Acampada Porto não decide sobre reunião com Pedro Duarte

As cerca de 200 pessoas que participaram esta sexta-feira na assembleia popular no Porto decidiram que, “enquanto movimento”, não vão continuar na Praça D. João I na noite desta sexta-feira, prometendo regressar no sábado.
“A votação é indicativa, não vinculativa, cada um tem a sua liberdade individual. Enquanto movimento não vamos gastar esforços a montar a resistência e permanência esta noite”, anunciou um dos membros do movimento acampada Porto, Sérgio Bastos.
A assembleia popular, que ainda decorria pelas 22h40, discutiu ainda se vai reunir-se ou não com o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, no Teatro Rivoli, mas não foi levada a votação nenhuma proposta nesse sentido, ou em sentido contrário.
“As deliberações são tomadas aqui, na praça, não são tomadas em gabinetes nem por movimentos à parte”, ouviu-se no microfone aberto que já faz parte do cenário destas assembleias.
Entre as palavras de ordem, houve uma opinião consensual. “O povo manda e os governantes obedecem”, frase que foi repetida e aplaudida.
Ouviu-se ainda: “[Isto] é um diálogo, é preciso falar, mas também é preciso ouvir” e “não se leve isto ao desgaste porque não se vai conseguir que ele [presidente da câmara] venha aqui”.
Ao microfone, representantes do movimento que coordena os trabalhos explicaram também o que fazer em caso de intervenção policial, como agir em caso de detenção e “como resistir”, mas de forma pacífica.
Enquanto decorria a assembleia, pela Praça D. João I alguns presentes dançavam e crianças corriam: “Temos aproveitado estes momentos para mostrar aos nossos filhos o que é a Democracia. Discutir, votar e aceitar o resultado”, explicou à Lusa Manuel, que levou os dois filhos, de 4 e 7 anos à Praça D. João I.
Numa noite que começou a ser fria, a cantina social continuou a alimentar o estômago e a aquecer as conversas. “Vamos permanecer aqui, mesmo sem pernoitar, enquanto temos comida”, disseram outros. “Haverá sempre alguém que fica nesta praça”, garantiram.
No sábado, pelas 16h00, está marcada uma nova manifestação com início na Praça da Batalha e que irá percorrer as ruas da cidade até à Praça D. João I.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.
Na semana passada, a PSP dispersou à bastonada e com recurso a cães as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os protestos pelo direito à habitação começaram a 10 de outubro na Praça D. João I, no Porto, e em Lisboa a 17 de outubro na Praça de D. Pedro IV, tendo existido tensão com a polícia que não permite que as tendas permaneçam durante a noite nestas praças.
A primeira carga policial aconteceu no Porto a 15 de outubro.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
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