Candidatura a Capital da Cultura quer valorizar Setúbal

A valorização da memória e da história local e o apoio à criação artística e a novos talentos são alguns objetivos da candidatura de Setúbal a Capital Portuguesa da Cultura 2028, apresentada hoje.
Com o lema “Setúbal – Mar de Cultura”, a candidatura será submetida oficialmente até 19 de setembro, mas as suas linhas gerais foram divulgadas no Cinema Charlot – Auditório Municipal, durante um seminário promovido pela Câmara de Setúbal.
Em declarações à agência Lusa, o comissário executivo da candidatura, João Filipe Abrantes, salientou que “o projeto foi construído com a participação da comunidade e pretende criar uma estratégia cultural que ultrapasse o próprio ano de 2028″.
“É uma candidatura totalmente construída com Setúbal e com os setubalenses e que é realmente aquilo que eles entendem que a cultura de Setúbal deve ser, não só para 2028, mas principalmente a partir de 2028”, disse.
“O conceito ‘Mar de Cultura’ remete não apenas para a relação de Setúbal com o rio e o mar, mas também para ideias de profundidade, grandiosidade e constância, dando origem a vários pilares da candidatura, designados por marés”, acrescentou.
A proposta adota um conceito alargado de cultura, que “não se limita aos espetáculos, museus ou galerias”, mas integra “áreas como a comunidade, a paisagem, o ambiente e até a astronomia”.
“Olhamos para a cultura como um todo. Tudo o que nós pensamos é cultura”, afirmou o comissário, acrescentando que a candidatura pretende envolver toda a cidade e colocar a cultura como um pilar de desenvolvimento da própria comunidade.
Em síntese, “é um projeto que principalmente quer deixar um legado”, pelo que 2028 deve funcionar como “o ano zero” de uma estratégia destinada a prolongar-se nos anos seguintes e a envolver as gerações mais novas.
O diretor artístico da candidatura, o tenor setubalense João Mendonza, destacou, por seu lado, a “riqueza histórica e humana do concelho”, defendendo que a proposta deve projetar uma visão da cidade que ultrapasse as artes performativas e o património físico.
“Somos uma cidade rica, mas não queremos ficar só pelo património físico. Queremos ir buscar também um lado humano”, afirmou, recordando figuras ligadas a Setúbal como José Afonso, Luísa Todi e Bocage.
Entre os embaixadores da candidatura referidos pelo responsável estão setubalenses reconhecidos, como o cantor Toy, o humorista Herman José e o ator Manuel Marques.
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