Após polêmica, Ed Sheeran pede desculpas e diz estar de “coração partido”
O cantor Ed Sheeran pediu desculpas e abordou a exclusão de Macklemore das datas da turnê dos EUA na noite deste sábado (19), após os comentários pró-Palestina feitos pelo rapper.
Após subir ao palco e antes de tocar qualquer música, o cantor afirmou estar com o "coração partido" devido à guerra entre Israel e Hamas e disse ter precisado tomar "decisões difíceis".
"Não quero decepcionar os fãs e nunca quis ser um músico ativista, mas isso me colocou no meio de um debate importante e apaixonado sobre liberdade de expressão e a questão política mais complexa do planeta", disse Sheeran no estádio Lincoln Financial Field.
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As outras atrações de abertura desistiram de participar após a exclusão de Macklemore.
"Meus shows sempre foram um espaço seguro para todos, e isso é extremamente importante para mim", continuou ele.
"Nesta semana, as críticas giraram em torno de algo muito mais importante; tive que tomar decisões difíceis, cometi erros e sinto muito, muito mesmo", afirmou.
Milhares de fãs chegaram ao local pouco antes do show; muitos vestiam rosa e havia famílias com crianças pequenas. Eles disseram à CNN que estavam animados para assistir à apresentação e esperavam que não houvesse interrupções.
Muitos espectadores disseram à CNN, antes do show, que se solidarizavam com as declarações anteriores de Macklemore no palco, mas esperavam que o foco do sábado fosse a música.
Um pequeno grupo de manifestantes — alguns agitando bandeiras da Palestina — reuniu-se a poucos quarteirões do local até pouco antes do início do show.
Uma coalizão de organizações pró-Palestina havia anunciado anteriormente que realizaria uma manifestação perto do local do show na tarde de sábado para "trazer a conversa de volta à Palestina e mobilizar a Filadélfia".
Cerca de 50 pessoas gritavam "Palestina Livre" e pediam que Sheeran deixasse a cidade, ao som de tambores e trompetes. Os manifestantes seguravam cartazes e agitavam bandeiras da Palestina em um protesto pacífico.
Entenda a polêmica envolvendo Ed Sheeran
O cantor Ed Sheeran, 35, se envolveu em uma polêmica nos últimos dias após Macklemore ser afastado da turnê "Loop". A decisão foi tomada depois que o rapper fez um discurso pró-Palestina no dia 4 de setembro, em um show de abertura no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), pedindo "paz em Gaza e na Cisjordânia".
Na segunda-feira (14), o rapper fez um longo pronunciamento e afirmou que Robert Kraft, um dos grandes empresários da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano) e dono do New England Patriots, teria tido influência em sua exclusão da tour.
Macklemore ainda criticou a posição "apolítica de Ed e de muitos outros envolvidos", mas afirmou entender que "escolher um lado custa dinheiro, parceiros, investidores, festivais, relações e acesso".
Reforçando sua posição política e social sobre o caso, o rapper desejou que sua relação com Sheeran não mude por conta do impasse e declarou que "13 anos de amizade não desaparecem por conta de uma briga dolorosa. Minha porta sempre estará aberta para continuarmos essa conversa."
Pronunciamento do cantor
Já na terça-feira (15), Ed Sheeran resolveu se pronunciar sobre o assunto. Nas redes sociais, ele disse estar "horrorizado com o conflito entre Israel e Palestina", mas que, após o discurso de Macklemore, os locais dos próximos shows de sua turnê comunicaram que cancelariam as apresentações caso ele continuasse participando.
Em seu posicionamento, Sheeran declara, ainda, que a saída do rapper da turnê foi uma decisão do promotor. "O contrato do Macklemore para a turnê era com o promotor, não comigo", afirma. "Eu nunca decepcionaria os fãs que se planejaram, nem abandonaria a equipe da turnê, os outros atos de abertura e os músicos que dependem de mim para trabalhar e se sustentar", completa.
Em seguida, Sheeran afirma que prefere não se pronunciar publicamente sobre sua posição a respeito do conflito entre Palestina e Israel.
"Eu não sou cúmplice. Tenho minhas opiniões pessoais sobre este conflito devastador. Só porque escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenha e nem que eu não me importe. Tampouco significa que eu não apoie causas da minha própria maneira, pessoal", completa.
"Passei esta semana tentando construir pontes, encontrar uma solução e, infelizmente, não consegui. Eu sei quem sou, tanto como pessoa quanto como artista, e aqueles que conhecem meu coração também conhecem meus valores", finaliza.
Astros de abertura abandonam turnê
Também na terça-feira (15), a banda Beoga e os cantores Aaron Rowe, Lukas Graham e Finneas se pronunciaram anunciando que não vão mais participar da turnê do artista Ed Sheeran.
"Não tomei essa decisão de forma leviana. Ed tem sido um amigo para mim e mudou minha vida, e eu nunca conseguiria agradecê-lo o suficiente por isso. Mas, como irlandeses, conhecemos muito bem o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta", começou Aaron.
Finneas, por sua vez, defendeu que artistas não devem ser silenciados quando se pronunciam sobre opressões. "Decidi me retirar das minhas próximas datas de show com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e do seu povo", escreveu o irmão da cantora Billie Eilish.
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