumidores, engajando franqueados, fortalecendo cooperativas, inovando em materiais e promovendo a reinserção em novos ciclos produtivos”, afirma Luis Meyer, diretor de ESG do Grupo Boticário.

Da coleta à reciclagem: como funciona a cadeia do Boticário

A estratégia do Boti Recicla vai além do recebimento de embalagens nas lojas. Os resíduos coletados são encaminhados à cadeia de reciclagem, que envolve cooperativas responsáveis por etapas do processo e a comercialização dos materiais com empresas recicladoras.

Segundo o Relatório ESG 2025 do Grupo Boticário, a companhia trabalha atualmente com 17 cooperativas homologadas, que envolvem diretamente mais de 700 profissionais.

A participação dessas organizações é uma das frentes da estratégia de logística reversa, sistema que busca viabilizar o retorno de produtos e embalagens após o consumo para destinação adequada ou reaproveitamento.

“Essa engrenagem é viabilizada pelo trabalho conjunto com o elo da reciclagem: atualmente, trabalhamos com 17 cooperativas homologadas, uma rede que envolve diretamente mais de 700 profissionais”, diz Meyer.

De acordo com o executivo, além de estabelecer parcerias com foco em critérios de conformidade e geração de renda, a empresa investe em projetos para desenvolver a cadeia de reciclagem.

Um dos desafios desse processo está nos materiais de baixa reciclabilidade, que encontram maiores dificuldades para retornar aos ciclos produtivos.

Para lidar com parte desses resíduos, o grupo mantém uma parceria com a Mão Colorida, fornecedora que transforma frações de materiais de difícil reciclagem em chapas utilizadas em projetos das marcas da companhia.

A iniciativa busca criar aplicações para resíduos que enfrentam limitações de reaproveitamento pelos processos convencionais de reciclagem.

Resíduos viram móveis e estruturas em 142 lojas

Parte das embalagens e dos materiais reaproveitados pela companhia também passou a integrar a estrutura física de suas operações.

Atualmente, 142 lojas do grupo utilizam mobiliário e estruturas produzidas a partir de materiais reciclados. Segundo a empresa, esses projetos permitiram reintegrar mais de 147 toneladas de resíduos à cadeia produtiva.

A estratégia inclui o uso de materiais reciclados em projetos de arquitetura, mobiliário e infraestrutura comercial.

Nas unidades classificadas pela empresa como lojas sustentáveis, aproximadamente uma tonelada de plástico pós-consumo é incorporada à estrutura de cada estabelecimento.

O uso desses materiais representa uma tentativa de ampliar a demanda por resíduos reciclados dentro da própria operação. Nesse modelo, parte do material que seria descartado passa a substituir matérias-primas utilizadas em mobiliário e componentes das lojas.

A companhia também mantém investimentos em embalagens com materiais reciclados e renováveis, desenvolvimento de refis e tecnologias voltadas ao reaproveitamento de resíduos.

Em São Paulo, consumidores trocaram recicláveis por produtos

Além da coleta permanente nas lojas, o Boticário passou a testar formatos de participação dos consumidores baseados em incentivos à entrega de resíduos.

Em 2025, a companhia realizou a Boti Recicla Store, ação na loja conceito de Pinheiros, na capital paulista, que permitiu trocar materiais recicláveis por produtos e experiências da marca.

Durante três dias, a iniciativa recebeu mais de 600 participantes e arrecadou mais de uma tonelada de resíduos. O modelo introduziu uma forma de incentivo econômico à coleta, ao atribuir valor de troca aos materiais entregues pelos consumidores.

A experiência também se conecta a uma das questões da logística reversa: como estimular a devolução das embalagens após o uso e ampliar a participação da população nos sistemas de coleta.

Projeto com startup já coletou 5,3 mil toneladas de resíduos

Outra frente do Grupo Boticário é a Estação Preço de Fábrica, projeto desenvolvido em parceria com a startup Green Mining para ampliar a coleta de recicláveis por meio de tecnologia, rastreabilidade e remuneração dos materiais.

Desde sua criação, a iniciativa contribuiu para a coleta de mais de 5,3 mil toneladas de resíduos e para a geração de renda de mais de 3 mil pessoas ao longo da cadeia de reciclagem, segundo dados divulgados pela companhia.

Diferentemente do Boti Recicla, que utiliza as lojas como pontos de recebimento de embalagens, a Estação Preço de Fábrica integra uma estratégia de valorização econômica dos resíduos e de acompanhamento dos materiais coletados.

Em 2025, o projeto ampliou sua presença territorial com a inauguração de uma estação em Belém, no Pará, durante a COP30, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas realizada na capital paraense.

A iniciativa é apresentada pela companhia como parte dos investimentos em soluções de logística reversa que combinam gestão de resíduos e geração de renda para trabalhadores envolvidos na reciclagem.

O desafio de ampliar a recuperação das embalagens

Os resultados apresentados pelo Grupo Boticário em 2025 mostram uma expansão das iniciativas de coleta e reaproveitamento, mas também indicam que a recuperação de embalagens ainda não alcança a totalidade dos resíduos gerados pela companhia.

O percentual de 39% recolhido e destinado à reciclagem funciona como um indicador da abrangência atual dessa estratégia. Já o aumento superior a 48% no volume recolhido pelo Boti Recicla mostra a evolução específica do programa de recebimento de embalagens pós-consumo.

Para Meyer, a expansão da logística reversa depende da articulação entre consumidores, cooperativas e empresas capazes de reinserir os materiais em novos ciclos produtivos.

“Cada embalagem destinada adequadamente representa um consumidor engajado, uma cooperativa fortalecida e uma oportunidade de manter materiais em circulação por mais tempo. É essa capacidade de conectar diferentes atores em torno de um objetivo comum que torna o programa tão relevante após duas décadas de atuação e nos permite ampliar continuamente seu impacto positivo”, afirma o diretor de ESG.

Além da rede de coleta, a estratégia da companhia passa agora por ampliar as possibilidades de utilização dos resíduos recuperados, tanto na fabricação de novos materiais quanto nas estruturas comerciais, e fortalecer a participação das cooperativas responsáveis por parte dessa cadeia.

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