Bigode fino volta ao rosto masculino como tendência de beleza
O bigode que voltou a circular entre homens jovens em 2026 tem pouco em comum com a versão volumosa que dominou os anos 1970 e 1980, imortalizada por Tom Selleck na série Magnum. A versão atual é estreita, com fios aparados rente à pele e uma linha bem definida acima do lábio, mais próxima do visual de galãs como Clark Gable e David Niven do que do estereótipo do detetive de camisa havaiana. A proposta é parecer cuidado, sem o peso de uma barba cheia.
Parte da popularidade vem do cinema. Para viver o protagonista de Marty Supreme, filme de Josh Safdie ambientado nos anos 1950, Timothée Chalamet usou um bigode fino cuja espessura foi calibrada pela maquiadora Kyra Panchenko em conjunto com o ator e o diretor, para reproduzir o estilo da época. O papel rendeu a Chalamet o Globo de Ouro de melhor ator em janeiro, e o bigode acompanhou o ator durante toda a temporada de premiações.
Do tapete vermelho à primeira fila

Jacob Elordi, na Bottega Veneta, e Timothée Chalamet combinam bigode e cavanhaque curto, variação que ganhou força em 2026 (Reprodução/Instagram)
Nos meses seguintes, o visual passou a aparecer em outros rostos conhecidos. Jacob Elordi, de 29 anos, surgiu em setembro em Los Angeles com bigode e cavanhaque separados e levou a combinação à primeira fila do desfile de verão 2027 da Bottega Veneta, em Milão, grife da qual é embaixador. Harry Styles adotou o bigode durante a residência de 30 shows no Madison Square Garden, em Nova York, que vai até 31 de outubro.
No esporte, quem aderiu foi Carlos Alcaraz. O tenista espanhol, que já vinha testando cabelo comprido e cavanhaque desde que voltou de lesão, apostou com a equipe que todos deixariam o bigode crescer se ele vencesse o torneio de Tóquio. Com o título garantido, jogador, treinadores e empresário apareceram de bigode no Masters 1000 de Xangai, e Alcaraz disse aos jornalistas que queria descobrir como ficava com o visual.

A$AP Rocky de bigode fino e smoking Chanel na sexta edição do Academy Museum Gala, em Los Angeles (Reprodução/Instagram)
No último final de semana, A$AP Rocky levou o bigode ao tapete vermelho da sexta edição do Academy Museum Gala, evento anual que arrecada recursos para o Academy Museum of Motion Pictures, em Los Angeles. O rapper vestiu Chanel na noite, que reuniu nomes como Taylor Swift, Charlize Theron, Colman Domingo e o próprio Jacob Elordi, e entrou na lista de mais bem vestidos da WWD.
Precisão no barbeador
Fora do circuito das celebridades, a tendência aparece em tutoriais no TikTok, em que jovens da geração Z mostram como deixar os fios crescerem e como aparar o contorno, e chega às barbearias. Segundo relatos de barbeiros britânicos ao jornal The Guardian, cresceu a procura por versões finas entre clientes mais novos, em parte porque o estilo é fácil de manter e se adapta à maioria dos rostos.
O resultado, no entanto, depende de ajuste. A forma, a espessura e o acabamento precisam considerar a estrutura facial de cada pessoa, e o desenho pede retoques frequentes com tesoura ou máquina para manter a linha limpa. Para quem tem pouco volume de pelos, o formato estreito costuma funcionar melhor que o bigode cheio, que exige crescimento mais denso e uniforme.
A pesquisadora Ashley Morgan, que estuda masculinidades na Cardiff Metropolitan University, associa a escolha por uma versão discreta a um desejo de diferenciação em relação aos homens de barba e de afastamento da imagem de macho alfa difundida nas redes. Entre atores próximos dos 30 anos, ela vê também uma forma de sinalizar maturidade sem abrir mão da aparência jovem.
O estilo deve ganhar ainda mais visibilidade em novembro, com o Movember, campanha criada em 2003 que convida homens a deixar o bigode crescer durante o mês para arrecadar fundos para a saúde masculina.
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