Grupo do Paraná investe R$ 50 milhões em data centers para alcançar primeiro bilhão
RESUMO +
A integradora de tecnologia Solo Network anunciou a aquisição de 80% da Planeje, empresa de engenharia, infraestrutura e construção de data centers, para executar projetos completos no Brasil. O grupo prevê R$ 10 milhões para capital de giro e expansão comercial e pode disponibilizar mais R$ 50 milhões a partir de 2027, quando pretende dobrar o faturamento da Planeje.
A Solo Network, integradora de tecnologia e provedora de serviços gerenciados, acaba de anunciar a aquisição de participação majoritária na Planeje, empresa especializada em engenharia, infraestrutura e construção de data centers.
A operação chega para ampliar a atuação da empresa, que passa a executar projetos completos de data centers de pequeno e médio porte em todo o país. “Estamos vendo uma mudança na demanda por capacidade computacional. Nossa decisão foi participar de forma direta da cadeia de infraestrutura e trazer para dentro do grupo a engenharia e a construção de data centers”, afirma João Paulo Costa Pereira, CEO da Solo Network.
Na primeira etapa, a Solo Network prevê destinar cerca de R$ 10 milhões ao capital de giro e à expansão comercial da Planeje. A partir de 2027, o grupo pode colocar à disposição da operação até R$ 50 milhões, ao longo de três anos, para executar novos projetos à medida que a demanda crescer e os clientes contratarem os empreendimentos. A meta inicial é dobrar o faturamento da Planeje em 2027.
O que motivou a aquisição
Com a compra de 80% das cotas da Planeje pelos sócios da Solo Network, por meio de suas holdings, o grupo passa a atuar em diferentes etapas da construção de data centers. A estratégia é combinar a engenharia e a execução de projetos da Planeje com a capacidade industrial da Envolve Ambientes Seguros, que já tem sócios em comum com a integradora, e a experiência da Solo em tecnologia, nuvem e cibersegurança.
A aproximação entre as empresas foi precedida por uma experiência conjunta. A Planeje e a Envolve trabalharam no data center modular do Exército Brasileiro, inaugurado em 2025 após as companhias vencerem um edital. No projeto, a Envolve instalou uma sala segura modular de 112 m², com proteções contra incêndio, arrombamento, jatos d'água e impactos, além de blindagem eletromagnética.
A Planeje, por sua vez, ficou responsável pela integração dos sistemas críticos, incluindo subestações de média e baixa tensão, climatização, geradores com até 12 horas de autonomia, no-breaks e mais de mil pontos de cabeamento estruturado em fibra óptica e metálico. A estrutura atende ao 3º Centro de Telemática de Área (3º CTA), dedicado à gestão de informações críticas da defesa nacional.
A experiência evidenciou, segundo Pereira, como as duas empresas podem atuar de forma complementar. A Planeje responde pela engenharia, construção e integração dos projetos, enquanto a Envolve fabrica painéis, portas, salas seguras e data centers modulares e em contêineres. A Solo acrescenta a camada de tecnologia, com soluções de nuvem, software, dados e cibersegurança.
A fábrica da Envolve tem capacidade para atender o equivalente a até 25 data centers por ano, dependendo da configuração e do porte dos empreendimentos. A combinação das operações também deve ampliar o controle do grupo sobre a cadeia de fornecimento e execução, com potencial para melhorar prazos, qualidade e previsibilidade financeira.
“Juntas, as empresas cobrem a cadeia completa de um projeto de infraestrutura crítica”, afirma.
Como será a integração
A Planeje manterá a própria marca, a equipe e a estrutura operacional. Eduardo Silveira, sócio da companhia, continuará à frente das áreas Comercial e Operações, enquanto os 32 profissionais da empresa serão mantidos. A gestão administrativa e financeira, por outro lado, passará a ser integrada à estrutura do grupo. O plano também prevê ampliar a equipe comercial.
A empresa já atende órgãos públicos, cooperativas agroindustriais, indústrias e instituições de ensino. O foco está em organizações que precisam construir ou modernizar ambientes próprios de processamento, armazenamento e contingência, um mercado que vai além dos grandes provedores de computação em nuvem.
Segundo projeção da Brasscom, os investimentos acumulados em data centers no Brasil podem alcançar R$ 399,3 bilhões até 2030, sendo R$ 99,8 bilhões destinados à infraestrutura e R$ 299,5 bilhões, a equipamentos. A expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem, aliada à crescente digitalização das empresas, amplia a demanda por capacidade de processamento e por estruturas físicas capazes de sustentar essas operações.
A Planeje estima faturar R$ 30 milhões em 2026. Com os recursos e a estrutura comercial da Solo Network, a expectativa é alcançar R$ 200 milhões em faturamento em 2031. Para o próximo ano, a meta inicial é dobrar a receita.
Como a Solo Network espera chegar a R$ 1 bilhão
Fundada em 2002, em Curitiba, por João Paulo Costa Pereira e Audreyn Justus, a Solo Network começou como integradora de tecnologia e provedora de serviços gerenciados para empresas da capital paranaense e região metropolitana. A expansão para outros mercados ocorreu inicialmente no Paraná e, depois, ganhou alcance nacional com o investimento em canais digitais de aquisição de clientes.
Hoje, a companhia reúne mais de 400 colaboradores, atende mais de 6 mil clientes e mantém equipes comerciais em 14 estados. Sua atuação está organizada em cinco frentes: Cloud & Infra, Dados & IA, Modernização, Modern Workplace e Cibersegurança.
Uma das principais iniciativas recentes foi a criação da Solo Iron, vertical de cibersegurança lançada em 2023, que já responde por mais de 20% do faturamento. A unidade reúne serviços como monitoramento de segurança, testes de intrusão, simulações de ataques e gestão de ambientes protegidos.
A expansão também se refletiu nos resultados financeiros. Em 2020, a empresa tinha cerca de 100 colaboradores; em 2025, encerrou o ano com faturamento próximo de R$ 800 milhões. Para 2026, a expectativa é se aproximar de R$ 1 bilhão em receita, enquanto a meta é aumentar em 30% o resultado operacional.
“Vivemos o período de maior crescimento da nossa história. Ao mesmo tempo, estamos mudando o perfil da receita, com mais soluções e serviços de alto valor, como cibersegurança, dados e IA, e menos dependência de licenciamento”, afirma Pereira.
A entrada no mercado de data centers acompanha essa estratégia de ampliar a participação em serviços e soluções de maior valor agregado. Com a aquisição da Planeje, a Solo pretende ir além da entrega de softwares e serviços digitais e assumir projetos que abrangem desde a infraestrutura física até as camadas de tecnologia e segurança.
A companhia atribui parte de seu crescimento à antecipação de tendências de mercado. Em 2018, criou a vertical de Cloud & Infra, que ajudou a atender à demanda por migração de ambientes corporativos para a nuvem durante a pandemia.
Agora, a expectativa é repetir esse movimento em um segmento impulsionado pela inteligência artificial e pelo aumento do volume de dados.
'Perguntas frequentes'
Por que a Solo Network adquiriu participação na Planeje? +
A Solo Network adquiriu a participação para entrar diretamente na cadeia de infraestrutura e executar projetos completos de data centers de pequeno e médio porte. Segundo João Paulo Costa Pereira, CEO da Solo Network, a decisão responde à mudança na demanda por capacidade computacional.
Qual participação da Planeje foi adquirida pela Solo Network? +
Os sócios da Solo Network compraram 80% das cotas da Planeje por meio de suas holdings. A empresa adquirida manterá a marca, a equipe e a estrutura operacional.
Quanto será investido na expansão da Planeje? +
A Solo Network prevê destinar inicialmente cerca de R$ 10 milhões ao capital de giro e à expansão comercial da Planeje. A partir de 2027, o grupo pode disponibilizar até R$ 50 milhões durante três anos para novos projetos, conforme a demanda e as contratações.
Como as empresas atuarão juntas no mercado de data centers? +
A Planeje ficará responsável pela engenharia, construção e integração dos projetos, enquanto a Envolve Ambientes Seguros fornecerá painéis, portas, salas seguras e estruturas modulares. A Solo Network acrescentará soluções de nuvem, software, dados e cibersegurança.
Qual é a projeção de faturamento da Planeje? +
A Planeje estima faturar R$ 30 milhões em 2026 e tem como meta dobrar a receita em 2027. Com os recursos e a estrutura comercial da Solo Network, a expectativa é alcançar faturamento de R$ 200 milhões em 2031.
Quanto a Solo Network espera faturar em 2026? +
A Solo Network espera se aproximar de R$ 1 bilhão em receita em 2026 e aumentar o resultado operacional em 30%. A integradora encerrou 2025 com faturamento próximo de R$ 800 milhões, mais de 400 colaboradores e mais de 6 mil clientes.
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