Xi aceita termo de Trump e dá vitória à 'superinteligência' de Zuckerberg
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 25, que o presidente chinês Xi Jinping concordou em alterar o nome da inteligência artificial (IA) para "superinteligência".
Em publicação em seu perfil no Truth Social, Trump afirmou que "a reunião foi muito produtiva com o Xi, tanto para os EUA quanto para a China". "Coisas extraordinárias estão por vir. Assim como quase todos, ele pareceu gostar de chamar a inteligência artificial, um termo inadequado e impreciso, de um nome muito mais preciso e importante: SUPERINTELIGÊNCIA. Isso mesmo, 'SUPER!' Todos concordaram ontem à noite", disse Trump.
A proposta de renomear a tecnologia não nasceu no encontro com Xi. Na terça-feira, 22, durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Trump já havia anunciado que os Estados Unidos passariam a chamar a IA de "superinteligência", ou SI, em todos os documentos oficiais do governo americano.
Segundo a lógica do presidente, o termo "artificial" separa a tecnologia dos humanos, enquanto "super" reforçaria a ideia de uma ferramenta a serviço das pessoas — uma tentativa, segundo analistas ouvidos pela imprensa americana, de esvaziar o peso negativo associado à palavra "artificial".
A palavra em si não é nova na indústria. No ano passado, Mark Zuckerberg, CEO e fundador da Meta, dona do Facebook, anunciou a criação de um laboratório interno batizado de Meta Superintelligence Labs, com o objetivo declarado de alcançar o que ele chama de "superinteligência pessoal".
No jargão técnico do setor, porém, o termo descreve um sistema hipotético capaz de superar a inteligência humana em praticamente todas as áreas — um patamar que ainda não foi atingido por nenhum modelo de IA existente. Trump, ao propor a troca de nome, usa a palavra de forma mais ampla, como sinônimo geral para a tecnologia como um todo, e não para esse estágio específico e ainda não alcançado.
A troca de nome acontece num momento em que Trump vem rejeitando publicamente os alertas sobre riscos existenciais da IA feitos por executivos do próprio setor. Segundo o jornal sul-coreano Seoul Economic Daily, o presidente chamou esse tipo de discurso de "boato da esquerda radical" durante a mesma semana em que os CEOs da Anthropic, Dario Amodei, e da OpenAI, Sam Altman, discursaram no Conselho de Segurança da ONU pedindo controles internacionais mais rígidos para a tecnologia.
Trump também disse que o Departamento de Justiça americano vai monitorar usos da IA que violem a lei, mas evitou defender qualquer nova regulamentação específica para o setor — posição que, segundo analistas, está ligada ao temor de que desacelerar o desenvolvimento da tecnologia deixe os Estados Unidos para trás numa corrida tecnológica com a China. O tema da IA dominou boa parte da visita de Estado de Xi a Washington, que incluiu também um jantar na Casa Branca com a presença de executivos como Zuckerberg, Altman e Elon Musk.
Em que pé está o laboratório de superinteligência da Meta?
Criado em 30 de junho de 2025, o Meta Superintelligence Labs (MSL) nasceu de uma aposta bilionária. No ano passado, Meta pagou US$ 14,3 bilhões por uma fatia da Scale AI para trazer seu fundador, Alexandr Wang, então com 28 anos, para comandar a nova divisão como diretor de IA da empresa, a primeira pessoa a ocupar esse cargo na história da companhia.
O movimento veio depois de uma sequência de tropeços: a recepção fria ao modelo aberto Llama 4 e a sensação, entre executivos da Meta, de que a empresa havia ficado para trás na corrida de IA diante de rivais como OpenAI, Google e a chinesa DeepSeek.
Wang formou o laboratório recrutando pesquisadores de peso de concorrentes como OpenAI, Google DeepMind e Anthropic, e a divisão chegou a somar cerca de 3 mil funcionários. Dentro dela, criou-se uma equipe de elite batizada de TBD Lab, dedicada a treinar os modelos de próxima geração da empresa — entre eles o Muse Spark, que hoje dá vida ao assistente pessoal Muse.
Mas o ritmo perdeu força ao longo de 2026. Em março, a Meta criou uma unidade paralela de "engenharia de IA aplicada", subordinada diretamente ao diretor de tecnologia da empresa, Andrew Bosworth — um movimento que, segundo analistas do setor, reduziu na prática a autonomia de Wang e sinalizou uma prioridade maior em produtos que gerem receita imediata, em vez da pesquisa de longo prazo rumo à superinteligência.
Em outubro do ano passado, a Meta já havia cortado cerca de 600 vagas do laboratório, afetando as áreas de pesquisa fundamental (FAIR), IA aplicada a produtos e infraestrutura — mas poupando justamente o TBD Lab, sinal de que a empresa seguia disposta a investir pesado nos modelos mais avançados, mesmo cortando o resto da estrutura. "Estou muito animado com os modelos que estamos treinando, nossos planos de infraestrutura e os produtos que estamos construindo, e confiante em nosso caminho para construir rumo à superinteligência", escreveu Wang aos funcionários na ocasião.
Apesar dos solavancos internos, Wang segue no comando do laboratório e a Meta continua contratando para o núcleo de pesquisa mais avançada, com reforços recentes vindos da própria OpenAI e da Thinking Machines, startup fundada pela ex-CTO da OpenAI, Mira Murati.
O nome "superinteligência" seguiu no vocabulário oficial da empresa, mesmo com as turbulências — Zuckerberg voltou a usá-lo em setembro, ao descrever a visão de longo prazo por trás do lançamento do Muse.
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