Sem Ronaldo, Portugal dá lição coletiva na Dinamarca?

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Três jogos, três vitórias, nove pontos e basta um empate no Dragão domingo e Portugal segue para os quartos de final da Liga das Nações. Nem o terramoto Ronaldo abalou a equipe portuguesa. Vitória contundente ontem em Copenhague, frente à Dinamarca, por 4 x 1. Augusto Inácio, João Pinto, João Castro e Pedro Henriques comigo nesta edição de sexta-feira de "E o Campeão É". Muito boa tarde, campeões. Vamos analisar esta vitória de Portugal. Augusto Inácio, tivemos aqui alguns destaques na equipe portuguesa. A exibição de Bruno Fernandes, o primeiro gol de Vitinha, o rendimento de Gonçalo Ramos. O que é que retiras de melhor desta exibição de Portugal ontem em Copenhague?
Boa tarde a todos. Dizer que foi o melhor jogo que Portugal fez até hoje sob a era de Jorge Jesus. Aliás, é normal, com pouco tempo de trabalho, as coisas vão progredindo de uma forma muito segura dentro do campo. Uma equipe distribuída no campo, mas com os setores muito avançados e, como disse o Jorge Jesus, correndo riscos de sofrer contra-ataques, mas pressionando o adversário sempre muito alto. E cada vez que Portugal tinha a bola nos pés, tinha sempre muita qualidade. Diria que o Nuno Mendes teve um grande nível. Para mim, foi o melhor jogador em campo. Bruno Fernandes na segunda parte subiu muito o rendimento em relação à primeira. Gonçalo Ramos, goleador, teve a oportunidade, é de bico, seja como for, é preciso a bola estar lá dentro.
E assistiu também, creio, para o gol.
E assistiu também. Trabalhou muito para a equipe a nível defensivo também. Diria que Portugal, no seu todo, foi realmente uma equipe que transmitiu muita confiança e foi, acima de tudo, uma equipe muito solidária. Aliás, eu esperava que a equipe estivesse unida nesse sentido, porque o que conta ali é o resultado, outros problemas são outros problemas, mas quando se toca um jogo, a equipe tem que estar solidária. Mas aquilo que eu mais gostei, e aqui o destaque vai para o nosso treinador, para o Jorge Jesus, que conseguiu incutir um espírito na equipe em que, mesmo estando a ganhar, deixando-se empatar por duas vezes, nunca deixando acreditar na ideia de jogo, porque era assim que ele via que o jogo podia ser ganho. Não digo que é importante, todas são importantes, cava aqui um fosso de seis pontos para o segundo, terceiro e quarto lugar, que os outros três têm três pontos. Ganhando na Noruega e no Dragão, Portugal pulou-se logo automaticamente, mas o que salta aqui à vista é realmente o crescimento desta equipe, tanto a nível individual como coletivo, parece-me que está no bom caminho.
João Pinto, já não estávamos habituados a uma seleção que não tem sobressaltos, que não perde pontos quando não é preciso, que não precisa de calculadora. Esta nova era Jorge Jesus parece que nos traz essa segurança, pelo menos neste caminho da Liga das Nações, está a ser assim.
Parece-me demasiado antecipado traçar já esse cenário. Na Liga das Nações jogamos contra seleções muito boas. Há sempre este cruzamento entre pares e, portanto, é um bom começo, mas pouco mais que isso, porque da mesma maneira que nós ganhámos a Noruega, a Noruega pode vir ao Dragão e ganhar. Agora, tirando estes disclaimers todos, realmente foi uma grande exibição, na sequência de outra boa exibição. E depois, sublinhar aquilo que o Augusto já disse e que o Jorge Jesus não se cansou de dizer ontem, que foi a questão do risco. E eu gosto de uma equipe que joga assim, que sabe aquilo que vale e que não tem medo de ir pra frente, de meter os olhos na baliza, trocar a bola, de jogar aquele futebol português da bola de pé para pé, no meio de uma série de adversários, de não se assustarem e depois da frente da baliza saberem como é que é, onde meter lá dentro, seja o Manel ou o António. Portanto, gostei muito desta maneira de Portugal jogar. Acho que as peças estavam todas no sítio certo. Quando jogamos com três avançados, o Félix fica no banco ou depois entra como ponta de lança, portanto, não se adapta o sistema aos jogadores, mas os jogadores ao sistema. E por isso acho que o Jorge Jesus ganhou o grupo. Para mim, ganhou-me enquanto fã a ver aquele futebol e para já ganhou três pontos e vai muito balançado.
João Castro, já podemos traçar aqui alguns paralelismos e antagonismos deste Portugal de Jorge Jesus face ao anterior de Roberto Martínez?
Boa tarde a todos. Sim, claramente. Eu tinha dito que Portugal ia fazer uma grande exibição e acabou mesmo por fazer. Estava na cara que os jogadores iam estar muito motivados para mostrar um futebol diferente. Há uma clara evolução desde o primeiro jogo do Jorge Jesus e uma transformação incrível para aquilo que era o futebol do Martínez, que era um futebol mais lateralizado, circular mais a bola de um lado para o lado, mas muito lento. Aqui é mais vertical. Portugal a pressionar forte e homem a homem, com o risco que o Jorge Jesus salientou. Eu acho que aqui faltou a Portugal, ou falta ainda um bocadinho mais de agressividade, às vezes matar as jogadas com faltas. E se calhar falta-nos um central ali mais rápido também lá atrás, é verdade. Mas há o risco, mas pois há já uma envolvência ofensiva, uma dinâmica muito bem conseguida. A parte da pressão foi muito bem estudada para orientar a pressão para a Dinamarca sair pelo lado esquerdo e não pelo lado direito, que era o mais forte deles em termos de construção. Portanto, notou-se que o jogo foi bem preparado e depois as peças todas no sítio. Grande exibição do Gonçalo Ramos, Bruno Fernandes, Vitinha, com aquela liberdade a oito e a poder chegar à frente, que é o primeiro gol de cabeça. E o Nuno Mendes, claramente, a reivindicar, quanto a mim, já há algum tempo, é o melhor lateral esquerdo do mundo, mas com uma grande diferença para os demais. E, portanto, acho que Portugal está bem. Jorge Jesus conseguiu, realmente, em pouco tempo, por a seleção a jogar bem, num estádio muito difícil. Há um ano e meio fomos amassados lá na Dinamarca, no Parker, em Copenhaga. E agora uma vitória que demonstra também ali muita maturidade da equipe, porque sofreu duas vezes o empate e mesmo assim, acho que o Jorge Jesus alterou bem. E atenção, é preciso salientar isso, as substituições foram na altura certa e para os jogadores certos. E Portugal, lá está, teve essa maturidade de não se perder perante a pressão dinamarquesa e conseguir realmente uma excelente vitória.
Pedro Henriques, nas últimas horas continuamos a ver na imprensa, nas redes sociais, uma sociedade muito dividida entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. Claro que isto para Portugal, como país que está a competir na Liga das Nações, pouco interessa e a resposta até foi bem dada ontem da parte da equipe e da parte do treinador, mas sai por cima num momento difícil Jorge Jesus, já ouvimos também neste campeão a frase: "Ganhou o grupo e precisava desta vitória também para se impor de melhor maneira como selecionador, junto à opinião pública e junto também dos próprios jogadores de Portugal".
Muito boa tarde. Ainda bem que começámos um bocadinho mais tarde, estava aqui a acabar de pôr um cartaz, mas agora já estou disponível.
Vê lá se não te vão tirar.
Então vamos lá. Começando pelo jogo e depois respondendo àquilo que estás a me perguntar. O jogo Portugal esteve muito bem, obviamente. Percebe-se que curiosamente aquilo que é a chamada máquina ofensiva de Jorge Jesus funciona porque ele tem mantido aquele um mais quatro defesas e depois vai oscilando com a posição seis entre o Rúben, o Neves, obviamente, e o Palhinha, e depois tem vindo a fazer trocas à frente e tem estado a funcionar bem e gostei de ver isso. Gostei de ver o Vitinha a marcar finalmente um golo pela seleção, porque até no próprio site da seleção brincava-se com o fato de ele ainda não ter marcado e depois ainda por cima marcou.
De cabeça.
De cabeça, que é fora do normal. O Gonçalo Ramos, que marca e assiste, eu acho que isso também é bastante importante. E depois o Bruno Fernandes, que acaba por aparecer de cara lavada e ontem foi o rei das assistências e esteve muito bem naquilo que foi o jogo. Claro que quando ganhas 4x2, mesmo com o tal risco, porque houve momentos que estava um bocadinho anárquica a coisa, portanto podias desmarcar e afastar-se em termos de resultado como podias sofrer, e isso aconteceu por duas vezes, mas gostei exatamente desse risco, da tal pressão alta, e naturalmente que o feedback que os jogadores deram foram muito bons no sentido de dizerem qualquer coisa como: "Nós estamos a perceber aquilo que é pedido" e quando os jogadores entendem o que é pedido, isso é muito bom, assim como também os adversários falaram exatamente nessa pressão alta e nesse risco de Portugal, até fizeram essa pergunta aos jogadores dinamarqueses, que eles fizeram inclusivamente a comparação com o tal jogo de há um ano e meio. Referir ainda que o Rafael Leão, porque eu acho que é importante irmos fazendo esse esclarecimento, fica com a camisa número sete, porque a seleção foi obrigada a dar o número sete. Portanto, não tem nada a ver com aquilo que se vê nas redes sociais. Nada disso. A regra da UEFA é muito simples, de um a 23 e alguém tem que ficar com o sete e não se pode saltar isso. É esse o motivo. E depois algum desnorte, porque embora a federação possa estar a querer passar ao lado, naturalmente, ou pelo menos a adiar, e isso eu compreendo, porque há dois jogos, havia, agora só um, e a passar tudo para depois do jogo do Dragão, porque o foco é a seleção, é o coletivo, é o resultado e é esta competição, que é importante nós estarmos nos quartos de final lá para março. Eu acho que há ali algum desnorte no seio da federação e basta ver em termos de organização. Repara que há um erro da Federação Portuguesa de Futebol, numa coisa muito simples, que é uma folha chamada modelo 143, em que aparecíamos com oito suplentes. João Félix e João Neves estavam de fora e o Rúben Dias era o capitão de equipe. Depois lá conseguiram corrigir a tempo, porque depois do jogo começar já não havia volta a dar. Isto revela muito daquilo que eu acho que é as organizações têm que ter pessoas capazes e competentes, e não os amigos dos amigos. E isso é fundamental. E aquilo que me parece neste momento é que todo este caso, toda esta envolvência, está a deixar as suas marcas, inclusivamente no seio da seleção. E com esta história agora dos cartazes, o Jorge Jesus a dizer ontem que espera, como ele disse, eu acho que o tribunal do Dragão vai ser importante nesse aspecto, tribunal do Dragão no sentido de perceber como é que vai ser a reação. Não sei se concordas comigo.
Para já, há a indicação de alguns insultos a Jorge Jesus na chegada ao Porto. Agora, não sei se é pelo seu passado de Benfica ou se porta engloba neste momento a seleção.
Claro, mas repara uma coisa, ontem já se ressentiu isso quando saiu. Ele disse que não ouviu ninguém. Os próprios adeptos adversários, que é normal assobiarem, mas não é normal assobiarem mais um selecionador do que os jogadores. Quando saiu do hotel, isso aconteceu, quando chegou. É normal porque o país neste momento, quer queremos, quer não, acho que todos têm razão e todos têm culpa, e já falámos em outros programas e termino com isto, mas acho que neste momento o Jorge Jesus sabe lidar, tem 72 anos, sabe lidar perfeitamente com isto, mas é complicado quando não é do exterior nem dos adversários que vem esse barulho, que é quando internamente isso acontece. Portanto, esta divisão que está a acontecer de forma natural, independentemente da contagem de espingardas de um lado ou do outro, não é boa para ninguém, para nenhuma das partes, e isso é uma ferida muito difícil de sarar e vamos ver o que é que vai acontecer a partir de segunda-feira.
Augusto Inácio, queria olhar também muito rapidamente contigo o jogo do próximo domingo no Dragão com a Noruega. Foi também o jogo mais difícil que Portugal teve até agora, mas também estava naquele primeiro jogo de Jorge Jesus, ainda sem se calhar as dinâmicas que o novo selecionador quereria para os seus jogadores. Como é que perspetivas? Pode surpreender a Noruega ou com este evoluir nas exibições de Portugal, não teremos as dificuldades do primeiro jogo?
A Noruega foi o segundo jogo que Portugal fez. O primeiro foi com o País de Gales em Alvalade e o segundo foi na Noruega. Aliás, duas vitórias muito importantes e muito boas, fora de casa, que é sempre importante e com adversários muito bons também. Mas cada jogo tem a sua história. A Noruega também tem os seus problemas. Parece que o guarda-redes vai ser trocado, já não vai jogar no Dragão. Mas o que interessa é a nossa equipa e a nossa equipa, dentro desta evolução, estamos sempre à espera, como é evidente, do primeiro para o segundo jogo, que foi uma evolução já boa. Agora do segundo para o terceiro ainda foi melhor Estamos sempre à espera daquela evolução que a gente possa olhar depois de cada jogo que Portugal fizer no futuro, que a gente possa, entre aspas, ter a confiança de vermos uma equipa ainda muito mais consistente. Claro que o risco tem sempre os seus riscos, como é evidente. Aquela forma de Portugal jogar obrigaria, entre aspas, a ter centrais rápidos, porque a bola são colocadas nas costas e é difícil para o Renato Veiga e para o Rúben Dias irem apanhar o adversário. E foi assim que foi o segundo gol da Dinamarca. Mas de qualquer das maneiras, é um processo que está em andamento, é um processo que está em evolução, é um processo que está em consolidação. Eu diria que Portugal tem tudo para fazer um grande jogo, até porque tem uma vantagem de seis pontos sobre o segundo, o terceiro e o quarto classificado, para jogar com essa confiança. Mas eu sinto a equipa a crescer, eu sinto a equipa a tentar absorver as ideias do treinador. E o treinador tem uma forma de jogar de risco, é verdade, mas que empolga. Empolga porque a gente pode estar a perder 1 x 0, podemos estar a perder 2 x 0, mas parece que a equipa consegue ou dá a ideia que pode dar a volta ao resultado. Neste caso, foi ontem, estávamos a ganhar 1 x 0, deixámos empatar, fomos à procura do segundo. Fizemos, deixámos empatar, vamos à procura do terceiro e depois vamos à procura do quarto. E esta é uma mentalidade muito positiva que os jogadores adoram, gostam, mas que claramente nem tudo está bem, nas bolas paradas nem tudo está bem, defensivas e ofensivas, mas não se pode estar a exigir em tão pouco tempo mais do que aquilo que Portugal tem feito.
Muito bem, vamos avançar também para os campeões. Estava aqui a olhar para o calendário da Liga das Nações, João Pinto. Há um interessante França e Itália hoje, há também um Inglaterra e Croácia, também equipas claramente candidatas a esta competição onde Portugal parece ir destacado. João Pinto, quem é o teu campeão nesta sexta-feira?
Vou começar quase pelo fim, o Troy Parrott que faz um gol fabuloso pela Irlanda, um 16 para essa maravilha. Se não viram, vão ver. Um 20 para a exibição de Portugal ontem. Realmente uma exibição muito bem conseguida, um grande resultado num estádio e num país muito complicado. E depois, obviamente, não pode ser diferente, um 20 para o homem dos cartazes. Que maravilha fazer cartazes. Isto é inspirador.
João Castro, o teu campeão nesta sexta-feira?
Olha, 19 para Portugal, por uma excelente exibição. A demonstrar que realmente temos jogadores para jogar mais do que o que vínhamos a jogar, e eu acho que isso é importante salientar. E realmente um 16 para esse grande França e Itália. A Itália um pouquinho renovada. E deixa-me dar aqui também um 17 à seleção grega, porque esta geração de gregos, atenção à seleção. E o Onyedice marcou realmente um gol também. Fica a nota.
E vamos ao campeão do Pedro Henriques.
Seleção nacional, obviamente. Ultimamente tenho andado a repetir aqui este 20 que dou. Não é só pela questão de rendimento desportivo, que esse é sempre mais importante, mas pela resposta que os jogadores, que é isso que têm que fazer, estão a dar em campo perante este tumulto. Repito, estou com poucas esperanças, mas espero que este fim, esta final de relação entre a seleção e Cristiano Ronaldo tenha um contorno totalmente diferente e que ainda se vá a tempo de recuperar alguma coisa. Não estou a dizer que ele tem que regressar à seleção para jogar.
Claro.
Estou a dizer é que espero que haja um final diferente, porque não faz sentido. Eu tenho memória, não é seletiva, não é dos últimos tempos. Há de haver um antes de Cristiano Ronaldo e depois de Cristiano Ronaldo na seleção nacional e daqui a 10 anos estaremos, e daqui a 20, os que cá estiverem, estarão a falar exatamente sobre isso. E isso não se faz, ao menos antes e depois, não se faz com um jogador só extraordinário, porque esses já tivemos muitos. Faz-se com uma lenda. E o Cristiano Ronaldo é uma lenda, gostem ou não gostem.
Muito bem. De resto, Pedro Henriques, até nas últimas horas parecem estar a existir algumas movimentações nesse sentido. Parece ser esse o desejo de Pedro Proença, mas parece-me também que ainda vamos ter que esperar algum tempo para ver um desfecho desse possível reatar de relações para um final mais digno da mais bela história do futebol português. Augusto Inácio, fecho com o teu campeão.
É rápido. Eu quero dar nota 17 para a seleção nacional, porque estou à espera que Portugal ainda faça melhor no futuro para dar depois nota 20. Mas por tudo aquilo que foi o envolvimento, por tudo aquilo que foi o ambiente, mas por tudo aquilo que Portugal depois fez dentro do campo, é verdade que os jogadores podem ter carinho, amizade, consideração, respeito, por Cristiano Ronaldo, mas depois chega a hora do jogo, é só a vitória que interessa, porque a seleção nacional está em jogo e os jogadores deram uma resposta muito boa. Parabéns a todos eles, treinador incluído.
Está feita a edição de hoje de "O Campeão É". Ao longo do fim de semana, é depois das 11h30, quer no sábado, quer no domingo, que voltamos a pontuar e a avaliar os protagonistas da atualidade. Bom fim de semana, campeões.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.