Celso Amorim: Milei quebrou o protocolo mínimo das relações internacionais

Celso Amorim: Não, nem cabe. Deixe ele falar para as paredes ou para quem ele quiser. Não posso dizer que houve uma decisão de que não haverá pronunciamento. De repente, se alguém for chamado ao Congresso e perguntado sobre o que acha, vai falar o que acha. Agora, não queremos ficar em bate-boca. Veja bem, [a Argentina] é o único país da América do Sul que não cumprimentou o presidente Lula. Não tem nada a ver com ser de direita ou de esquerda; você vê que todos os outros governos, que são indiscutivelmente de direita, cumprimentaram. E ele, aparentemente, não só não cumprimentou?
UOL: Neste fim de semana, haverá uma reunião de chanceleres do G20 em Atlanta, nos Estados Unidos, onde estarão o ministro Mauro Vieira, o chanceler argentino, Pablo Quirno, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O assunto pode surgir...
Celso Amorim: Bom, eu não sei dizer. Eles, provavelmente, queiram ou não, vão se esbarrar lá, né? E aí, o que vão dizer: "ó, desculpe" ou algo mais, não sei. Só o Mauro sabe o que vai fazer. Não acho que haja uma instrução específica para que ele faça isso ou aquilo. Vai depender da intuição dele, do momento e de alguém puxar o assunto.
UOL: Como o senhor imagina a relação com a Argentina a partir de agora, no governo Lula 4?
Celso Amorim: Olhe, é tudo inédito e péssimo. É o pior momento da relação Argentina-Brasil, mas não por nossa causa. Nós não fizemos nenhuma agressão à Argentina. Obviamente, são governos muito diferentes; não era para viver de beijos e abraços. Mas não houve nenhum momento em que o Brasil tenha desconsiderado os interesses argentinos, por exemplo, em relação a negociações comerciais internacionais. Nunca recebemos nenhuma reclamação nesse sentido; não há nada. Pelo contrário: queremos continuar a cooperação. Valorizamos, por exemplo, a cooperação nuclear.
Agora, evidentemente, há gestos que preocupam, como a possibilidade de uma base dos Estados Unidos [em território argentino] e a entrada no Escudo das Américas. Mas, mesmo assim, nós respeitamos, porque é um país independente e faz o que quer.
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