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Sunday, November 1, 2026

Diretor de instituto que apontava Lula à frente diz que pacote de bondades e medo decidiram eleição

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RESUMO +

O diretor da Vox Brasil, Alberto Barros, atribui a vitória de Lula ao medo de eleitores de baixa renda de perder benefícios sociais, à divulgação de medidas do governo e à mobilização da campanha petista. O instituto esteve entre os que mantiveram o presidente numericamente à frente nas pesquisas de segundo turno. Barros também defende mudanças nas metodologias adotadas pelos institutos eleitorais.

O medo de perder benefícios sociais e a maior divulgação de medidas do governo federal foram os principais fatores que contribuíram para a virada que culminou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na avaliação de Alberto Barros, diretor do instituto de pesquisa Vox Brasil. Em entrevista à EXAME, ele afirmou que a preocupação econômica dos eleitores de baixa renda teve mais peso do que o receio de um retorno da família Bolsonaro ao poder.

A conclusão, segundo Barros, é baseada em pesquisas presenciais, levantamentos contínuos de intenção de voto e estudos qualitativos realizados durante a campanha. A Vox Brasil esteve entre os institutos que mantiveram Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) ao longo do segundo turno, embora os resultados apontassem empate técnico.

"Foi esse o principal motivo que levou e manteve o candidato Lula à frente em todo o segundo turno", disse Barros, ao mencionar o medo de perder benefícios. Segundo ele, também existia entre parte dos eleitores o receio de que uma vitória de Flávio provocasse conflitos políticos e revanchismo envolvendo a família Bolsonaro.

Na avaliação do diretor, porém, a preocupação com a continuidade dos programas sociais foi mais relevante. Durante a campanha, o senador apresentou sinais trocados sobre a manutenção do

Pacote de bondades e reação da campanha

Barros afirma que a campanha petista reagiu à derrota no primeiro turno com mudanças na comunicação digital e maior presença nas ruas. O movimento foi acompanhado por uma divulgação mais intensa de medidas do governo e propostas voltadas à população de menor renda.

Entre os exemplos citados estão o aumento do Bolsa Família, mudanças nas regras para obtenção da carteira de habilitação, benefícios tributários para motocicletas e o fim da escala de trabalho 6x1.

"O governo começou a mostrar mais o seu pacote de bondade, começou a aparecer mais por meio das redes sociais", afirma.

Para o diretor, a recuperação também ocorreu porque o voto útil de eleitores de candidaturas menores já havia beneficiado Flávio Bolsonaro no primeiro turno, enquanto apoiadores de Lula voltaram a se mobilizar na etapa decisiva.

"O Lula saiu na frente no segundo turno porque é outra eleição. É outra eleição. Não dá para comparar números da primeira nem estilo da primeira", diz.

Barros também atribuiu à redução da abstenção, especialmente no Nordeste, parte do crescimento da votação do presidente entre os dois turnos. Segundo ele, a campanha concentrou esforços para levar às urnas eleitores mais velhos e de baixa renda.

O diretor, no entanto, considera que o Sudeste teve papel importante no resultado nacional. "O que sacramentou mesmo foi o Sudeste, principalmente em Minas", afirma.

Minas Gerais foi o único estado em que ocorreu uma virada da liderança entre um turno e outro. Além disso, Lula venceu em diversas capitais do Sudeste.

Lula venceu a eleição com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença foi de 4,43 milhões de votos.

Por que a Vox manteve Lula à frente?

A última pesquisa da Vox Brasil, divulgada em 23 de outubro, mostrou Lula com 50,6% dos votos válidos, ante 49,4% de Flávio. Na rodada anterior, o resultado havia sido de 51% a 49%, respectivamente.

Barros reconhece a redução da vantagem numérica do presidente, mas acredita que a mobilização de rua e nas redes sociais, nos dois últimos dias de campanha, contribuiu para ampliar a votação petista. Essa hipótese, porém, não foi acompanhada de dados adicionais que permitam medir o efeito dessas ações.

Questionado sobre a metodologia do instituto, o diretor afirmou que a Vox analisou ponderações relacionadas ao comparecimento dos eleitores no primeiro turno, mas optou por não utilizá-las na elaboração do relatório final.

"Nós tínhamos essas ponderações lá, mas não as utilizamos na nossa decisão de formar o relatório", diz.

Segundo ele, a empresa considerou principalmente os resultados das entrevistas presenciais, complementados por pesquisas qualitativas e levantamentos contínuos, conhecidos como trackings.

Barros também defendeu que os institutos revisem suas metodologias e reconheçam quando uma pesquisa apresenta uma ordem dos candidatos diferente do resultado eleitoral.

"Se eu tivesse apresentado um resultado para você de três pontos na frente, de três milhões de votos, o candidato Flávio ganhando a eleição, eu iria ter a humildade de falar: nós erramos", afirma.

O diretor também criticou o uso da margem de erro para justificar resultados. A margem, no entanto, é uma medida estatística de incerteza, e sua redução depende de fatores como o tamanho e o desenho da amostra.

A última pesquisa da Vox Brasil ouviu presencialmente 2.100 eleitores entre 20 e 22 de outubro, com margem de erro de 2,15 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-03259/2026.

Perguntas frequentes

O que decidiu a eleição, segundo a Vox Brasil? +

Na avaliação de Alberto Barros, o medo de perder benefícios sociais, a divulgação de medidas do governo e a mobilização de eleitores contribuíram para a vitória de Lula.

Qual foi o resultado da eleição presidencial de 2026? +

Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.

Qual foi o resultado da última pesquisa Vox Brasil? +

Lula tinha 50,6% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro, 49,4%. O resultado configurava empate técnico.

Por que a abstenção foi importante? +

Barros acredita que a mobilização de eleitores que não haviam comparecido ao primeiro turno, principalmente no Nordeste, contribuiu para ampliar a votação de Lula.

Qual metodologia a Vox Brasil utilizou? +

O instituto realizou entrevistas presenciais e afirmou utilizar pesquisas qualitativas e levantamentos contínuos como ferramentas complementares.

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