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Wednesday, October 7, 2026

Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio. E agora? - EXTRA

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Esta é a História do Dia da Rádio Observador. Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio. E agora? Está quebrado o silêncio. Cristiano Ronaldo falou pela primeira vez sobre a polêmica em torno do abandono do estágio da seleção nacional. Afinal, sairá ou não da equipe das Quinas em definitivo? Foi enviado às redações um comunicado de seis páginas, assinado por Cristiano Ronaldo, em que fala de absolutamente tudo.

Pouco antes das 20h, era conhecido o comunicado de Cristiano Ronaldo, em que o capitão da seleção portuguesa de futebol contou a sua versão do que aconteceu até o momento em que abandonou a concentração da equipe das Quinas na Dinamarca. Ronaldo pede desculpa pela atitude que teve, até admite ser sancionado, mas deixa críticas a Jorge Jesus e mostra-se disponível para voltar a competir, mas em partidas oficiais. Vou conversar com Bruno Roseiro, é editor de desporto do Observador. Eu sou o Luís Soares e esta é uma edição extra da História do Dia de quarta-feira, 07 de outubro. Bem-vindo, Bruno.

Olá, Luís.

Bruno, Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio ao fim de cerca de uma semana de toda esta polêmica. O que é que fica ou não esclarecido com este comunicado de Cristiano Ronaldo?

Há uma primeira parte que fica esclarecida e era uma peça que faltava, que era: já se tinha ouvido Pedro Proença, já se tinha ouvido por mais do que uma vez Jorge Jesus. Ouviu-se agora a parte que faltava, que é Cristiano Ronaldo. Neste caso, não com as caixas de ressonância, vulgo Edu Aguirre e Piers Morgan, jornalistas que são próximos do avançado e que foram dando uma série de explicações na televisão, mas através de um comunicado validado pelo próprio, e a expressão “validado” é importante e já lá chegaremos. Portanto, esse é o primeiro dado. Pela primeira vez, temos a versão de Ronaldo contada pelo próprio e não por outros. Segundo ponto interessante, algumas partes daquilo que foi sendo dito por jornalistas próximos de Ronaldo não batem certo com aquilo que depois é referido no comunicado. Em nenhuma parte Ronaldo fala em traição, em nenhuma parte todo o espetáculo que, por exemplo, o Piers Morgan referiu em relação a Jorge Jesus foi invocado e, portanto, por aí se percebe que havia uma ideia exacerbada de Jesus enquanto vilão, que não seria bem assim. Depois, tem a parte em que Ronaldo vai explicando todos os dados e todos os passos que foram dados até pedir desculpa por ter abandonado a seleção.

Ia precisamente pegar nesse ponto para lhe perguntar se aí há ou não diferenças entre aquilo que foi sendo o discurso de Jorge Jesus e aquilo que Cristiano Ronaldo agora diz neste comunicado.

Sim, eu vou passando o comunicado e aquilo que me parece é: as primeiras páginas e os primeiros parágrafos são meras confirmações de tudo aquilo que nós fomos dizendo e escrevendo ao longo dos últimos dias. Um, foi Pedro Proença que pediu a Cristiano Ronaldo para continuar na seleção quando ele tinha ideia de abandonar depois do Mundial 2026. Portanto, aqui a única novidade é essa primeira conversa aconteceu logo no avião de regresso, quando se pensava e as informações que nós tínhamos era que o ambiente era pesado, não só pela iluminação, mas também pela confirmação da saída do Roberto Martínez enquanto selecionador. Ronaldo confirma depois as duas reuniões que teve com Jorge Jesus, numa primeira instância, na Cidade do Futebol, numa segunda instância, na sua casa, em vésperas da convocatória, e confirma tudo aquilo que foi sendo dito. Que Jesus lhe explicou que ele jogaria apenas dois dos quatro jogos nesta paragem de seleções para a Liga das Nações, que havia uma gestão física que teria de ser feita e daí ao ficar de fora dos jogos, que eram mais indicados para um jogador com as características de Gonçalo Ramos, não está no comunicado, mas consegue-se perceber isso. E há aqui uma primeira farpa logo para Jorge Jesus, que é quando Ronaldo diz: “O selecionador queria que eu ficasse em Portugal a recuperar, mas eu, como sou o capitão de equipa, quis ir para a Escandinávia”. Portanto, este é o único dado novo que existe. A grande parte, e para mim aquilo que é o grande problema deste comunicado, é quando chegamos à véspera da tão famosa conferência de imprensa de Jorge Jesus que levou ao abandono e percebemos que a federação muitas vezes se confunde com o mundo Ronaldo. E por quê? Isto não é uma questão de opinião, isto é leitura e interpretação do que está ali. Um, a reunião entre Ronaldo e Jorge Jesus teve Simão Coutinho, diretor desportivo do Al-Nassr, que já tinha estado também na Cidade do Futebol, ou seja, uma pessoa externa à Federação Portuguesa de Futebol, que se encontra no local que deveria ser restrito naquela altura apenas a pessoas da federação. Dois, existe, pois, uma videoconferência com Tiago Craveiro, que nesta altura é responsável pela holding CR7 SA, é o seu consultor estratégico e que já foi vice-presidente da federação. E foram estas quatro pessoas que terão definido Aquilo que Jorge Jesus deveria ter dito na conferência de imprensa. E logo aí há logo um problema, que é: quando se coloca papel à frente de um treinador para ele ler numa conferência de imprensa, esse mesmo treinador até pode ler o papel, mas se ler o papel, a seguir acaba a dizer: "E eu despeço-me do meu cargo". Porque não há hipótese. Quando um treinador se vê obrigado, entre aspas, a ler um papel, a justificar-se sobre tudo aquilo que se tinha passado e da forma como o mesmo estava escrito, Jorge Jesus, se entrasse por esse caminho, obrigatoriamente teria de pedir a demissão. Não entrou como o Ronaldo queria. Muitas das coisas que estão ali foram referidas por Jorge Jesus na conferência de imprensa, à sua maneira.

À maneira de Jesus, sim.

Aliás, essa foi uma expressão que nós aprendemos que foi dita a amigos próximos. "Eu disse aquilo que tinha ficado combinado à minha maneira". Foi o próprio que comentou isso com algumas pessoas próximas. Agora, aquilo que para mim acaba por ser uma espécie de calcanhar daqueles deste comunicado, é o próprio Ronaldo assumir que validou um papel que na minha ótica não o dignifica em nada.

Isso mostra o que, exatamente?

Isto estamos a falar de, por um lado, um modus operandi, que nós, no limite, poderemos até pensar: será que isto é a primeira vez que acontece ou será que nos últimos 20 anos já aconteceu noutras ocasiões? Dois, muitas vezes o próprio Ronaldo ou quer ser ou pensa ser uma figura maior do que a seleção, porque aquilo que está aqui, e há algumas frases, que eu sinceramente tenho algumas dificuldades em interpretar, alguém que valide isto para o seu selecionador dizer, por mais amargurado que pudesse estar. Frases como: "Eu quero o Cristiano Ronaldo na seleção nacional. Aliás, não quero pouco, quero muito. Ele nunca questionou as minhas opções, foi exemplar, leal e profissional. Tudo isto é o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira e que mais acarinha os adeptos". Eu não sei qual é a necessidade que existe de haver este tipo de quase bajulação a uma figura que nunca deixará de ser a figura que é com Cristiano Ronaldo, quando se trata, alegadamente, não de um pedido de desculpas, mas de um mea-culpa, depois de um erro assumido pelo treinador. Eu diria que este é o grande calcanhar daqueles do comunicado Cristiano Ronaldo, independentemente de haver aqui uma nota. É o próprio que o diz, portanto, o próprio assume que tudo isto foi feito assim. Aquilo que eu coloco algumas dúvidas é: as pessoas que tanto têm defendido o Ronaldo num assunto que, sobretudo, não deveria estar a dividir nem o país, nem opinadores, nem quem gosta da seleção, deveria, sobretudo, estar a construir pontes para ser um caso ultrapassado. Não consigo perceber a necessidade de haver este tipo de argumentação.

E neste comunicado, Bruno, Cristiano Ronaldo assume ou não uma cota parte de culpa ou de responsabilidade pela forma como abandonou o estágio da seleção?

Cristiano Ronaldo, zero alusões ao nome de Jorge Jesus. Aquele treinador que o próprio Pedro Proença lhe perguntou se ele achava que era uma boa opção, é que ele disse que era ideal, zero alusões ao nome de Jorge Jesus, seis vezes pedidos de desculpa. Pedidos de desculpa para os adeptos portugueses que estavam em Oslo no jogo com a Noruega, quando ele saiu mais cedo. Pedidos de desculpa aos adeptos genericamente e também aos adeptos estrangeiros que estavam no estádio, muitos deles à espera de poder ver Cristiano Ronaldo em ação e que depois acabou não só por não entrar em ação, como ir diretamente para os balneários no final do jogo. Mais tarde, pede também desculpas pela posição que tomou de abandonar a seleção. Pede desculpa aos seus companheiros de equipa, neste caso, não utilizando a expressão "sem exceção". Foi isso que ele escreveu no primeiro comunicado, sem nunca se perceber a propósito é que poderia haver uma exceção, quando são todos companheiros de equipa e deveria haver um ambiente salutar, sem necessidade de haver esse reforço do sem exceção. E, portanto, no meio disto tudo, pede desculpa a adeptos, pede desculpa aos companheiros de equipa, mas pede desculpas direcionadas apenas e só aos dois mentos onde ele sente que falhou, que foi ter ido diretamente para os balneários do jogo em Oslo e ter abandonado a seleção, provavelmente de cabeça quente, como ele não refere.

E coloca-se também no lugar de quem poderá ser punido por causa disso, não é?

Esse é o outro lado. Ou seja, ele é alguém que pede desculpa pelo comportamento que teve, mas que depois, mais uma vez, num universo federação, que parece que obrigatoriamente tem de girar à volta de Ronaldo, é o próprio que diz: "Eu tenho de ser castigado". Pronto. Antes de haver um qualquer castigo, convém perceber que tem de haver processo disciplinar, têm de ser ouvidas várias pessoas, etc. E depois sim, é que se avalia o castigo, que neste caso será enquadrado entre um a seis meses.

E até agora, que saiba, isso não aconteceu.

Não há qualquer processo disciplinar nesta altura aberto a Cristiano Ronaldo. Não sei se ele agora vai pedir para que esse processo seja aberto, mas nesta altura não existe. E isto depois entronca num outro ponto que tem a ver com a sua total abertura para voltar à seleção, mas numa condição O Ronaldo não quer jogos de despedida, não quer aquele adeus a bem só para serenar tudo aquilo que aconteceu. O Ronaldo quer vir, mas quer competir a sério. E isso é um dado novo. Por quê? Porque o competir a sério significa competir na Liga das Nações. Competir na Liga das Nações significa que Jorge Jesus teria de chamar Cristiano Ronaldo e, nesta altura, teria de se ver obrigado a pensar 10 vezes antes de tomar a decisão. Um: quem é que vai ser titular, Gonçalo Ramos ou Cristiano Ronaldo? Dois: sendo Gonçalo Ramos titular, Ronaldo pode ou não aquecer, havendo risco de poder não entrar. Três: caso isso volte a acontecer, Ronaldo vai ou não abandonar o estágio da seleção? Isto são uma série de dúvidas que são criadas, mas a verdade é que Ronaldo é muito direto em relação a um regresso à seleção. Ele quer voltar, mas não é para um jogo do adeus. Ele quer voltar a sério, ou seja, ele quer voltar para fazer parte da equipe portuguesa que vai lutar pela reconquista da Liga das Nações, que terá agora em novembro dois jogos, que serão mais para experiências, para Jorge Jesus rodar alguns jogadores que não conseguiu ainda fazer. E depois sim, em março e em casa puramente na Final Four em junho, aí, sim, o Ronaldo quer continuar a contar nas opções de Jorge Jesus. Esse, para mim, é o grande problema, porque me parece que Ronaldo e Jesus na mesma equipe, no mesmo grupo, no mesmo balneário, é algo que nesta altura não existe e é algo que me parece irreversível.

Precisamente, era o que eu ia perguntar a seguir, Bruno. Perante este comunicado, que reação é que poderemos esperar, tanto de Jorge Jesus como de Pedro Proença, nos próximos dias, o que é que poderemos esperar depois de todo este comunicado?

Eu, nesta altura, até estou mais curioso com a reação de Pedro Proença do que com a reação de Jorge Jesus. E por quê? Porque Pedro Proença, enquanto presidente da Federação, perante este comunicado, vai ter de tomar um de dois caminhos. Hipótese A: ratificar aquilo que Ronaldo diz no comunicado, dizer que é tudo verdade e no fundo, entregar a cabeça do seu selecionador, ou hipótese B: desvalorizar o comunicado do Ronaldo, continuar a dizer que ele merece todas as vénias e mais algumas, abrir a porta da seleção, mas conseguir mostrar que está do lado do treinador. E isto é altamente complexo nesta altura em termos federativos, porque infelizmente Ronaldo não é apenas e só visto como um mero jogador de futebol, é muito mais do que isso. É uma marca, faz girar muitos milhões e daí a minha grande curiosidade ser agora perceber que tipo de reação é que pode ter Pedro Proença. Em relação a Jorge Jesus, recordar o seguinte, e isso não está no comunicado: é que da mesma maneira como Ronaldo teve os seus Piers Morgans e os seus Edu Aguirres, Jorge Jesus teve também Carlos Padrão, que é um antigo guarda-redes que passou pela formação do Sporting e esteve numa série de clubes, incluindo no Futebol Clube do Porto, que é alguém amigo mesmo pessoal de Jorge Jesus. E Carlos Padrão, exatamente esta terça-feira, aquilo que disse depois de ter falado com ele, e ele fez questão de dizer, depois de ter falado com Jorge Jesus, foi que Tiago Craveiro, em nome do lado do Cristiano Ronaldo, fez uma ameaça velada à entourage de Jorge Jesus, dizendo: "Ou ele lê aquilo que está no documento ou vai embora". A partir do momento em que existe uma acusação com este peso, é muito importante nessa altura perceber se existiu ou não essa ameaça velada e também, já agora, saber o que é que Jorge Jesus considera da mesma.

Obrigado, Bruno.

Obrigado, Luís.

Bruno Roseiro é editor de desporto do Observador. Esta foi a História do Dia, edição extra. A sonoplastia é da Mariana Sousa Aguiar. A música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou o Luís Soares. Até amanhã.

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