Confiança do Mercado cai e a confiança do consumidor sobe

O mercado não tem nada ou muito pouco a ver com a economia real. No mesmo mês em que você tem um recorde de queda de bolsa e subida do câmbio porque os investidores foram pegos no contrapé, tomaram prejuízo, o índice de confiança do consumidor brasileiro subiu significativamente. Segundo o Ipsos, a média global de 30 países está em 47,3 e a média do Brasil está em 54,1. O Brasil está em quinto lugar.
José Roberto de Toledo
Toledo detalha que o levantamento citado coloca o Brasil atrás apenas de Índia, Malásia, Singapura e Suécia. Na lista, o país aparece à frente de economias como Estados Unidos, Alemanha, França, Japão e Argentina, num momento em que o mercado financeiro reagia com forte volatilidade ao resultado eleitoral.
Para Toledo, o contraste ajuda a separar o que acontece na Faria Lima - com oscilações que podem durar "um dia ou dois" - do humor das famílias, medido pela disposição de consumir e pela sensação de que o país "vai na direção certa".
É curioso, né? A confiança do consumidor é a disposição das pessoas de consumirem, de comprarem, de acharem que o país está indo na direção certa. Esse índice de 54,1 não é o melhor índice que o Brasil já teve, mas é o quinto melhor do mundo.
José Roberto de Toledo
Na avaliação dele, a melhora de expectativa no mês da eleição pode ter ajudado o desempenho de Lula no segundo turno, embora ele ressalte que não vê esse fator como o principal motor da virada. "Acho que foi o medo do bolsonarismo", diz, ao comentar a migração de votos de eleitores de outros candidatos.
Toledo também critica a capacidade preditiva do mercado e afirma que, quando investidores estrangeiros tiram dinheiro do Brasil de uma vez, o impacto aparece no câmbio. Ainda assim, ele sustenta que esse tipo de movimento é mais especulativo do que estrutural.
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