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Sunday, September 27, 2026

O que Trump pode fazer na Groenlândia após acordo por controle militar?

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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, assinou um acordo sobre a Groenlândia após meses de ameaças ao território e aliados europeus.

O entendimento parece introduzir pequenas alterações em um tratado de 1951 que regula a presença militar dos EUA no território autônomo, segundo especialistas, mantendo países de fora da Otan, a aliança militar ocidental, afastados e permitindo um pequeno aumento no contingente de forças americanas.

Trump havia ameaçado tomar a Groenlândia à força caso não chegasse a um acordo de seu agrado, em um momento em que nações europeias enviavam tropas para o território e as tensões com países como a Rússia aumentavam.

O acordo entre EUA, Dinamarca e Groenlândia funciona como um complemento ao tratado de defesa de 70 anos que autorizou o país a manter tropas na Groenlândia como parte da estratégia de defesa da Otan.

Entre as principais adições estão a proibição de que países que não integrem a Otan instalem forças na Groenlândia, a construção de duas bases americanas e a garantia de acesso militar dos EUA caso o território semiautônomo conquiste a independência da Dinamarca, afirmaram especialistas.

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"Não acredito que a presença militar será tão grande assim, mas ela amplia nossa presença — que é bastante modesta — na Groenlândia e faz parte de um cenário muito mais amplo de atividades no Ártico e da expansão das operações de todos os envolvidos, inclusive nós e os canadenses", disse Mark Cancian, consultor sênior do CSIS (Departamento de Defesa e Segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

As Forças Armadas dos EUA mantêm uma presença reduzida na base militar de Pituffik, na Groenlândia, há décadas.

Embora o presidente Trump tenha declarado no dia 18 deste mês que os Estados Unidos começariam "imediatamente" a estabelecer uma "grande presença militar" na ilha, Cancian afirmou que o contingente final pode ser modesto, estimando um acréscimo total inferior a 50 militares.

As restrições do acordo à influência de países que não integram a Otan sobre a Groenlândia — uma das principais mudanças em relação ao tratado anterior — são "claramente voltadas" para a China e a Rússia, acrescentou Cancian.

Trump apresentou o acordo como uma forma de garantir "controle permanente sobre a segurança" do território, depois de ter afirmado anteriormente que os EUA precisavam de controle sobre o país para assegurar sua própria segurança.

Tropas dinamarquesas treinam na Groenlândia como parte do exercício "Resistência Ártica". • Ministério da Defesa da Dinamarca

O entendimento firmado faz referência ao sistema de defesa antimísseis do "Domo de Ouro", planejado por Trump, embora a implementação desse programa ainda leve anos para ocorrer.

Os EUA e outras nações têm voltado cada vez mais sua atenção para o Ártico à medida que as camadas de gelo diminuem, criando rotas navegáveis ​​que poderão moldar o comércio global.

“Pode-se argumentar que essa questão da Groenlândia causou muitos danos à segurança do Ártico, justamente devido ao ambiente político desafiador”, disse à CNN Iris Ferguson, ex-subsecretária adjunta de Defesa para o Ártico e resiliência global na administração de Joe Biden.

“Mas acredito que este acordo realmente aponta na direção certa para o avanço de objetivos comuns", ponderou.

O novo acordo inclui uma garantia de acesso para os EUA caso a Groenlândia se torne independente da Dinamarca — uma questão que vinha gerando atrito há muito tempo sob o acordo anterior, explicou Ferguson.

Ela acrescentou ainda que seriam necessários investimentos significativos em infraestrutura nos dois locais onde os EUA estabelecerão bases — Narsarsuaq e Mestersvig — não apenas para acomodar pessoal, mas também para proteger adequadamente os equipamentos contra as condições ambientais adversas.

“Acredito que grande parte disso teria sido acordada com total disposição, não fosse por certa retórica. Dito isso, considero que este é o melhor acordo que se poderia esperar, dadas as circunstâncias", destacou Ferguson.

Mark Rutte, secretário-geral da Otan, afirmou em uma publicação nas redes sociais que é “ótimo ver o acordo assinado”.

“Conhecemos as ameaças que enfrentamos, e uma maior segurança no Ártico e no Atlântico Norte é essencial tanto para a Europa quanto para a América do Norte”, disse Rutte.

“Este acordo, juntamente com o papel crescente da Otan na segurança desta região vital, reforça a nossa segurança coletiva e apoia um futuro mais seguro e estável para todos nós", prosseguiu.

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