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Sunday, September 13, 2026

Fumar para socializar? Estudo mostra que hábito traz mais solidão

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Um hábito ligado à vida social pode estar relacionado a um problema menos evidente: a solidão. É o que indica um estudo europeu que acompanhou mais de 50 mil pessoas em 15 países durante dois anos. Os pesquisadores observaram uma diferença entre fumantes e não fumantes que chamou atenção.

Os dados foram apresentados no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia (ERS), em Barcelona, na Espanha, e divulgados pela própria entidade em um comunicado publicado na última segunda-feira, 7. O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Imperial College London.

A pesquisa analisou participantes do Estudo de Saúde e Envelhecimento na Europa (SHARE). No início do levantamento, a idade média era de 67 anos e 22% dos participantes eram fumantes.

Como o estudo foi feito

Para medir a solidão, os pesquisadores utilizaram a escala de solidão da UCLA. O instrumento considera aspectos como falta de companhia, sensação de exclusão e isolamento.

Os participantes responderam ao questionário no início do estudo e novamente dois anos depois. Os fumantes já apresentavam níveis maiores de solidão na primeira avaliação.

Além disso, esse grupo teve um aumento mais acentuado na pontuação ao longo do período. A associação permaneceu após os pesquisadores considerarem fatores como idade, sexo e nível inicial de solidão.

Relação apareceu em diferentes países europeus

Os pesquisadores queriam verificar se uma relação observada anteriormente na Inglaterra também apareceria em outros países europeus. Segundo o comunicado da ERS, foram identificadas apenas pequenas diferenças entre as regiões analisadas. Isso indica que a associação encontrada não ficou restrita a um único contexto social ou cultural.

“O tabagismo está associado ao aumento da solidão em pessoas idosas, sugerindo que fumar pode prejudicar a saúde psicossocial, além dos efeitos físicos”, afirma Keir Philip, professor clínico de medicina respiratória do Imperial College London.

O pesquisador ressalta, porém, que ainda é necessário compreender melhor os mecanismos envolvidos nessa relação.

Doenças relacionadas ao cigarro podem limitar a vida social

Uma das possíveis explicações envolve os próprios efeitos do tabagismo sobre a saúde. Doenças relacionadas ao cigarro podem evoluir ao longo do tempo e limitar a mobilidade.

Com mais dificuldade para se deslocar, uma pessoa pode ter menos oportunidades de participar de atividades e encontros sociais. Dessa forma, os efeitos físicos do cigarro podem repercutir também na vida social.

Outro possível mecanismo envolve as mudanças nas normas sobre o fumo. Restrições em locais públicos e ambientes residenciais livres de fumaça podem reduzir os espaços nos quais fumantes costumavam interagir. Essas hipóteses, no entanto, não foram estabelecidas como causas diretas pela pesquisa.

Os resultados mostram uma associação entre tabagismo e aumento da solidão, mas não permitem afirmar, isoladamente, que fumar seja a causa do sentimento. A relação também pode envolver outros fatores. Pessoas mais isoladas, por exemplo, podem apresentar maior probabilidade de começar ou manter o hábito de fumar.

O acompanhamento durante dois anos permitiu aos pesquisadores observar como os níveis de solidão se modificaram ao longo do tempo. Ainda assim, novos estudos são necessários para entender a direção dessa relação.

Pesquisadores defendem apoio para quem quer parar

Para Des Cox, professor clínico do University College Dublin e membro do Conselho de Defesa da ERS, os resultados reforçam a necessidade de considerar os efeitos sociais e psicológicos relacionados ao tabagismo.

O especialista afirma que é importante apoiar pessoas que querem parar de fumar sem estigmatizá-las. Ele também defendeu ações para evitar que jovens desenvolvam dependência da nicotina. “Fumar não é social; nossa pesquisa mostra que leva ao aumento do isolamento social e da solidão”, afirmou Philip no comunicado da ERS.

Além disso, os pesquisadores defendem que informações sobre os impactos sociais do tabagismo sejam incorporadas às estratégias de prevenção e combate à dependência.

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