BES. Morais Pires visa conluio, Salgado e Isabel Almeida

Avançando a fita do tempo para os períodos do BRAX 1, BRAX 2 e BRAX 3 (entre 2009 e 2014), Morais Pires reiterou o conhecimento generalizado da situação difícil no conselho de administração do BES. “É evidente que eu sabia que todos sabiam. As questões discutem-se no plano da administração, e eu queria que os meus colegas me chamassem e me dissessem olhos nos olhos… Estive 11 anos com estes senhores”, referiu, prosseguindo: “Para mim, todo o Conselho Superior saberia. Tinham plena consciência”.
E quando não foi chamado pela administração, em julho de 2014, ao contrário da diretora financeira que estava sob o seu pelouro, para apresentar esclarecimentos — com o MP a declarar que não era claro que todos os administradores tivessem real conhecimento da extensão dos problemas —, o antigo ‘número 2’ do BES concretizou. “Eu sabia que havia amnésias”, indicou, lamentando que Isabel Almeida “se sentisse sozinha” nas reuniões após a sua saída do BES. Ato contínuo, Morais Pires passou ao ataque, com a juíza presidente e a sua defesa, a cargo do advogado José Miguel Duarte, a clarificarem os termos do ataque.
Advogado José Miguel Duarte – Porque é que não o chamaram?
Morais Pires – Porque sabiam tudo e estavam numa estratégia qualquer.
Juíza – Está a dizer que se conluiaram para lhe imputar a responsabilidade?
Morais Pires – Absolutamente.
Juíza – A ‘manada’ em pânico… para usar a expressão que usou.
Advogado José Miguel Duarte – Olhe, doutora juíza, a ideia de conluio está muito bem posta.
Morais Pires – Uma prova: as contas de 30 de junho de 2014 foram aprovadas no Conselho de Administração do banco, estavam lá todos e sabe quantos assinaram? O Conselho de Administração não assinou as contas.
Todavia, esse diálogo foi uma exceção de tranquilidade numa sessão marcada por vários reparos da presidente do coletivo ao mandatário de Morais Pires. A certa altura, após uma intervenção do procurador César Caniço pontuada por várias interrupções de José Miguel Duarte, Helena Susano não poupou nas palavras. “Cale-se, era o que mais faltava que o senhor procurador tivesse que dizer que agora vai chegar do ponto A ao ponto B. Acalme-se! Tome um xanax”, atirou, depois de na véspera ter chegado a dizer que o mandaria “apanhar ar” fora da sala de audiência e que até se arranjaria “um chá”.
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